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domingo, 23 janeiro, 2022

Pandemia e política

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Felizmente, temos uma situação vacinal muito positiva se comparado até aos países mais desenvolvidos

Por Rodrigo Augusto Prando

Um artigo com a retrospectiva de um ano é sempre um ensaio parcial, já que a realidade e temas são sempre mais desafiantes e volumosos do que as poucas linhas que se seguirão. Assim, objetivando captar o essencial, sem acessório, buscar-se-á – panoramicamente – tratar das temáticas mais presentes no cotidiano do brasileiro: pandemia e política, especialmente, nos aspectos sociológicos e políticos.

Em 2021, a pandemia constituiu-se numa tragédia sem precedentes. Se, em 2020, foram cerca de 200 mil vidas perdidas para a Covid-19, este ano ultrapassamos a marca dos 600 mil mortos. A pandemia, no Brasil, agudizou problemas estruturais e, em termos conjunturais, conjugou-se múltiplas crises: sanitária e de saúde, econômica, política e social. Apenas uns 10% de brasileiros puderam ficar em casa no famigerado home office.

O novo normal foi, nestas plagas, seletivo. A sociedade deverá se preparar para conviver com as consequências da pandemia, individual e coletivamente. Há estudos indicando o que alguns especialistas chamam de “Covid de longa duração”, com problemas renais, respiratórios e neurológicos naqueles que se curaram da doença.

Coletivamente, nossa educação – sempre nos últimos lugares nos rankings internacionais – está em situação delicadíssima, pois crianças e jovens não foram plenamente alfabetizados, assaz atrasados em sua aprendizagem. Isso tudo, infelizmente, impactará o país no médio prazo na formação dos futuros trabalhadores e na qualificação profissional.

Felizmente, temos uma situação vacinal muito positiva se comparado até aos países mais desenvolvidos. Graças ao SUS e seus profissionais e às secretarias de saúde dos municípios, conseguimos reduzir drasticamente o número de novos infectados, internados e óbitos. A vacina salva e salvará milhões de brasileiros.

No que tange à política, o ano foi supreendentemente intenso. O presidente Bolsonaro continuou, mesmo no bojo da pandemia, com discurso e ações alicerçados sobre o presidencialismo de confrontação, mirando inimigos reais ou imaginários, internos e externos. Mantendo-se fiel aos seus valores ideológicos, Bolsonaro e bolsonaristas assumiram de forma pública e ampla, a conduta negacionista, eivada de fake news, teorias da conspiração e pós-verdades.

Não bastasse tais posições, não raro, a sociedade ficou apreensiva se não vivenciaríamos uma ruptura institucional, com sistemáticos ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal.

A reação do mundo político veio na forma da CPI da Covid, no Senado Federal. O parecer jurídico e o relatório final foram e, provavelmente, serão devastadores para as pretensões políticas de Bolsonaro. Em decisão do STF, o ex-presidente Lula teve suas condenações pela Lava Jato anuladas. Com isso, voltou ao jogo político e, segundo pesquisas até aqui, é o candidato que possui a maior intenção de votos.

Bolsonaro, que antes ganhava de todos os adversários no segundo turno, agora, nas projeções perde para todos os adversários, dada sua reprovação recorde. Na ânsia pela terceira via, entra em campo o ex-juíz Sérgio Moro que, na última pesquisa, já reúne 13% das intenções de voto.

Terminaremos o ano de 2021 com milhares de mortos, inflação e desemprego; mas com vacinação avançando, desejo de normalidade e atenção às novas variantes do vírus. Para muitos este ano foi o mais difícil e nunca será esquecido.

Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador. Graduado em Ciências Sociais, mestre e doutor em Sociologia pela Unesp.

 

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