A adaptação de imóveis tombados é um processo que exige um equilíbrio da preservação do patrimônio histórico
Por Manoel Goes
As dificuldades de acessibilidade em edifícios antigos, históricos e tombados são uma realidade, estando relacionadas com a falta de rampas, banheiros pequenos e sem adaptação, e a dificuldade para circular entre os móveis. Para garantir a acessibilidade, é necessário realizar obras e reformas que não alterem as características principais do imóvel.
A adaptação de imóveis tombados para atender às normas de acessibilidade é um processo que exige um equilíbrio delicado entre a preservação do patrimônio histórico e a necessidade de garantir acesso a todas as pessoas. Esses imóveis, protegidos por leis de tombamento, possuem características arquitetônicas e históricas que devem ser mantidas, o que limita as possibilidades de intervenções físicas.
Esse é o grande desafio para as instituições públicas e privadas, que operam em edifícios de arquitetura antiga, mesmo, dos séculos passados, é adaptar toda estrutura para torna-lo acessível a toda gente. Alterar estruturas seculares para instalações que adequam as novas normas é um trabalho que, muitas vezes, duela com a necessidade de preservar o físico centenário.
A mobilidade e acessibilidade em áreas urbanas tombadas é um tema importante na gestão urbana e patrimonial, principalmente porque existem marcos legais a serem cumpridos. Na maior parte das cidades brasileiras essas questões ainda não estão resolvidas. O grande desafio é compatibilizar as intervenções necessárias para garantir a mobilidade e acessibilidade com a preservação do patrimônio tombado.
Para que as ações sejam compatíveis, devem ser planejadas e realizadas de forma que não produzam descaracterização do patrimônio cultural. As intervenções que buscam promover a acessibilidade e melhor mobilidade nos conjuntos urbanos tombados podem ter impacto positivo produzindo qualificação desses espaços, porque agregam elementos que valorizam a melhor circulação de pessoas, o uso de equipamentos urbanos e propiciam maior contato com o patrimônio e inclusão socioespacial.
Como exemplo sito o prédio que abriga o Teatro Municipal de Vila Velha Elio de Almeida Viana, construído inicialmente em 1960 para abrigar a sede da Prefeitura Municipal , na Praça Duque de Caxias, com sua arquitetura belíssima e icônica, que depois adaptado para ser o teatro municipal, teve sérios problemas jurídicos pela absoluta falta de acessibilidade, chegando a ser por várias vezes interditado, e ficando os últimos 5 anos fechado e que agora ganha restauração total, atendendo a todos os requisitos de acessibilidade e inclusão socioespacial, com promessa de ser reaberto no final desse ano. Também registramos as restaurações de dois outros equipamentos históricos a Casa da Memória de Vila Velha e Museu atelier Homero Massena, que também hoje tem acessibilidade total.
Dentro de todo esse contesto, o Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, presidente Luiz Paulo Rangel promove palestra sobre acessibilidade e seus desafios para os edifícios antigos e históricos, com a Museóloga Flávia Torres nessa sexta-feira, dia 24/01, às 19h na Casa da Memória de Vila Velha, na Prainha. A palestra tem o objetivo de discutir esses pontos levantados pela Museóloga Flávia Torres. Os participantes receberão certificados, por meio eletrônico, do IHGVV, e a entrada é gratuita. Preservar e dar acessibilidade aos bens históricos é fundamental.

