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Tragédia de Mariana: Unesco participará da recuperação

Entre as ações está monitoramento da água do Rio Doce e de seus afluentes de acordo com padrões internacionais

A Fundação Renova e a Representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) assinaram o projeto de cooperação técnica internacional “Construção da paz e do diálogo para o desenvolvimento sustentável das regiões atingidas pela barragem de Fundão: fortalecendo a capacidade institucional e de implementação de ações da Fundação Renova”. A assinatura ocorreu na sede escritório da Unesco no Brasil, em Brasília, na última quinta-feira.

Com duração prevista de três anos, o projeto tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável – social, ambiental e econômico – das regiões atingidas pelo rompimento de Fundão, barragem de rejeito de minério localizada no município de Mariana (MG), ocorrido no dia cinco de novembro de 2015.

A falta de água potável, a perda de casas, empresas, animais e plantações, bem como a suspensão da pesca, estão entre os principais danos diretos causados ao longo dos 670 quilômetros do rio Doce e seus afluentes até́ alcançarem o mar. Ao todo, 39 municípios foram impactados.

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“É com grande satisfação que a Unesco no Brasil firma esse acordo de cooperação técnica internacional com a Fundação Renova. Entendemos que os desafios relacionados à reparação da tragédia de Mariana envolvem um arranjo no qual a Unesco, com seu quadro técnico multidisciplinar, pode aportar experiências e buscar soluções relevantes e inovadoras. Pelo nosso mandato transversal em assuntos ligados ao patrimônio cultural, à gestão de recursos hídricos e aos direitos humanos, buscaremos contribuir com as ações já em curso promovidas pela Fundação Renova”, destaca a diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.

O diretor-presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, afirma que “a parceria com a Unesco representa o fortalecimento de uma rede voltada para a reparação e contribuição para o desenvolvimento futuro da bacia do Rio Doce. A Fundação Renova tem o papel de mobilizar diversas organizações e a comunidade para esse desafio, trabalhando em conjunto para que as soluções e resultados sejam muito mais potentes. Nesse sentido, a Unesco representa um manancial de conhecimento imenso, que vai além do componente científico e material, mas que também traz para a agenda da reparação uma abordagem do lado humano, da cultura, da história e das memórias.”

A Fundação Renova tem a responsabilidade de implementar e sistematizar ações estratégicas em programas de reparação e compensação – voltados para as comunidades atingidas pelo desastre – aos danos humanos, materiais e ambientais causados pelo evento.

Essa tarefa reveste-se de ampla complexidade dadas a extensão territorial e a dimensão da tragédia. O volume de rejeitos, o caminho que percorreu e as diferentes maneiras em que se espalhou tornaram-se um desafio complexo, sem precedentes em termos de escala, tempo e conhecimento.

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Soluções para esse contexto complexo exigem amplo arranjo institucional envolvendo o poder público, a sociedade civil, o setor privado e as comunidades atingidas. Nesse sentido, a cooperação com a Unesco no Brasil busca ampliar a capacidade institucional e de gestão da Fundação na realização de ações e programas já em curso com foco na construção da cultura de paz e do diálogo, por meio da educação, das ciências e da cultura.

Trata-se, portanto, de um projeto que envolve três diferentes áreas de mandato da Unesco – ciências humanas e sociais, cultura e ciências naturais – na busca por soluções integradas para os problemas vividos pelas populações atingidas pelo rompimento da barragem.

O projeto envolve ações com vistas a apoiar o desenvolvimento e o fortalecimento institucional da Fundação Renova; fomentar o desenvolvimento sustentável da região com base no respeito aos direitos humanos; monitorar a água do Rio Doce de forma participativa e com padrões internacionais; promover a gestão integrada dos recursos hídricos e dos ecossistemas terrestres, aquáticos e costeiros.

*Da redação com informações da Fundação Renova

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