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terça-feira, 16 abril, 2024

Saúde mental da mulher

Auxílio psicoterapêutico, grupos de apoio e programas de bem-estar fazem parte dos cuidados e tratamento de saúde mental e emocional

Por Lícia Colodete

Em março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Para além das flores e homenagens, muito bem-vindas, aproveitamos a data para falar também da saúde mental feminina. As conquistas alcançadas pelas mulheres nos últimos anos, um inegável avanço, trouxe inúmeros desafios que em determinados momentos e circunstâncias também se traduzem em sobrecarga e maior vulnerabilidade física e psicossocial.

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Sabemos que as mulheres parecem particularmente mais suscetíveis do que homens a alguns transtornos mentais, como a depressão. Elas têm necessidades diferentes e sofrem de maneira diferente, experimentam o tempo de maneira muito particular, seja pelas questões inerentes à biologia, seja por questões culturais, profissionais, sociofamiliares.

Há questões, portanto, que não se aplicam à realidade masculina e uma série de desafios enfrentados pelas mulheres podem impactar negativamente na sua qualidade de vida e saúde mental: a sobrecarga feminina, a jornada dupla de trabalho, a maternidade e a vida profissional.

A sobrecarga feminina refere-se ao fato de que frequentemente as mulheres são responsáveis por gerenciar a casa e a família, mesmo quando ambos os parceiros trabalham fora de casa. Muitas lidam com a organização de tarefas domésticas, administram o orçamento, os cuidados com a saúde da família, cuidam dos detalhes da vida cotidiana. A carga mental – e física – podem ser esmagadoras.

Equilibrar um emprego em tempo integral com responsabilidades domésticas e familiares pode ser especialmente difícil para as mulheres que têm filhos pequenos ou membros da família que precisam de cuidados constantes. Culturalmente – e de fato – há ainda uma enorme disparidade entre atribuições dos homens e das mulheres nas funções de cuidado. Apesar de muitos homens já participarem mais das tarefas domésticas, ainda se pesa uma certa responsabilidade moral de que “a mulher sábia edifica o lar”.

A maternidade é um aspecto extremamente importante na diferenciação dos sexos, por razões óbvias. Entretanto, o fato de possuir constituição biológica para conceber, não podemos afirmar que existe uma constituição psíquica nata para a maternidade, um fenômeno dos mais complexos do ponto de vista existencial e humano. Adequar esta responsabilidade às exigências da vida cotidiana, considerando ainda que muitas mulheres são também as provedoras de suas famílias, exige um enorme esforço físico, intelectual e emocional. Lembremos ainda que vivemos em um mundo onde a desigualdade salarial e de oportunidades de trabalho é uma vergonhosa realidade.

A vida profissional pode ser portanto um desafio extra para as mulheres. Para lidar com tamanhas exigências muitas vezes é necessário a busca por apoio e recursos, dentre os quais, eventualmente, assistência psiquiátrica adequada. O psiquiatra possui a formação e experiência necessárias para identificar os sintomas, diagnosticar possíveis enfermidades, comportamentos de risco e gravidade, com habilidade para medicar quando indicado, recomendar as terapias mais adequadas a cada caso, assim como orientar quanto a hábitos e estilo de vida.

Auxílio psicoterapêutico, grupos de apoio e programas de bem-estar fazem parte das estratégias de cuidado e de tratamento. As empresas também devem fazer sua parte para garantir que as mulheres tenham igualdade de oportunidades e apoio em suas carreiras. Ter um mês voltado para celebrar as conquistas femininas é importante e louvável. Que esta sensibilização propicie as práticas que promovem a saúde das mulheres e por extensão, de toda a sociedade.

Lícia Colodete é médica psiquiatra. Graduou-se na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam) e hoje é presidente da Associação Psiquiátrica do ES.

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