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Setembro Amarelo incentiva escuta ativa e acolhimento

A campanha Setembro Amarelo ressalta a importância de identificar sinais de alerta e buscar ajuda médica para prevenir o suicídio

Por Amanda Amaral

Esta quarta-feira (10) é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data integra a campanha Setembro Amarelo, que chama atenção para ações voltadas para a saúde mental e para a conscientização sobre a importância da valorização da vida. Este ano o lema é “Se precisar, peça ajuda”. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) informam que 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, são cerca de 14 mil casos anuais. Mas quais manifestações de sofrimento podem ser observadas visando a evitar mais perdas?

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Sinais

Psicanalista e especialista em comportamento humano, Joseana Sousa explica que, embora cada caso seja único, há sinais que se repetem. “Em muitos casos, a pessoa comunica de forma indireta seu desejo de desistir, seja em frases soltas, seja em atitudes que demonstram despedida”, diz.

São sinais, por exemplo, as mudanças bruscas de humor ou comportamento, falas recorrentes sobre morte ou falta de sentido para viver, desespero, isolamento e perda de interesse em atividades antes prazerosas, alterações no sono ou no apetite, uso excessivo de álcool ou drogas e descuido com a aparência ou higiene pessoal.

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Causas

Para Joseana, esse é um processo que pode ser alimentado por fatores como dívidas, traição, alcoolismo, isolamento social e, sobretudo, a sensação de não ser levado a sério ou não encontrar saída para o sofrimento. Atualmente, a constante exposição.

Joseana Souza é psicanalista e especialista em comportamento humano. Foto: Divulgação
Joseana Souza é psicanalista e especialista em comportamento humano. Foto: Divulgação

“A chamada ‘comparação social’, intensificada pelas redes digitais, vem sendo considerada um dos grandes males do século. A constante comparação com vidas aparentemente perfeitas pode aprofundar sentimentos de inadequação e desesperança”, afirma. A psicanalista destaca ainda que existe um aumento de casos ao final do mês de setembro. “Isso porque histórias de suicídio tendem a influenciar outras pessoas em estado vulnerável, um fenômeno chamado de “efeito contágio”, mas é muito importante quebrar o estigma e falar de forma franca e sensível sobre o assunto, pois é conscientizando que podemos criar uma sociedade inclusiva e que abraça o outro em suas dificuldades”, reforça.

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Adolescentes 

Na cabeça de um adolescente, o mundo pode se tornar um lugar caótico. Mudanças no corpo, crises de identidade, cobranças escolares, expectativas sociais, bullying e a pressão das redes sociais formam uma tempestade emocional que, sem acolhimento, pode levar a caminhos perigosos.

A psicóloga e psicanalista Mariana Weigert de Azevedo, explica que compreender o sofrimento adolescente exige escuta sensível e sem julgamentos: “O suicídio nunca surge do nada. Ele é resultado de um acúmulo de angústias, experiências traumáticas e sentimentos de solidão. Muitas vezes, o jovem não quer exatamente morrer, mas sim acabar com uma dor que parece insuportável e que ele não consegue expressar.”

Para ela, são sinais que não devem ser ignorados: mudanças bruscas no humor ou na personalidade; isolamento repentino, evitando amigos e familiares; queda significativa no rendimento escolar ou falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas; comentários sobre morte, autodestruição ou frases como “queria desaparecer”; alterações no sono e no apetite; automutilação ou marcas inexplicáveis no corpo; e descuido extremo com a própria aparência ou higiene.

Ajuda

Os CAPS são instituições da rede municipal de saúde. Foto: Sesa/Governo do ES
Os CAPS são instituições da rede municipal de saúde. Foto: Sesa/Governo do ES

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) explica que é muito importante saber identificar se alguém está pensando em se matar e ajudar a pessoa, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos. Fala ainda que é necessário mostrar que está disponível e demonstrar empatia, além de procurar por ajuda médica. Desde 2014, a ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), divulga e reúne parceiros no Brasil inteiro com a campanha Setembro Amarelo.

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Confira os locais no Espírito Santo preparados para auxiliar: 

– Serviços de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); Unidades Básicas de Saúde (UBS´S); Programa Saúde da Família (PSF); e Postos e Centros de Saúde;

– Unidades de Emergência, ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192); 

– Unidade de Pronto Atendimento (UPA); Pronto-socorro; e hospitais;

– Centro de Valorização da Vida (CVV), total sigilo e anonimato. Contato por ligação gratuita no número 188 ou pelo endereço eletrônico www.cvv.org.br.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). 

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