O avanço de 7,75% nas taxas de condomínio no ES supera a inflação e pressiona o orçamento das famílias; alta reflete salários e mão de obra, explica diretor da Ademi
Por Letícia Arcanjo
As taxas de condomínio no Espírito Santo registraram aumento de 7,75%, avanço de 81,9% acima da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano em 4,26%.
Os dados são do Índice Superlógica, levantamento que considera cerca de 130 mil condomínios em todas as regiões do país, somando mais de 6,3 milhões de unidades.
Em entrevista à ES Brasil, o diretor da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Glauco Marinho, explica que entre os principais fatores para a alta estão os reajustes salariais e a dificuldade de encontrar e repor mão de obra, considerando que os reajustes dos salários estão acima da média da inflação do período.
“Cada vez mais temos um dificultador, pois o condomínio sofre os reajustes da categoria, e o que mais pesa no orçamento é a mão de obra e os salários dos funcionários”, afirma.
No último ano, o valor médio do condomínio no Estado ficou em R$ 725, o equivalente a 47,7% do salário mínimo vigente em 2025 (R$ 1.518). Já na comparação com o mínimo atual (R$ 1.621), esse valor representa 44,7%.
De acordo com o diretor, o aumento das taxas pode levar os condomínios a adotarem medidas para reduzir custos, como a substituição de mão de obra por soluções tecnológicas, a exemplo das portarias digitais, além da reavaliação de despesas e possíveis cortes. No entanto, ele alerta que essas decisões podem comprometer a conservação dos edifícios. “Com isso, o prédio pode ficar sem manutenção, o que pode provocar infiltrações e até problemas estruturais”, destaca.
Inadimplência
Apesar da pressão sobre as taxas, a inadimplência no Espírito Santo encerrou 2025 em 3,69%, abaixo da média nacional, que foi de 6,28%, e com queda de 0,70 ponto porcentual em relação a 2024.
Ainda assim, Glauco ressalta que novos reajustes podem impactar o orçamento das famílias. “Quando a pessoa já conta com aquele valor fixo no orçamento e o condomínio aumenta, ela pode começar a deixar de pagar”, explica.

