Celulose, rochas e minério estão na lista de exceções do tarifaço e ficam de fora da tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, imposta pelo governo americano
Por Kikina Sessa
Três setores importantes na pauta de exportações do Espírito Santo para os Estados Unidos, celulose, rochas e minério de ferro, foram beneficiados na lista de exceções divulgada pelo governo americano ao assinar, nesta quarta-feira (30), o decreto que oficializa a imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre as exportações brasileiras, somando-se aos 10% já vigentes e elevando a alíquota total para 50%.
A informação chegou justamente no momento em que o Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação, do governo estadual, estava reunido com o setor industrial capixaba.
Coordenador do comitê, o vice-governador Ricardo Ferraço comentou que os clientes dos produtos brasileiros e capixabas estão se movimentando muito para mostrar ao governo americano que a medida não causa impacto apenas na nossa economia, mas causa impacto também no dia a dia dos americanos.
“Minha expectativa é que também entre na lista a importação de café, o que vai trazer um grande alívio para a economia capixaba. Mas temos preocupações com gengibre, pescado. Enfim, vamos continuar atentos, trabalhando e conversando muito com o setor empreendedor capixaba”, disse o vice-governador.
A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) recebeu com alívio a confirmação de que a nomenclatura de um dos principais produtos exportados pelo setor: ‘Pedra monumental ou para construção, trabalhada, n.e.’ foi incluída na lista de isenções da tarifa.
A isenção representa uma vitória parcial para o setor de rochas naturais, cuja principal pauta de exportação para os Estados Unidos se enquadra nesta nomenclatura. O segmento tem nos EUA seu principal mercado, representando mais de 56% de todas as exportações brasileiras de rochas.
“O anúncio da isenção da nossa principal NCM traz um importante alívio ao setor, mas seguimos vigilantes. Nossa agenda em Washington está mantida para reforçar institucionalmente o pleito da inclusão de todas as rochas naturais e garantir segurança jurídica e previsibilidade às nossas operações internacionais”, afirma Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas.
Prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira, dia 1º de agosto de 2025, a medida foi prorrogada para o dia 6 de agosto de 2025. De acordo com a lista de exceções, produtos que já estavam em trânsito antes da entrada em vigor da ordem — desde que cheguem aos EUA até 5 de outubro — não serão afetados pela nova tarifa.
Próximos passos
Os próximos passos do Comitê é continuar trabalhando firmemente, frisou Ferraço. “Nós estamos em atenção permanente buscando informação e buscando por certo atenuar todo esse processo. Uma das ações que nós consideramos é que, caso de fato isso se consolide, a empresa exportadora possa ter como utilizar parte do crédito de ICMS acumulado.”
No entanto, o governo estadual pretende colocar como contrapartida para a liberação do crédito que a empresa mantenha o nível de emprego e ocupação dos capixabas.
Indústria
No encontro com o setor industrial capixaba, o presidente da Federação das Indústrias (Findes), Paulo Baraona, apresentou um estudo do Observatório Findes que sugere que a atividade econômica do Espírito Santo poderá perder fôlego no ritmo de crescimento caso o tarifaço se mantenha.
Após dois anos de crescimento consecutivos, com expansão de 2,6% em 2024 e de 4,7% em 2023, para 2025 as perspectivas são de cautela.
Devido ao alto grau de abertura comercial da economia capixaba, a atividade econômica do estado caracteriza-se pela maior suscetibilidade às movimentações que ocorrem no comércio exterior. Quando o comércio exterior (exportação e importação) cresce, o PIB do estado tende a crescer. Quando as transações comerciais caem, a economia do estado tende a cair.
O levantamento mostra que 72,6% das exportações capixabas para os EUA são placas de aço, celulose, rochas naturais e minério de ferro.

