A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos apresenta, no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, uma mostra inédita que reúne pela primeira vez três repertórios, com mais de 50 canções
Por Thamiris Guidoni
Após três anos de pesquisa, criação e circulação pelo país, a Orquestra Brasileira de Cantores Cegos chega a Vitória com uma apresentação inédita: pela primeira vez, o grupo reúne em cena os três repertórios desenvolvidos ao longo de sua trajetória. A mostra ocupa o palco do Theatro Carlos Gomes, entre os dias 13 e 15 de maio, em uma temporada que transforma memória, tradição e experiência sensorial em espetáculo.
Ao todo, mais de 50 canções da tradição oral brasileira compõem o repertório. São cantos que atravessam gerações e territórios, de comunidades indígenas a quilombolas e populações rurais, revelando um Brasil profundo, transmitido pela oralidade e mantido vivo pela coletividade.
A iniciativa é realizada pela SOCA Brasil, com produção da Cia Poéticas da Cena Contemporânea, coprodução do Espaço Contêiner e patrocínio do Itaú e da MIP-Multilift, por meio da Lei Rouanet. O projeto também conta com apoio do Governo do Estado, via Secretaria da Cultura do Espírito Santo.
Um Brasil que se escuta e se vê
Formada por 16 cantores cegos, a orquestra constrói uma experiência que vai além da música. No palco, o canto se entrelaça com elementos cênicos, iluminação e movimento, criando uma narrativa sensorial potente.
Os três repertórios apresentados compartilham o mesmo conceito, mas preservam identidades próprias. Juntos, formam uma espécie de trilogia da cultura oral brasileira, um mosaico de vozes, histórias e afetos.
“A oralidade popular brasileira é riquíssima, parece infindável. No palco, as pessoas veem este repertório vivo. O coro de cantores cegos é muito impactante e também a camada performativa, com luz, atuação, movimento, regência percussiva”, afirma a coordenadora do projeto e diretora artística, Rejane Arruda.
E completa: “É tudo muito bonito e traz um impacto emocional forte. O resgate da memória, a presença das relações parentais, a alusão à vida em comunidade. É uma espécie de retrato do Brasil em forma de canção e também pela poética cênica. A gente vê a força também da encenação. Os três repertórios formam uma espécie de trilogia”.
Trajetória e impacto
Ao longo de sua caminhada, o projeto já realizou diversas temporadas e alcançou mais de 9 mil pessoas, com forte atuação na democratização do acesso à cultura. Parte significativa do público é formada por estudantes da rede pública, que participam das sessões por meio de agendamento.
“Estamos vivendo um momento muito especial. Nossa expectativa é receber um grande público e compartilhar esse trabalho, que está sendo feito com muita dedicação e amor. Ensaiar as canções das três temporadas ao mesmo tempo tem sido um desafio intenso. Cada repertório tem sua própria identidade e reviver essas três fases ao mesmo tempo tem sido uma experiência muito especial para todos nós”, afirma a cantora Geovana Santos.
Para o cantor Maycon Machado, a apresentação em Vitória marca também um momento simbólico.
“É muito gratificante ensaiar os três repertórios para apresentar num espaço como o Theatro Carlos Gomes, lugar que nunca visitei e onde eu estarei pela primeira vez. Estamos nos preparando para fazer um lindo espetáculo. Espero que o público compareça para nos prestigiar e se encante com as apresentações, mesmo aquelas pessoas que já nos assistiram em outras oportunidades”.
Música, cena e pesquisa
A força do espetáculo está na integração entre música e encenação. Os cantores interagem diretamente com os atores da Cia Poéticas da Cena Contemporânea, em uma montagem marcada pelo impacto visual e pela construção coletiva.
A regência do maestro Thomas Davison aposta na percussão corporal como linguagem, enquanto o piano de Evelyn Drummond sustenta a base harmônica dos arranjos assinados por Tarita de Souza.
As canções têm origem na pesquisa da musicista Renata Mattar, que desde a década de 1990 percorre o Brasil registrando cantigas transmitidas oralmente em comunidades tradicionais.
Acesso e inclusão
A temporada prevê sessões com atendimento prioritário para escolas, incluindo reserva de ingressos e oferta de transporte para grupos organizados. A produção também mantém uma rede de voluntariado para acolhimento do público e ações de acessibilidade. O atendimento prioritário deve ser solicitado previamente via WhatsApp.
PROGRAMAÇÃO
13 de maio (quarta-feira)
20h — Repertório #2 (2024)
14 de maio (quinta-feira)
15h — Repertório #2 (2024)
20h — Repertório #1 (2023)
15 de maio (sexta-feira)
20h — Repertório #3 (2025)
Ingressos gratuitos disponíveis a partir de 08 de maio, às 12h, no Sympla
Mostra de Repertórios — Orquestra Brasileira de Cantores Cegos
Data: 13 a 15 de maio
Local: Theatro Carlos Gomes
Entrada gratuita (retirada via Sympla)
Agendamento de grupos e informações: WhatsApp SOCA Brasil
Telefone: (27) 99609-8181.

