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LDO 2026: veto de Lula expõe debate sobre fundo partidário

Veto presidencial amplia embate no Congresso sobre financiamento político e impacto fiscal antes das eleições de 2026

Por Denise Miranda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, peça central do planejamento fiscal do país. Publicada como Lei 15.321, de 2025, a norma define as prioridades de despesas do governo federal e fixa uma meta de superávit primário superior a R$ 34 bilhões, alinhada ao novo arcabouço fiscal e ao discurso de controle das contas públicas.

A sanção veio acompanhada de um veto relevante do ponto de vista político e orçamentário. O presidente barrou o dispositivo que alterava o cálculo dos repasses ao Fundo Partidário, principal fonte de financiamento permanente das legendas fora do período eleitoral. A regra aprovada pelo Congresso previa uma forma de correção automática que poderia elevar os valores de maneira contínua, acima do previsto inicialmente.

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Com o veto, caberá agora ao Congresso Nacional decidir se mantém ou derruba a decisão presidencial. A análise ocorrerá em sessão conjunta de deputados e senadores, e tende a acirrar o debate sobre prioridades orçamentárias em um ano pré-eleitoral.

Para o analista político Darlan Campos, o veto tem duas camadas. “A primeira é fiscal e institucional. O governo veta porque o Congresso criou uma regra que faria o fundo crescer automaticamente, pressionando o limite de gastos em momento de contenção orçamentária”, avalia. “A segunda é política: em ano pré-eleitoral, qualquer alteração na estrutura partidária gera tensão. O veto transfere ao Congresso o custo político de bancar esse aumento”, acrescenta.

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De acordo com o advogado Luiz Henrique Alochio, doutor em Direito, “o veto ao fundo eleitoral retira cerca de R$150 milhões e, embora ancorado no discurso de responsabilidade fiscal, tem impacto direto na capacidade de disputa dos partidos. O rateio das verbas afeta de forma desigual: grandes partidos perdem mais dinheiro, mas sentem menos; pequenos perdem menos, mas sentem muito mais. Esse cenário reacende o debate sobre a dependência do repasse público”, alertou.

Veto ao Fundo Partidário afeta grandes e pequenos partidos de forma desigual. Imagem: Criação Next  Editorial
Veto ao Fundo Partidário afeta grandes e pequenos partidos de forma desigual. Imagem: Criação Next Editorial

Essa dependência ganhou ainda mais relevância após a decisão do STF que proibiu doações de pessoas jurídicas, tornando todos os partidos e candidatos dependentes do Fundo. “Na prática, essa dependência é mais perigosa do que receber doações de empresas. O argumento ‘empresa não vota’ parte de uma premissa incongruente, como se pessoas jurídicas não pudessem ter interesses políticos legítimos. Vale aguardar sua superação”, concluiu.

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Repercussão no Espírito Santo

No Espírito Santo, a decisão presidencial gerou reações distintas entre parlamentares. Evair Vieira de Melo (PP-ES) considerou acertada a fixação de metas fiscais rigorosas, mas criticou o veto ao Fundo Partidário. “Defendemos transparência e regras claras. O veto fragiliza a previsibilidade dos recursos e pode comprometer o funcionamento das legendas”, afirmou.

Norma Ayub (MDB-ES) destacou a necessidade de equilíbrio entre responsabilidade fiscal e fortalecimento institucional dos partidos. “A sociedade cobra austeridade, mas é preciso garantir condições mínimas para o funcionamento da democracia”, disse.

Já Sérgio Vidigal (PDT-ES) ressaltou que o compromisso com o superávit não pode inviabilizar políticas públicas essenciais. “A disciplina fiscal é importante, mas não pode comprometer investimentos em áreas como saúde, educação e segurança”, avaliou.

Debate sobre financiamento político

O veto ao Fundo Partidário ocorre em meio a um debate mais amplo sobre financiamento da política no Brasil. Enquanto o governo argumenta que a alteração poderia pressionar as contas públicas, parlamentares defendem que a atualização garantiria previsibilidade e reduziria litígios sobre os repasses. O tema tende a dominar a pauta de 2026 no Congresso.

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Para Darlan Campos, além do aspecto fiscal, há uma camada política relevante no veto. “O Fundo Partidário não é o fundo de campanha. Ele financia a máquina partidária, a estrutura cotidiana, comunicação e operação. Em ano pré-eleitoral, qualquer movimento que mexa nisso gera tensão”, explica.

Segundo o analista, o fato de o Congresso poder derrubar o veto transforma o episódio em um teste de força institucional. “O veto passa um sinal público de austeridade, mas abre uma disputa clássica: quem define a prioridade no orçamento em ano eleitoral e até onde o financiamento partidário pode crescer sem custo reputacional”, conclui.

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