Henrique de Novaes

A via abriga um dos prédios do Ministério Público Estadual e também a Defensoria Pública do Espírito Santo

A via abriga um dos prédios do Ministério Público Estadual e também a Defensoria Pública do Espírito Santo

Henrique de Novaes veio à luz no município de Cachoeiro de Itapemirim no dia 16 de agosto de 1884, filho do médico Manoel Leite de Novaes Mello e de Bárbara de Moraes Mello. É um dos irmãos que nasceram dessa união, assim como Tereza, Theonila, João, Maria José, Benvindo, 2º Theonila, Maria Stella e 2º Benvindo. Cinco deles morreram na infância, o que explica a repetição de nomes entre si.

O destino usou linhas travessas para que o Espírito Santo pudesse contar com o talento invulgar de Henrique de Novaes. Seu pai, depois de se formar em Medicina no ano de 1872 pela Faculdade da Bahia, preparava-se com malas prontas para viajar rumo ao Rio de Janeiro, onde iria exercer sua profissão. Foi então que leu quase acidentalmente um anúncio da “Agenda Official de Colonização” e mudou seu futuro, assinando contrato para atuar como médico na Colônia do Rio Novo, no Espírito Santo. Em Cachoeiro de Itapemirim, em 2 de março de 1878 casou-se com Maria Bárbara de Sousa, filha do capitão Francisco de Sousa Monteiro e de Henriqueta Rios de Sousa, estabelecendo assim uma relação duradoura com o Estado.

Ao fim da Rua Henrique Novaes, o histórico prédio da Casa Porto

Os pais de Henrique de Novaes pretendiam fazê-lo médico, mas o jovem tinha ideia própria e decidiu estudar Engenharia. Aos 13 anos de idade, iniciou sua preparação para admissão ao Curso Fundamental da Escola Politécnica no Rio de Janeiro, instituto que, segundo Saturnino de Brito Filho, formava engenheiros civis enciclopédicos. Concluiu a primeira fase do curso em 1903, com o título de engenheiro geográfico, e em 1906, como doutor em Ciências Físicas e Matemática.

Em 1905, aos 22 de idade, conheceu em Cachoeiro Carmo Alves Silva, com 16. Casaram-se no dia 16 de abril do ano seguinte. Tiveram três filhos: Zita de Novaes Azevedo, Zélia de Novaes Schwab e Zilda.

A cidade de Vitória tem muitas das conquistas em sua área urbana umbilicalmente ligadas à ação de Henrique Novaes. Foi ele um dos planejadores da expansão, remodelação e melhoria da capital, onde atuou como engenheiro e como urbanista na Diretoria de Obras.

Como prefeito municipal, cargo ao qual foi conduzido por seu tio Bernardino Monteiro, coordenou entre 24 de maio de 1916 e 5 de janeiro de 1920 o Plano Geral da Cidade.

Henrique de Novaes (acervo do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro) (16/8/1884 a 3/4/1950)

Em 1917, durante uma viagem à África, emocionado com o que vira e deslumbrado com a filosofia que orientou a construção da Catedral que visitara em Dakar, desenvolveu um projeto arquitetônico para a Catedral Metropolitana de Vitória. Impressionado, ele próprio relatou: “O gosto arquitetural, a simplicidade, a ordem interna e acima de tudo a emocionante aliança de fé e patriotismo que se traduzem na legenda dourada que lhe ensina a fachada: A ses morts d’Afrique la France reconaissante”.

(Nota do autor: as autoridades eclesiásticas de Vitória vetaram o projeto, a que chamaram de “uma igreja de concreto armado”.)

Quando prefeito de Vitória, Henrique de Novaes levantou a planta cadastral da cidade e propôs a criação do Imposto Territorial Urbano, em substituição ao Imposto Predial e à taxa mobiliária.

Durante o governo de Bernardino Monteiro, projetou e executou as estradas entre Santa Leopoldina e Santa Teresa e entre Castelo e Muniz Freire.

Na década de 1940, interrompeu o segundo período como prefeito de Vitória para ocupar uma cadeira de senador da República pelo Espírito Santo (1946-1950). Não cumpriu todo o mandato, falecendo de trombose no Rio de Janeiro, no dia 03 de abril de 1950. Tinha Sessenta e cinco ano de idade.

Henrique de Novaes deixou para as gerações que o sucederiam uma mensagem que não pode ser esquecida e que nestes nossos conturbados tempos soa como um alerta não ouvido: “Passam os tempos, e os homens são mais ou menos os mesmos, nos seus processos, nas suas artimanhas […]”.

Copidesque: Rubens Pontes.


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