Imagem, música e pedaladas para refletir

Foto: renato Cabrini / Next Editorial

Vitória e Vila Velha recebem mostra nacional de mobilidade urbana

Trânsito intenso, transporte público lotado, distâncias longas, rotas alternativas escassas, risco de acidente elevado e poluição excessiva. Um dos principais desafios urbanos está em trazer para o dia a dia da população mobilidade e humanização, segurança e bem-estar social. E as soluções para as cidades – que ganham um número crescente de novas denominações: inteligentes, inclusivas, resilientes, sustentáveis, digitais, saudáveis ou empreendedoras – envolvem a criação de alternativas de deslocamentos. Mas para onde a gente se movimenta? Para onde se movimenta a cidade? Somos conscientes sobre como nos movimentamos e sobre o que mobilizamos no lugar onde moramos? Como fazemos isso?

Para debater essas questões e, principalmente, incentivar a quebra de paradigmas, surgiu o MoV.Cidade, um projeto cultural que integra reflexão e experiências das pessoas com o local onde vivem. Após ser promovido no sul do Estado e nas montanhas capixabas, o Cine.Ema – Festival de Cinema Ambiental do Espírito Santo ganhou vez e voz na Grande Vitória, por meio de mostras audiovisuais, painéis, performances, música e pedalada.

Intervenções, realizadas gratuitamente nos dias 14 e 15 de dezembro em Vitória (no auditório da Rede Gazeta) e em Vila Velha foram divididas em duas etapas, “ciclos” e “rua”, que compreenderam, respectivamente, atividades de painéis reflexivos e artísticas.

O Mov.Cidade é um projeto cultural que integra reflexão e experiências das pessoas com o local onde vivem. – Foto: Renato Cabrini / Next Editorial

O MoV.Cidade instiga soluções cotidianas urbanas, influenciando um novo conceito de viver em sociedade. “Já vínhamos fazendo atividades de cinema ambiental no interior e achamos ser o momento de aproveitar esse gancho para discutir mobilidade urbana na Grande Vitória, no contexto da sustentabilidade, utilizando o cinema. Com seus sete municípios e extensa produção comercial, industrial e de prestação de serviços, a região atrai cada vez mais pessoas à procura de emprego e habitação. A partir da defesa da qualidade dos espaços urbanos para a convivência social, o projeto provoca uma reflexão sobre um modelo de transporte não mais baseado no automóvel, mas centrado no ser humano. Um modelo com foco na segurança, na boa convivência e na integração intermodal”, explica o realizador do evento, Léo Alves, da Caju Produções.

Ao todo, foram exibidos nove filmes de documentário e animação que refletem de forma bem criativa a relação da mobilidade urbana, sendo três dessas obras produzidas no Espírito Santo. Qualidades da poética, da narrativa e da reflexão proposta integraram a lista dos critérios de seleção.

A força das bikes

A bicicleta é hoje uma das principais alternativas para a fluidez do trânsito. Além do pouco espaço que ocupa para estacionar e da infraestrutura de baixíssimo custo em comparação com os demais meios de transporte, não gera gases poluentes, nem os que provocam efeito estufa, e não cria ruído e impacto.

Os benefícios das “magrelas” não param por aí. Sobre as duas rodas, é possível combater o sedentarismo, um dos vilões do mundo moderno, rendendo-se a uma atividade física que faz bem à saúde, mantém a forma e traz disposição e bom humor.  Por isso as bikes não poderiam ficar de fora do MoV.C. No dia 15 de dezembro, ciclistas se reuniram para uma “Volta ao Morro do Moreno”. A ideia foi chamar atenção para as vantagens – para as cidades e as pessoas – em utilizar o veículo para os deslocamentos.

“A bicicleta é a melhor forma de ver e viver a cidade. Por motivos básicos – tempo, economia, sustentabilidade –, suas vantagens são claras: melhoria do trânsito nas cidades e preservação do meio ambiente, pois não produz ruído nem gás danoso à saúde.
E também uma excelente atividade física. Por isso, foi eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o meio de transporte mais sustentável do planeta”, destaca a pedagoga Luciene Gozzer, do coletivo “Mais Magrelas”, um dos organizadores da ação.

“A bicicleta também é veículo de inclusão. Potencializa a capacidade do mais pobre em alcançar muitas áreas da cidade. Ela e tudo que a acompanha são instrumentos de combate à desigualdade e de democratização da cidade. Quando adotada e valorizada por políticas públicas, faz parte da justiça espacial. É um símbolo de luta. Veículo querido, que transforma a vida das pessoas e ajuda-as a transformarem tudo que as cercam”, acrescenta o cientista social Luiz Gustavo Glaber.

O Bike VV é o sistema de bicicletas compartilhadas patrocinada pela Samp e, parceria com o Banestes. – Foto: Renato Cabrini / Next Editorial

A Samp, em parceria com o Banestes, é patrocinadora do Bike VV, inaugurado no dia 9 de março deste ano. O sistema de bicicletas compartilhadas tem 20 estações com 10 unidades cada uma. Os ciclistas podem retirá-las, utilizá-las por até uma hora e devolvê-las em qualquer um desse terminais. Passados 15 minutos, é permitido pegar outra bike. Há opções de pagamentos anuais (R$ 67), mensais (R$ 10,50) ou diários (R$ 5,40), efetivados com cartão de crédito por meio do aplicativo ou do site do serviço.

Nos sete primeiros meses de funcionamento, foram 417.250 viagens concluídas e mais de  27 mil pessoas cadastradas. O sistema já conta, ainda, com bikes adaptadas para ciclistas portadores de deficiência, com dois lugares.

 

A matéria acima é uma republicação da Revista Samp. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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