Entre os mais cotados para o pleito do ano que vem está o atual governador Renato Casagrande. Porém, nomes de dentro e de fora de seu grupo politico também pretendem lançar candidatura
Por Rodrigo Araujo
A pouco menos de um ano para partidos e federações definirem, junto à Justiça Eleitoral, seus candidatos para as eleições 2026, a corrida para o Senado Federal no Espírito Santo tem gerado muita discussão a respeito de quem serão os participantes da disputa.
Entre os postulantes, além dos atuais senadores cujos mandatos se encerram ao fim do próximo ano — Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos) — e que devem tentar a reeleição, há aqueles que fazem parte do grupo político do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB) — incluindo o próprio governador — e os que devem concorrer ao Senado por outros grupos.
Um dos nomes mais cotados para não só concorrer ao Senado, mas para conseguir uma das vagas, é o de Renato Casagrande. Em pesquisa recente do instituto Paraná Pesquisas, ele aparece como favorito para a disputa no ano que vem — nos dois cenários projetados, ele tem mais de 50% da intenção de votos.

Como está em seu segundo mandato consecutivo como governador, Casagrande não pode ser candidato à reeleição. Por isso, deve lançar um nome para o seu lugar no Palácio Anchieta — hoje o mais cotado é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) — e tende a se lançar como candidato ao Senado.
O analista político Darlan Campos também vê o atual governador do Estado como principal nome do momento nessa disputa. “Caso ele decida concorrer, é um nome com amplo apoio e favoritismo, uma vez que é amplamente conhecido, tem uma máquina para o ajudar e uma imagem pessoal muito positiva. Isso o ajuda na construção desse caminho. Mas ainda tem muita água para rolar nesse processo e, com certeza, tem muita coisa para acontecer”, destacou.
Em seu grupo político, Casagrande é hoje, sem dúvida, a primeira opção para o cargo. A grande questão é quem será o segundo nome desse grupo. Entre os aliados que já manifestaram interesse de concorrer a uma vaga na Casa revisora está o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), que tem se movimentado frequentemente para firmar alianças tanto com lideranças políticas quanto com instituições religiosas e de segurança pública.
Em suas redes sociais, Euclério tem registrado, quase que diariamente, encontros com vereadores, secretários municipais, prefeitos, vice-prefeitos e outras autoridades, destacando o apoio dessas personalidades à sua candidatura ao Senado.
Um dos encontros foi com o prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB), que chegou a ser cotado para a disputa, mas agora decidiu se unir a Euclério e o apoiar nessa caminhada. Também participou do encontro o vice-governador Ricardo Ferraço.
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Porém, há outros nomes entre os aliados de Casagrande com boas chances de disputar uma vaga na Casa revisora no ano que vem. Um deles é o deputado federal Da Vitória (PP), que já manifestou interesse em concorrer ao Senado na eleição passada, mas acabou reeleito na Câmara Federal. Também têm chances de aparecerem nessa disputa a ex-senadora Rose de Freitas (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB).
Já entre os que estão fora do grupo de aliados de Casagrande, um dos nomes mais cotados para entrar na disputa é o da publicitária Maguinha Malta, filha do Senador Magno Malta, presidente do PL no Espírito Santo. Ainda que nunca tenha se candidatado antes, ela conta com total apoio do pai, que tem feito questão de dar visibilidade a ela, tanto em aparições públicas quanto nas redes sociais.
Darlan Campos destaca que a eleição ao Senado é vista como estratégica para partidos de extrema direita, como o PL, em seu plano de levar ao impeachment ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes. Ele ressalta que a próxima disputa para a Casa revisora tende a ser muito mais acirrada do que as anteriores.
“A eleição para o Senado sempre tem um caráter diferenciado. No grau de importância do eleitor, até essa eleição, ela, em geral, passava um pouco mais despercebida. Existiam outras prioridades na atenção do eleitor, como a campanha presidencial, para o governo e deputados. Então costumávamos dizer que o Senado ficava no último degrau de importância”, lembra.

“Com essa eleição especialmente, o Senado tende a ter uma relevância muito maior, e isso claramente motivado pelo bolsonarismo e pelas candidaturas mais posicionadas à direita, que têm feito, especialmente com o PL de Bolsonaro, uma organização no plano nacional de eleger senadores, a ponto de aumentarem o grau de pressão sobre o STF e poder ter maioria para, em última análise, decretar o impeachment de um ministro do STF. Então isso traz para a eleição de 2026 ao Senado uma característica única, que ela nunca teve ao longo dos ciclos eleitorais. Tende a ser a eleição de Senado onde haverá o maior maior grau de atenção por parte do eleitor em todo o Brasil. E no Espírito Santo não vai ser diferente”, completa.
Há também outras figuras fora do grupo de aliados de Renato Casagrande que podem pleitear uma vaga no Senado, como é o caso do deputado federal Evair de Melo (PP), o deputado estadual Sérgio Meneguelli (Republicanos) e até mesmo o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que ainda não manifestou interesse em participar do pleito, mas sempre é lembrado como um nome de peso.
Para Darlan Campos, muita coisa pode acontecer até a data limite de definição das candidaturas, com possibilidade até mesmo de outros nomes, hoje não cogitados, aparecerem como candidatos consolidados.
“Ainda tem muita água para rolar nesse processo, com certeza tem muita coisa para acontecer nessa eleição. E ainda outros entrantes devem colocar o seu nome para a disputa e muitos devem sair. Mas teremos, com certeza, uma das eleições de Senado mais disputadas dos últimos tempos no Espírito Santo e também em muitos territórios do Brasil”, afirma.

