
O caso é sério e demanda responsabilidade dos atores envolvidos. Seria o caso Master a mãe de todas as crises?
Por André Pereira César
O início do ano Legislativo coloca à prova o caso do Banco Master, hoje o principal foco de crise no país. Deputados e senadores não têm como fugir do tema e, dado que as investigações seguem seu curso, a chamada “dinâmica do fato novo” pode trazer elementos adicionais à questão. Incerteza é a palavra do momento.
No âmbito do Congresso Nacional, um movimento importante se dará no depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à CPMI do INSS, previsto para ocorrer nesta quinta-feira, 5 de fevereiro. Aqui já surge uma questão – o dono do Master comparecerá ou, mais ainda, chegará munido de um habeas corpus que o libere da obrigação de responder aos questionamentos?
Ocorrendo ou não a sessão, o fato é que tudo servirá de termômetro a indicar o futuro dos debates em torno do caso entre os parlamentares. Indo além, são reais as chances de uma escalada no tensionamento entre governo e oposição, tudo com transmissão ao vivo. Em ano eleitoral, será uma excelente vitrine para todos os envolvidos.
Como afirmado mais acima, a Polícia Federal continua as apurações e, por ora, não se pode acusar pessoa alguma. Destruir reputações, assim como manipular o sistema financeiro e gerar prejuízo a milhares de pessoas, é danoso para a democracia.
Aqui cabe um ponto importante – o caso mostra que toda a regulação do sensível setor precisa ser revisada, com urgência. Com a palavra, entre outros, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários.
Igualmente a Justiça precisa agir com mais precisão. Os movimentos erráticos e pouco ortodoxos do relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, geraram dúvidas não somente entre juristas, mas também na opinião pública. A questão é séria e a população deseja transparência.
Há um exemplo histórico para jogar luzes no processo. No início do segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no já longínquo início do século XXI, um escândalo ameaçou a saúde do sistema financeiro. Dois bancos de pequeno porte, Marka e FonteCindam, se utilizaram de uma desvalorização cambial para manipular o mercado, o que resultou em uma CPI no Senado Federal. Ao final, as instituições trabalharam com presteza e o problema foi solucionado. Espera-se o mesmo agora.
Enfim, o caso é sério e demanda responsabilidade dos atores envolvidos. Seria o caso Master a mãe de todas as crises?
André Pereira César é cientista político

