Festival no Theatro Carlos Gomes reúne três espetáculos no escuro e propõe experiência sensorial com som, cheiro e tato entre quarta-feira (10) e domingo (14)
Por Thamiris Guidoni
O público capixaba terá a oportunidade de vivenciar uma experiência teatral pouco convencional entre esta quarta-feira (10) e domingo (14), no Theatro Carlos Gomes, em Vitória. A capital recebe o I Festival de Teatro Cego, que apresenta três espetáculos encenados completamente no escuro e convida os espectadores a acompanharem as histórias por meio de sentidos como audição, olfato, tato e até mesmo paladar.
Com entrada gratuita, o festival reúne as peças Acorda, Amor!, O Grande Viúvo e Clarear, todas escritas e dirigidas pelo dramaturgo Paulo Palado. Após passar pelo Rio de Janeiro e por Aracaju, o evento chega ao Espírito Santo antes de seguir para Recife. Cada cidade recebe duas apresentações de cada espetáculo, totalizando seis sessões.
A proposta do Teatro Cego rompe com a lógica tradicional das artes cênicas. Em vez de observar cenários, figurinos e movimentos dos atores, o público é convidado a construir as imagens da narrativa por meio da imaginação. Sons, vozes, aromas e diferentes estímulos sensoriais conduzem a experiência e ajudam a compor o ambiente onde a trama se desenrola.
Durante as apresentações, os espectadores permanecem em uma sala totalmente escura. À medida que os atores se movimentam, os sons e cheiros chegam de diferentes direções, criando a sensação de imersão e participação na cena.
O elenco reúne atores com deficiência visual, baixa visão e artistas videntes. Para Paulo Palado, que desenvolve a linguagem do Teatro Cego desde 2012, a proposta amplia as possibilidades da interpretação e também promove reflexões sobre acessibilidade.
“Fazer uma peça no escuro nos permite trabalhar com códigos muito profundos, possibilita ao ator outras formas de se expressar, e abre um campo de trabalho para pessoas que não enxergam. Além disso, o teatro torna-se campo para acessibilidade, onde o público pode exercitar a empatia e se sentir no lugar de quem não enxerga”, diz.
Para garantir a segurança do público, dos artistas e da equipe técnica, a sala é monitorada durante todo o espetáculo por meio de câmeras de infravermelho. Em caso de necessidade, um sistema de iluminação emergencial pode ser acionado instantaneamente.
Reconhecimento internacional
Em agosto de 2025, o Teatro Cego representou o Brasil no Fringe Festival, em Edimburgo, considerado o maior festival de artes do mundo. Na ocasião, a companhia foi indicada aos prêmios de Melhor Espetáculo de Neurodiversidade e Melhor Experiência em um Espetáculo, além de receber destaque em veículos britânicos como o jornal The Guardian e a rádio BBC.
Confira a programação completa
Acorda, Amor!
10 e 11 de junho, às 20h
Classificação: 14 anos
Ao som de canções de Chico Buarque, executadas ao vivo pela banda Social Samba Fino, a peça acompanha quatro jovens que enfrentam a repressão da ditadura militar nos anos 1970. Enquanto tentam escapar da perseguição do regime, Paulo, Lucas e Cesar disputam o amor de Natasha.
O Grande Viúvo
12 de junho, às 20h, e 13 de junho, às 16h
Classificação: 12 anos
Inspirado em um conto de Nelson Rodrigues e acompanhado por um trio de musicistas, o espetáculo narra a história de Jair, um homem que, após a morte da esposa Dalila, anuncia à família o desejo de morrer para ser enterrado ao lado dela.
Clarear
14 de junho, às 16h e às 18h
Classificação: 10 anos
A trama acompanha uma diarista e sua patroa, que enfrentam simultaneamente um tratamento contra o câncer. Apesar das diferenças sociais, as duas desenvolvem uma amizade marcada por empatia, solidariedade e superação.
I Festival de Teatro Cego
Local: Theatro Carlos Gomes – Rua Barão de Itapemirim, 232, Centro, Vitória
Abertura dos portões: uma hora antes de cada sessão, sujeita à lotação
Entrada gratuita.
Datas e horários:
10 e 11 de junho, às 20h – Acorda, Amor!
12 de junho, às 20h, e 13 de junho, às 16h – O Grande Viúvo
14 de junho, às 16h e às 18h – Clarear.

