Movimentação deve alcançar R$ 71,9 milhões, impulsionada por renda maior, turismo e consumo mais diversificado no feriado
Por Letícia Arcanjo
A Páscoa deve movimentar cerca de R$ 71,9 milhões no comércio do Espírito Santo, alta de 3,1% em relação ao mesmo período do último ano, quando as vendas somaram R$ 69,3 milhões. O resultado confirma o segundo ano consecutivo de crescimento do varejo no período.
A projeção é do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em entrevista à ES Brasil, o economista do Corecon-ES, Claudeci Neto, explica que o avanço está ligado ao cenário econômico do Estado, marcado pelo aumento da massa salarial e por recordes registrados em 2025. “A população ocupada está maior e o rendimento médio também. Isso amplia a massa salarial e, consequentemente, o orçamento das famílias”, afirma.
O economista explica que apesar da alta no consumo, o comportamento do consumidor está mudando. O consumo está mais qualificado e não se resume apenas ao chocolate, e passou a envolver outros produtros e experiências. Entre os itens mais procurados no Estado estão o bacalhau e os ingredientes da tradicional torta capixaba, típicos da ceia do período.
Claudeci ressalta ainda que a Páscoa mantém seu caráter de confraternização, mesmo com mudanças culturais. Com isso, a data está ligada ao encontro em familia e à viagens. Nesse contexto, o turismo capixaba também ganha relevância. “O Espírito Santo tem forte vocação turística, e isso amplia o consumo, especialmente em alimentação, com a chegada de visitantes durante o feriado”, completa.
A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) divulgou levantamento que estima aumento de 10% no volume de consumo no setor supermercadista durante a Páscoa.
O avanço é impulsionado pela procura por produtos típicos da data e pelo encarecimento do cacau no mercado internacional. Fatores como restrições recentes às importações de países produtores, como a Costa do Marfim, têm pressionado os custos da indústria e contribuído para a elevação dos preços dos chocolates no Brasil.

