Aumento da taxa de juros e o atraso na votação do Orçamento da União prejudicam linhas de crédito do Plano Safra
Por Kikina Sessa
Investimentos na compra de máquinas, armazéns e sistemas de inovação para propriedades rurais podem sofrer impacto com a suspensão das linhas de crédito disponíveis no Plano Safra do governo federal.
O motivo da suspensão, segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), é o aumento da taxa Selic de 10,50% em julho de 2024 para 13,25% em janeiro de 2025, e também o atraso na aprovação do Orçamento de 2025 pelo Congresso.
Essa incerteza e insegurança podem prejudicar produtores rurais no Espírito Santo, principalmente os que assumem compromissos antes mesmo de conseguir o crédito, comentou o presidente da Federação da Agricultura no Estado (Faes), Júlio Rocha. “Orientamos o produtor a não ficar na dependência do crédito para tocar os seus negócios”, disse o presidente.
A Faes tem instruído os produtores a conhecer melhor a modalidade de seguro. Segundo Rocha, entre os grandes produtores, o índice chega a 70% das produções agrícolas seguradas. Já entre os pequenos, está na faixa dos 10%. Essa cobertura do seguro é mais atraente para o produtor, principalmente devido à intempéries, afirmou.
Governo prepara Medida Provisória
Em resposta à crise, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a liberação de R$ 4 bilhões em crédito extraordinário para destravar as linhas de financiamento do Plano Safra.
A medida visa garantir a continuidade do apoio financeiro aos produtores rurais, especialmente em um momento crítico para o setor, que enfrenta desafios como a alta da taxa Selic e o aumento dos custos de produção.
O crédito extraordinário será disponibilizado por meio de uma Medida Provisória, que deve ser publicada ainda nesta semana.

