Repercussão revela posicionamentos divergentes entre lideranças capixabas após decisão do STF sobre ex-presidente
Por Denise Miranda
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada nesta terça-feira (25) pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou ampla repercussão entre lideranças políticas do Espírito Santo. Representantes de diferentes partidos se manifestaram por meio de notas, redes sociais e declarações públicas, destacando impactos institucionais, jurídicos e políticos do episódio.
O governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que a decisão deve gerar mobilização entre apoiadores do ex-presidente, mas avaliou que o cenário está dentro do previsto desde a condenação de Bolsonaro em setembro. “Isso já era uma expectativa. É lógico que isso inflama os defensores do ex-presidente, que se movimentarão e já estão se movimentando, mas não acredito que haja impacto diferente do que já ocorreu após a condenação”, declarou.
Entre os parlamentares capixabas, as reações foram divergentes. O deputado Amaro Neto (Republicanos) defendeu a necessidade de condução imparcial das investigações. Sem se posicionar sobre o mérito da prisão, reforçou que “toda investigação precisa seguir o devido processo legal, garantindo ampla defesa e contraditório”.
Para o líder da bancada capixaba na Câmara, Josias Da Vitória (PP), “Bolsonaro já estava preso em casa, impedido de usar as redes sociais, de dar entrevistas e de ter contato com os filhos. Não acredito, por sua história de vida, que haveria risco de fuga. Nos preocupa também o estado de saúde dele que tem se agravado. Deixo minha solidariedade a ele e a toda família”, afirmou.
No campo oposto, o deputado federal Helder Salomão (PT) citou investigações do Supremo e afirmou que a prisão estava previsa. “Ninguém está acima da lei”, disse ao comentar o conjunto de acusações imputadas ao ex-presidente.
A deputada estadual Jackeline Rocha (PT) considerou a decisão uma demonstração de funcionamento das instituições. Segundo ela, a medida reforça o princípio de que “a lei vale para todos”.
Já o deputado Messias Donato (Republicanos), apoiador de Bolsonaro, avaliou que a “prisão representa mais um excesso que infelizmente se tornou comum e que, concidentemente, só atinge quem se opõe a tirania petista. Estão torturando Bolsonaro desde que Lula tomou posse e prometeu vingança por terem o prendido por corrupção.
Bolsonaro em casa já era um preso político, sem poder falar, sem poder sair, com tornozeleira, com a PF 24h na sua porta e emissoras usando drones para vigiá-lo, uma verdadeira força tarefa para destruir a sua saúde, a sua vida pessoal e a sua reputação”.
O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, também criticou a decisão. Em nota, classificou o momento como “inoportuno” diante das tensões políticas no país e manifestou solidariedade ao ex-presidente e à família.
Posicionamento dos senadores
O senador Fabiano Contarato (PT) afirmou que a decisão do STF seguiu parâmetros legais, mencionando descumprimento de medidas impostas anteriormente. Para ele, a prisão preventiva foi “correta e necessária”.
O senador Marcos Do Val (Podemos), por outro lado, avaliou a decisão como um “ataque aos direitos constitucionais”, e criticou a postura do Senado em relação ao caso. Já Magno Malta (PL), aliado histórico de Bolsonaro, afirmou que a medida representa uma “escalada” em relação à prisão domiciliar, reforçando sua avaliação de que há desproporcionalidade nas decisões tomadas contra o ex-presidente.
Manifestações nas redes sociais
Alguns parlamentares manifestaram-se nas redes sociais. O deputado Gilvan da Federal (PL) questionou os fundamentos da prisão em publicação no X (antigo Twitter). Já o deputado Evair de Melo (PP) afirmou que a medida se dirige ao campo político conservador, segundo avaliação publicada no fim de semana.
Ver essa foto no Instagram
As reações indicam que a prisão repercute além do cenário nacional e mobiliza lideranças capixabas, reacendendo debates sobre o ambiente político e seus desdobramentos. Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio pode influenciar articulações para as eleições de 2026, especialmente entre partidos alinhados ao ex-presidente.

