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Samarco: a retomada operacional e econômica

Expectativa é que a mineradora volte a operar com 100% da sua capacidade nos próximos dez anos

A Samarco sempre desempenhou um papel importante nas economias mineira e capixaba. Em 2015, a receita da empresa equivalia a 1,5% do PIB de Minas Gerais e 6,4% do PIB do Espírito Santo. Os impostos gerados correspondiam a 50% da receita de Anchieta, 54% da receita de Mariana e 35% da receita de Ouro Preto. Após a obtenção da Licença de Operação Corretiva (LOC), em 2019, a empresa possui todas as autoridades necessárias para retomar as atividades e estima o retorno das operações no final deste ano, após a implementação do sistema de filtragem.

Entre o período de 2016 e 2019, que compreende a paralisação operacional da mineradora, a Prefeitura de Anchieta deixou de arrecadar cerca de R$ 200 milhões em impostos. Porém, o impacto também foi sentido pelo comércio local. “Alguns comerciantes fecharam as portas e outros demitiram funcionários”, revelou o secretário da Fazenda de Anchieta, Dirceu Porto de Mattos.

Contudo, mesmo com o retorno previsto para o final de 2020, a volta operacional da mineradora é esperada por todos e já traz efeitos positivos. De acordo com dados enviados pela Prefeitura de Anchieta, a estimativa é que, no exercício de 2020, o acréscimo de Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) seja de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões.

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“A Samarco já está contratando pessoas, assim como as empresas que prestam serviço para ela. A mineradora está se preparando para deixar tudo pronto para a usina voltar a operar, o que já está trazendo um impacto positivo na arrecadação do ISSQN”, ressaltou Dirceu.

A Samarco espera reiniciar as operações de forma gradual, por meio de um concentrador, e ser capaz de produzir aproximadamente de 7 milhões a 8 milhões de toneladas por ano, após a tecnologia de filtragem.

A empresa estima que o segundo concentrador seja reiniciado em, aproximadamente, seis anos após a emissão da LOC a fim de alcançar uma produção em torno de 14 milhões a 16 milhões de toneladas por ano. A retomada do terceiro concentrador poderá ocorrer cerca de 10 anos após a emissão da LOC e alcançar um volume de produção de cerca de 22 milhões a 24 milhões de toneladas.

Novo sistema

Com o novo sistema de filtragem, será possível fazer o empilhamento de rejeitos a seco, cujas obras devem ser concluídas em um prazo aproximado de 12 meses, a contar da obtenção da LOC.

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A Samarco poderá filtrar a parte arenosa do rejeito (80% do total em volume) e empilhá-la de forma mais segura. Os 20% restantes serão depositados na Cava Alegria Sul, uma estrutura rochosa confinada, que aumenta a segurança.

Cenário

Importante polo gerador de emprego e renda no Litoral Sul do Espírito Santo, o Complexo de Ubu, localizado em Anchieta, representa 50% da receita do município. Para o retorno das atividades, a Samarco obteve a LOC no final de 2019, do Complexo de Germano, na cidade mineira de Mariana. No entanto, a empresa só deve voltar a operar no segundo semestre de 2020.

O Complexo de Germano, onde são realizados parte da mineração e beneficiamento inicial do minério de ferro, fica localizado entre os municípios de Mariana e Ouro Preto (MG), onde aconteceu o rompimento da barragem, no dia 5 de novembro de 2015. Vale lembrar que a Samarco é um empreendimento continuado, interligando por minerodutos as unidades localizadas em Minas Gerais e no Espírito Santo.

“No Complexo de Ubu, em Anchieta (ES), estão as usinas para pelotização do minério de ferro e o terminal portuário para escoamento da produção. A unidade sempre foi e continua sendo extremamente relevante, tendo em vista que a Samarco é um empreendimento integrado, da mina ao porto, com minerodutos ligando as duas unidades operacionais, em Minas Gerais e no Espírito Santo”, destacou Sérgio Mileipe, gerente-geral de Operações da Samarco no Complexo de Ubu.

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Em 2014, a unidade capixaba da Samarco recebeu um grande investimento, com a conclusão do Projeto Quarta Pelotização (P4P), que contemplou a instalação da quarta usina de pelotização, um terceiro concentrador no Complexo de Germano e o terceiro mineroduto.

Além de um empreendimento de grandes investimentos, o complexo é um importante fator no desenvolvimento regional. Em 2016, um ano após a suspensão das atividades, a receita do município de Anchieta caiu de R$ 33 milhões para R$ 17 milhões. “A administração municipal sentiu um grande impacto. Foi um peso grande para o poder público e para as famílias que dependiam da Samarco”, lembrou o secretário.

Em 2015, a Samarco possuía cerca de 3 mil empregados diretos, sendo cerca de 1.250 no Complexo de Ubu. Atualmente, são em torno de 1.300 empregados, porém, no polo de Ubu a quantidade de efetivos gira em cerca de 430 funcionários. Com a retomada das operações, devem ser gerados novos empregos. “Iremos priorizar a mão de obra local, mas neste momento ainda não é possível estimar quando e quantos serão”, afirmou o gerente-geral da Samarco.

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