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A importância da reabilitação pós-AVC

Reabilitação pode ajudar a recuperar funções perdidas. O 1º passo é fazer a avaliação neurológica para identificar os tipos e a gravidade dos danos sofridos pelo AVC

Por Daniel Escobar

Uma das principais causas de mortes e internações em todo mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando há problemas nos vasos sanguíneos que alteram o fluxo de sangue no cérebro, impedindo que o órgão obtenha oxigênio e nutrientes. Como resultado, acontece rapidamente a morte de células do sistema nervoso, provocando uma lesão na região afetada.

Apesar de ser uma condição altamente prevenível, visto que 90% dos casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida, a tendência é que os números aumentem de forma considerável nos próximos anos. Um relatório produzido pela Revista Científica Lancet Neurology, em parceria com a Organização Mundial do AVC, mostrou que o número de pessoas que morrem anualmente devido à condição passará de 6,6 milhões em 2020 para 9,7 milhões em 2050, com um aumento superior em países de renda baixa e média, grupo do qual o Brasil faz parte.

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Além do alto número de óbitos, a doença pode deixar sequelas físicas ou mentais permanentes. Aproximadamente 70% das pessoas que sofreram de AVC não retornam ao trabalho devido às sequelas, e 50% ficam dependentes no dia a dia, com impactos familiares, sociais e até econômicos.

A reabilitação pode aumentar as chances de recuperação das habilidades e funções perdidas. O primeiro passo após a estabilização clínica é realizar a avaliação neurológica para identificar os tipos e a gravidade dos danos sofridos, as partes do corpo afetadas e as incapacidades apresentadas.

Com o envolvimento de uma equipe multidisciplinar, o paciente terá um plano de reabilitação personalizado para atingir a restauração funcional, a reintegração familiar e social, além da recuperação da qualidade de vida. Em pacientes com sequelas mais graves como fraqueza, perda de sensibilidade, perda visual ou dificuldade para se comunicar, serão trabalhadas habilidades para manter seu bem-estar. Além disso, a reabilitação pode auxiliar no aprendizado de novas maneiras de compensar deficiências remanescentes.

De acordo com o “Índice de independência funcional de pacientes pós-AVC submetidos a um programa de reabilitação multiprofissional”, os pacientes acompanhados por um programa têm ganho de autonomia no autocuidado e na realização de atividades, com potencial de resgate da independência e da qualidade de vida.

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Já o Estudo de Mortalidade e Morbidade do AVC (EMMA), derivado de 12 anos de acompanhamento de pacientes, observou que a mortalidade é muito alta nas pessoas com comorbidades que não fazem reabilitação de fonoaudiologia e fisioterapia, devido a um risco maior de broncoaspiração e de morrer de complicações infecciosas, como pneumonia aspirativa, por exemplo. Por outro lado, os resultados demonstram a importância de investimentos em fisioterapia e reabilitação para os indivíduos que sofreram acidentes vasculares, uma vez que eles podem viver mais e sem sequelas.

O que todos precisamos entender é que o AVC modifica não só a vida do paciente, mas da família. Porém, existe vida após a doença. Cada pessoa conseguirá se recuperar de uma maneira, considerando a gravidade do AVC, mas é possível minimizar as incapacidades. Não aceite as sequelas como algo normal. Busque medidas adequadas de reabilitação. A recuperação pode não ser completa, mas sempre vai trazer mais qualidade de vida ao paciente.

Daniel Escobar é Neurologista.

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