A tecnologia disruptiva e como ela irá mudar sua vida e seu negócio

De tempos em tempos, transformações agudas rearranjam toda a sociedade. As mudanças vão acontecendo, novos hábitos de consumo são incorporados e as pessoas não conseguem imaginar como viviam as gerações passadas sem as novas tecnologias. Quando digo para minhas filhas que em boa parte da minha juventude não existia celular e nem internet, elas me questionam como eu conseguia viver.

Atualmente, estamos vivendo, talvez, um dos mais revolucionários momentos de mudança nos nossos hábitos de consumo e também nas empresas. A tecnologia e a comunicação são os gatilhos dessas mudanças e provocam avanços sem volta, além de novos paradigmas para serem superados. O que dava certo antes já não funciona mais.

Um fantasma bem assustador chamado “tecnologia disruptiva” vem tirando o sono de muitos executivos e empresários. A tendência vem redefinindo e aniquilando setores e negócios tradicionais da economia do dia para a noite, mudando completamente o modelo de fazer negócios ou de prestar determinados serviços.

As tecnologias disruptivas são aquelas que destroem algum produto ou serviço existente, atendendo às mesmas exigências dos clientes com diferenças bastante significativas, utilizando algo completamente diferente e novo. O exemplo clássico de tecnologia disruptiva é a máquina fotográfica digital em relação à máquina fotográfica tradicional, com filme e revelação.

Outro exemplo pode ser visto no Uber, aplicativo usado em mais de 300 cidades pelo mundo, que coloca clientes e motoristas em contato, diminuindo o tempo de espera e o preço do transporte urbano. Mesmo sem propaganda, o serviço tornou tão popular que abalou os serviços de taxi tradicionais. Recentemente, na França, os diretores do Uber foram presos acusados de prática de serviços ilegais. Em São Paulo houve greves de taxistas para impedir que o Uber continue a funcionar, mas, o processo é irreversível. Não conseguimos controlar, e sim, regulamentar.

O mesmo está acontecendo com o aplicativo Airbnb, que facilita o aluguel de acomodações de anfitriões locais em mais de 190 países, aproximando o inquilino do dono do imóvel, de maneira simples e ágil. Esta tecnologia já está desconcertando o modelo de negócio dos hotéis e pousadas em várias cidades do mundo. O que então dizer dos aplicativos Spotify e Deezer, que estão revolucionando a maneira de ouvir e consumir músicas, deixando rapidamente obsoletos vários produtos de reprodução musical?

No entanto, algumas premissas são imutáveis. Todo produto ou serviço disponível no mercado só existe porque é solução para o problema de alguém: o consumidor. Se um novo produto ou serviço é lançado e o consumidor percebe que ele é melhor que o antigo, rapidamente vê o antigo como obsoleto e migra para o novo, sem remorsos. Por isso, as empresas são obrigadas a mudar e se reinventar constantemente se quiserem permanecer vivas.

O fato é que a ruptura é veloz e inevitável. Sem que possamos resistir, as tecnologias e novas tendências do cotidiano vão mudar a forma como vivemos, trabalhamos e nos divertimos. Vivemos em um mundo cada vez mais volátil, complexo e ambíguo e ser visionário fará toda a diferença para crescer e se diferenciar em qualquer contexto, seja na era dos negócios voltados para era digital ou para os negócios tradicionais de diferentes setores da economia. Se não conseguimos resistir às mudanças, adaptemos a elas.

Eduardo Couto é economista e presidente da empresa de Tecnologia de Informação TOTVS no Espírito Santo e no Norte Fluminense.

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