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quinta-feira, 21 janeiro, 2021

Tecnologia inédita e portátil de reúso de água

Máquina que transforma o esgoto em água potável foi criada em Curitiba e o Espírito Santo será o primeiro Estado a comercializá-la

O conceito de reúso de água se tornou conhecido por todos, por ser uma das práticas mais adotadas para sua reciclagem, transformando o esgoto novamente em água disponível para o consumo. Tradicionalmente, as estações de tratamento de esgoto (ETE) são grandes complexos, que demandam um investimento expressivo e ocupam grandes espaços, sendo viáveis apenas para indústrias de grande porte.

Os amigos Magnus Arantes e Fábio Brejão tiveram uma grande ideia que poderia salvar a cidade de São Paulo da grande seca registrada em 2014. Para isso, desenvolveram um estudo mais a fundo sobre as suas possibilidades.

Foi assim que nasceu a Elysium S7, uma família de máquinas compactas e portáteis capazes de tratar até 80% do efluente onde está instalada. A máquina de produção de água, como é chamada, é uma tecnologia inédita que tem por objetivo se dedicar ao reaproveitamento deste recurso.

Por meio de um processo que combina diferentes tecnologias, que são a remoção da carga orgânica, onde há o beneficiamento biológico, filtração e a esterilização, que busca matar as bactérias presentes, entrega-se uma água com qualidade similar, ou até melhor, do que a das torneiras de casa.

Foto: Divulgação

Dentre os diferenciais da máquina, que será trazida ao Espírito Santo em uma parceria da Waterfarm, sua idealizadora, com a capixaba TechHunters, está a facilidade de instalação, já que ela sai pronta da fábrica e é transportada por meio de um caminhão até o seu destino.

São sete versões, que variam do menor para o maior, sendo que a versão mais simples, capaz de tratar até dois mil litros de água por hora, ocupa um espaço de 5m x 2,5m e precisa apenas estar acoplada a duas caixas d’água – uma para receber o esgoto e outra para transportar a água limpa. A maior é capaz de processar até 10 mil litros por hora. Vale destacar que, por usar um motor simples em sua operação, o gasto de energia é praticamente irrisório em relação ao seu benefício.

Sendo assim, a tecnologia torna acessível o tratamento de esgoto e o reúso dessa água não só para grandes indústrias, sendo possível a sua instalação para os mais diferentes tipos de uso. “Nossa máquina não é para uso individual. Ela passa a ser economicamente viável a partir de locais com 100 residências ou um prédio comercial onde circule a partir de 300 a 400 pessoas por dia. Isso vale para shoppings centers ou condomínio comercial. Vale também para um condomínio de casas, desde que tenha todo esgoto coletado e destinado a um mesmo lugar. Além disso, atende a todo e qualquer processo industrial, pois consome água e, sem dúvidas, em um volume muito maior do que o mínimo necessário”, conta Magnus.

Tecnologia e automação

Para garantir o funcionamento pleno da Elysium S7, a Waterfarm desenvolveu uma tecnologia embarcada capaz de dar toda a autonomia para que a máquina trabalhe de forma inteligente no dia a dia. Durante a pesquisa para o seu desenvolvimento, tecnologias já desenvolvidas em países como Itália, Israel, Alemanha e EUA foram estudadas.

O resultado é um sistema todo eletrônico e sensoriado onde, a partir do painel de controle, pode se saber como a máquina está se comportando. Além disso, ela possui um processo de autolavagem, sendo necessária a intervenção humana somente em períodos para fazer a manutenção dos consumíveis.

“Seus sensores conseguem entender qual a qualidade do esgoto que está entrando e a qualidade da água que está saindo. Se o produto final não estiver dentro da qualidade desejada, a máquina rejeita e realiza novamente o processo de reciclagem. Isso pode reduzir a produção, porém não há possibilidade de ela entregar algo impróprio para uso. Desenvolvemos uma tecnologia eletrônica embarcada muito pesada, onde todo funcionamento é computadorizado e segue rotinas pré-estabelecidas, sabendo sempre se há esgoto ou não para tratar, o que já foi produzido, entre outros detalhes”, acrescenta Magnus.

Tipos de destinação

Apesar de ter a sua qualidade comprovadamente igual ou superior às que saem em nossas torneiras, a água de reúso ainda enfrenta uma legislação que impede o seu consumo humano. Porém, essa modalidade representa apenas cerca de 3% do gasto registrado. O grosso são processos como sanitário, industrial e irrigação. Para todos esses a água é liberada para uso.

“Existem grandes produtoras de água reciclável, que possuem estações enormes de produção de água. Em algumas usinas, como em siderúrgicas, existem empresas que fazem esse tratamento. O que a gente tem é um processo compacto, modular e que pode ser instalado em qualquer lugar. Fábrica, condomínio, onde for. A partir do momento que você consegue reaproveitar, você garante ter água a partir do seu próprio consumo”, reforça Magnus Arantes.

Qualidade da água

Durante 6 meses, a equipe da WaterFarm, junto a TechHunters, responsável por trazer e comercializar a máquina no Espírito Santo, realizou testes de qualidade em uma estação de tratamento de esgoto da Cesan. O processo consistiu na colocação da tecnologia onde fica instalada uma grande piscina, que recebe milhares de litros de esgoto diariamente, e a destinação de parte desse esgoto para a realização do processo de tratamento da máquina.

O resultado final foi a liberação de um laudo da agência que atesta a qualidade da água de reúso produzida pelo produto da Waterfarm, corroborando com a narrativa proposta pela empresa e dando o aval necessário para sua comercialização no Espírito Santo.

“Nos tornamos parceiros há cerca de um ano, quando conheci o idealizador desse projeto e conversei com ele a respeito da crise hídrica que viveu o Espírito Santo nos últimos anos. Entendemos que a máquina que eles ainda estavam desenvolvendo na época era um produto que poderia revolucionar todo o mercado de reaproveitamento de água e que o Estado receberia essa tecnologia de portas abertas. O atestado de qualidade fornecido pela Cesan comprova essa narrativa que adotamos ao confiar nos frutos que poderiam ser colhidos por essa parceria”, conclui Corbélio Guaitolini Junior, um dos sócio-fundadores da TechHunters.

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