Deputado diz que não votou em Erika Hilton na Comissão da Mulher e atribui polêmica a fake news
Por Denise Miranda
O deputado federal Otoni de Paula tornou-se alvo de controvérsia política e religiosa após circular a informação de que teria apoiado a eleição da deputada Erika Hilton, que é uma parlamentar transexual, para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
A polêmica ganhou repercussão nas redes sociais e em setores ligados à bancada evangélica. Críticos atribuíram ao parlamentar um suposto papel decisivo no processo que levou Hilton ao comando do colegiado, o que intensificou disputas políticas internas no Congresso. Paralelamente, também circulou a informação de que o deputado teria sido destituído da função de pastor após o episódio.
“Não votei em Erika Hilton. A Frente Parlamentar Evangélica tinha uma estratégia para tentar impedir a eleição. A orientação inicial era não registrar presença para evitar a formação de quórum. Caso o quórum fosse alcançado — já que somos minoria — a orientação era votar em branco”, explicou.
Segundo o parlamentar, no momento da votação ele presidia uma sessão da Câmara dos Deputados e participou do processo de forma remota.“Eu estava presidindo uma sessão da Câmara e, como a eleição na comissão era remota, pelo celular, era possível exercer as duas funções ao mesmo tempo. Quando fui alertado por um membro da comissão de que deveria votar, votei em branco, conforme combinado”, disse.
Sobre a repercussão do episódio, Otoni de Paula afirmou que a polêmica teria sido alimentada por setores insatisfeitos com sua atuação política.
“Eu só tenho a lamentar esta fake news, organizada e muito bem organizada por setores da igreja que não têm se agradado do meu mandato e do meu posicionamento público de criticar a polarização, que tem causado tanta divisão no seio da igreja de Jesus”, afirmou.
Para ele, houve uma articulação deliberada para prejudicar sua imagem. “Houve, sim, uma orquestração de falsas notícias para me prejudicar. É lamentável que isso tenha partido de pessoas inescrupulosas que estão na igreja e também na política da igreja”, disse.
Questionado sobre possíveis impactos políticos, o parlamentar afirmou que episódios desse tipo fazem parte da vida pública. “De forma alguma. Apesar de lamentar tudo o que aconteceu e o prejuízo de imagem que isso possa ter provocado, entendo que, como homem público, preciso estar preparado para esse tipo de ataque mentiroso”, afirmou.
Entenda o caso
A eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ocorreu em meio a um ambiente de tensão política e mobilização de diferentes bancadas na Câmara, com resultado apertado que ampliou a repercussão do episódio. A presidência ficou com a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mulher trans, sendo a primeira parlamentar com essa identidade de gênero a ocupar o cargo. A escolha gerou reações divergentes entre parlamentares e setores da sociedade, ampliando o debate sobre representação e pautas de gênero no cenário político.
Saiba mais
As comissões permanentes da Câmara dos Deputados são responsáveis por discutir e votar propostas legislativas antes que elas sigam para o plenário. Entre elas está a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, que trata de temas ligados à proteção, igualdade de direitos e políticas públicas voltadas às mulheres.
A presidência das comissões é definida anualmente por eleição entre os próprios integrantes do colegiado. Os partidos indicam seus representantes e negociam a ocupação dos cargos de comando conforme a proporcionalidade das bancadas na Casa.
Durante a votação, os deputados integrantes da comissão escolhem o presidente por maioria simples. O resultado costuma refletir acordos políticos firmados previamente entre lideranças partidárias e blocos parlamentares.
A eleição recente do colegiado ganhou repercussão após a escolha de Erika Hilton, parlamentar transexual, episódio que gerou debates políticos e manifestações nas redes sociais envolvendo parlamentares e lideranças religiosas.

