- Continua após a publicidade -

Café capixaba vence efeitos climáticos e tem alta de safra

Em 2025, o Espírito Santo consolidou protagonismo nacional na produção de café, com avanço do Conilon mesmo diante de desafios climáticos e de mercado

Por Kebim Tamanini

A chuva escassa no período de formação e desenvolvimento dos frutos do café, especialmente entre janeiro e março, não impediu os produtores capixabas de terem um ano de crescimento. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a safra de 2025 seja de 17 milhões de sacas, 23,2% a mais que a colheita do ano anterior.

O desempenho foi puxado pelo Conilon, com 13,8 milhões de sacas, 40,3% superior ao ciclo anterior. Já o Arábica deve somar 3,2 milhões de sacas, uma queda de 18,8% em relação a 2024.

- Continua após a publicidade -

Os números reforçam o protagonismo do estado na cultura. Com quase 70% das propriedades rurais dedicadas ao cultivo do café, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Espírito Santo é o maior produtor de Conilon do país e o segundo maior produtor brasileiro do grão.

“Embora não seja uma safra recorde, pode ser considerada uma boa safra, especialmente nas regiões de Conilon, onde grande parte das lavouras é irrigada”, explicou o coordenador de cafeicultura do Incaper, Fabiano Tristão. Tradicionalmente, no Brasil, os cafeicultores costumam depender das abundantes chuvas de primavera e verão para o desenvolvimento das lavouras sem irrigação artificial.

Os resultados, embora positivos, poderiam ter sido ainda melhores. Os obstáculos enfrentados ao longo do ano, principalmente por conta das questões climáticas, reduziram em torno de 15% o potencial produtivo inicialmente esperado. Além da baixa precipitação no primeiro trimestre, um período crítico de granação dos frutos, os cafezais sofreram com as temperaturas acima da média ao longo do ano.

Conteúdo em Alta

Pimenta-do-reino chega a 17,5% das exportações do agro...
Venda de livros cresce 6,5% no Brasil; veja...
Agronegócio capixaba fortalece a economia do Estado
“Café não é cassino”, afirma Marcus Magalhães
Colheita de café pode chegar a 18 milhões...
Quem somos
Confira as cidades do ES com os melhores...
Colheita do conilon: previsão de 14,8 mi de...
O fim do modelo “igual para todos” no...
Agenda de sábado: BK, Luccas Carlos e muito...

Ainda assim, como destaca Fabiano, a força da cafeicultura capixaba suplantou os desafios e o setor demonstrou resiliência. Tristão destacou que isso foi possível graças às condições favoráveis de mercado e ao fortalecimento das ações de pesquisa, assistência técnica e extensão desenvolvidas por diversas instituições parceiras.

- Continua após a publicidade -
Café capixaba vence efeitos climáticos e tem alta de safra
Quase 70% das propriedades rurais capixabas são dedicadas ao cultivo do café – Foto: Divulgação/Incaper

Lucro em escalada

Os bons preços garantiram fôlego aos cafeicultores. O Arábica foi comercializado ao longo do ano por cerca de R$ 1.500 a saca, enquanto o Conilon manteve média próxima a R$ 1.100, segundo o Incaper – os valores praticamente dobraram desde 2023. “Esses níveis de preços estão garantindo uma boa rentabilidade ao produtor”, destacou Tristão.

A percepção é compartilhada pelo presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello, que também destaca o comportamento estratégico de muitos agricultores diante da valorização do grão. “Os preços estão remunerando bem o produtor, isso é uma realidade. Mas há produtores que estão retendo parte da produção pelo café já ter alcançado valores mais altos”, afirma.

Em 2025, a saca do Arábica chegou a ficar acima de R$ 2 mil por meses. Problemas climáticos, que prejudicam a oferta e corroem os estoques globais, são o principal motivo para a alta recorde do café em todo o globo.

- Continua após a publicidade -

ES domina o Coffee of The Year 2025

O Espírito Santo mais uma vez se destacou entre os maiores produtores de cafés de excelência do Brasil ao conquistar 11 das 15 colocações no concurso Coffee of The Year 2025, realizado durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG), no mês de novembro.

Com 24 cafés finalistas, o Estado confirmou sua força nas duas espécies: garantiu o 1º lugar na categoria Canéfora (que inclui a variedade Conilon) pelo terceiro ano consecutivo e alcançou o 2º lugar no Arábica.

Na Canéfora, a campeã foi Carolinna Bridi Gomes, da Fazenda São Bento, em Santa Teresa, seguida por seu pai, Luís Carlos da Silva Gomes (na foto, com a filha), da mesma propriedade, que conquistou o 3º lugar. Já no Arábica, oito das 10 premiações ficaram no Espírito Santo, com destaque para Douglas Dutra Vieira, de Iúna, que levou o 2º lugar.

Exportações driblam “tarifaço”

Apesar do episódio do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em julho de 2025, de 50% sobre a venda de produtos brasileiros para seu país, as exportações pelo Espírito Santo deve alcançar a segunda maior receita cambial da história. Os norte-americanos são os principais compradores de café do Brasil e os produtores precisaram buscar alternativas diante disso.

Mesmo com esse cenário, dados preliminares do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) indicam que o Estado deve ultrapassar, após 14 anos, a marca de US$ 1,063 bilhão em exportações do produto em 2025.

Entre janeiro e outubro deste ano, 3,7 milhões de sacas de café foram embarcadas pelos portos capixabas. Mantido o ritmo dos últimos meses, o volume total do ano deve chegar a 4,4 milhões de sacas. Embora o número seja inferior ao registrado em 2023 e 2024 — quando foram exportados, respectivamente, 5,2 milhões e 8,4 milhões de sacas —, o resultado financeiro se destaca: até outubro, a receita cambial já somava US$ 1,061 bilhão, o que representa 59% do total de 2024 e 29% acima do apurado em 2023.

Entre outros fatores, o tarifaço dos EUA e a competitividade do Vietnã no mercado internacional limitaram os embarques. A taxação norte-americana, no entanto, foi reduzida a 40% e, depois, suspensa em novembro.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

Leia Mais

Café: ES apresenta práticas sustentáveis em evento nacional
O agro que move e equilibra a economia...
Economia Verde: Conheça 3 projetos capixabas
Preço do café recua com dólar e safra...
Crédito e incentivo ampliam apoio ao café capixaba
Estrelas do futebol homenageiam ex-jogador Geovani Silva
ES tem 11 cafés especiais entre os melhores...
Cooabriel abre inscrições para concurso de café de...
MPES e Findes ampliam cooperação no Espírito Santo
Startups capixabas ganham protagonismo no ESX 2026

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -