Você está preparado para ficar velho?

Gustavo Souza é psicólogo

É preciso pensar que uma velhice saudável se constrói antes dela chegar

Ficar velho, apesar de ser o destino natural de todos, é um assunto quase proibido, visto como algo pesado, tanto para quem já chegou lá quanto para quem tem algum idoso para cuidar na família. Fato é que ainda não é um hábito planejar a velhice enquanto se é jovem, para passar por essa etapa da vida de forma saudável, ativa e equilibrada.

Esse, entretanto, seria o comportamento mais indicado. Pensar na velhice quando se é novo não é corriqueiro, mas não precisa ser negativo. Ao mudar essa cultura, diminuímos as chances de sermos idosos passivos, para sermos protagonistas de nossas vidas também mais tarde.

O primeiro passo para planejar a velhice é pensar em quanto se pode viver, levando em conta a expectativa de vida da população e características pessoais e familiares. Se penso em viver 95 anos, tenho que entender que uma boa parte da vida será desfrutada como idoso. Planejar esse período vai além da questão financeira, envolve saúde, relacionamentos, espiritualidade, etc.

Após a aposentadoria, a renda é reduzida e os custos aumentam. É preciso ter uma reserva de recursos para essa conta fechar.

A vida produtiva não é a única que se tem, por isso é preciso se preparar para parar de produzir. Quando se é idoso, a produtividade é reduzida, até chegar ao encerramento da carreira. Isso não significa se tornar inútil, mas desenvolver habilidades ou resgatar práticas, mantendo-se ativo. Nesse aspecto, muitos optam por trabalhos voluntários, dão palestras, integram-se a uma entidade filantrópica.

Além disso, poupar dinheiro quando jovem para usufruir na velhice é um comportamento prudente. Após a aposentadoria, a renda é reduzida e os custos aumentam. É preciso ter uma reserva de recursos para essa conta fechar.

No aspecto da saúde, é preciso pensar que uma velhice saudável se constrói na infância, na juventude e quando adulto, e não ao se tornar idoso. Quem quer ser ativo mais tarde precisa ter bons hábitos cedo e fazer checkups médicos regulares.

Outro ponto fundamental é que os relacionamentos que se manterão até o final da vida são estabelecidos quando se é jovem. Muitos idosos têm dificuldades de aceitar cuidados, porque tiveram relacionamentos superficiais com familiares. Estabelecer laços de confiança com cônjuges, filhos e amigos quando jovem tem reflexos também na idade avançada.


Gustavo Souza é psicólogo

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