Levantamento mostra que em 2024 o ES exportou 74 dos 694 produtos da lista de isentos da tarifa adicional imposta por Trump, representando 47,1% das exportações capixabas
Por Kikina Sessa
Levantamento feito pelo Observatório Findes mostra que em 2024 o Espírito Santo exportou 74 dos 694 produtos da lista de isentos da tarifa adicional imposta pelo governo americano. Essas exceções representaram 47,1% do total comercializado com os Estados Unidos.
Entre os itens produzidos no Estado que entraram na lista de produtos com menor taxação estão pedras de cantaria, celulose, minério de ferro e ferro fundido. Já aço, granitos trabalhados, mármores, travertinos, café e produtos de café ficaram de fora da lista de exceções. Vale lembrar que as tarifas aos produtos de aço e de alumínio, que atualmente somam 50%, estão mantidas e seguem outro decreto anterior.
Na quarta-feira (30), o governo americano divulgou a lista de produtos brasileiros excluídos da nova tarifa, que será de 40% a ser adicionada aos 10% anteriormente anunciados – somando assim 50% –, a entrar em vigor em 6 de agosto de 2025. A notícia trouxe alívio para parte dos industriais capixabas, porém, ainda está longe do cenário ideal, já que todos os produtos brasileiros serão taxados, os itens contemplados na lista serão em 10% e os demais em 50%.
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) defende a ampliação do diálogo e da negociação com o governo dos EUA para proteger os interesses da economia capixaba e nacional. Os Estados Unidos são um importante parceiro comercial e o principal destino das exportações do Espírito Santo, representando 28,6% das exportações do Estado em 2024.
“A indústria capixaba vem enfrentando sérios desafios desde o anúncio da tarifa (9 de julho). Uma pesquisa primária, sem caráter amostral, realizada pelo Observatório Findes entre 21 e 29 de julho mostrou que 81% das empresas respondentes, majoritariamente do setor de rochas ornamentais, tiveram exportações aos EUA suspensas ou canceladas. Também relataram aumentos nos preços de exportação, dificuldades logísticas, variações cambiais, atrasos e elevação de custos operacionais”, comenta o presidente da Findes, Paulo Baraona.
A Findes entende que o tarifaço dos EUA representa um novo “choque econômico” mundial, agravado por um cenário global cada vez mais protecionista.
“Porém, agora, mais do que nunca, é preciso pensar no que vem a seguir e a articulação estratégica para mitigar os efeitos sobre a economia local será fundamental nesse processo. A Federação seguirá, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e com o Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação, atuando para reduzir ou, até mesmo, reverter os impactos da taxação sobre os produtos capixabas não contemplados na lista das exceções”, conclui Baraona.

