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quarta-feira, 6 julho, 2022

O Trigo, a Guerra e o Impacto na mesa do Brasileiro

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Produtos que compõe a mesa da população brasileira como o pão de sal, o bolo, o biscoito e o macarrão

Por Ricardo Augusto Pinto

O trigo está em evidência no cenário nacional e mundial. E não poderia ser diferente já que faz parte da base da alimentação humana e tem acumulado altas crescentes nos últimos anos, agravadas durante o período de pandemia e, principalmente, pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

No dia a dia do brasileiro o grão faz parte dos principais produtos que compõe a mesa da população diariamente como o pão de sal, o bolo, o biscoito e o macarrão. Mesmo o Brasil sendo um dos maiores produtores e exportadores mundiais de grãos, o país ainda é vulnerável em relação ao trigo já que tem a necessidade de importar 60% de todo seu consumo interno.

Para acirrar ainda mais esse cenário, 85% de todo trigo importado chega ao país apenas de um único destino: a Argentina. Mas, vocês poderiam se perguntar por que uma guerra tão longe e o comércio que “não é de hoje” com a Argentina nos traz preocupações e interfere diretamente na indústria e no bolso da população?

Bom, isso é preocupante em termos de segurança alimentar em um país continental como o Brasil, bem como para o empreendedor que depende diretamente dessa commodity. E essa insegurança tem sido agravada ainda mais, com o início da guerra entre os dois líderes mundiais na produção e exportação de trigo, ao lado dos Estados Unidos. A região em guerra fornece trigo praticamente para toda a Europa. No entanto, diante das circunstâncias, países desse continente têm procurado suprir suas necessidades em outros mercados como o argentino – grande fornecedor do Brasil – agravando a famosa lei da “oferta e procura”. Mas, é importante frisar que os aumentos no quilo do grão não são de agora. O setor de Panificação e Confeitaria tem consecutivas altas no preço da farinha desde 2020. Entre os diferentes fatores está o reflexo de restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus que obrigou o panificador a se reinventar, adequar o mix e absorver as altas nos preços, sem repasses aos consumidores a fim de garantir que as portas do seu negócio se mantivessem abertas e o emprego de milhares de funcionários fosse mantido. Com o avanço da vacinação houve um breve suspiro de esperança, que logo se foi com o início da guerra na Ucrânia. Em termos práticos, este acumulo de fatores fortaleceu ainda mais as constantes escaladas do trigo, que somam alta de mais de 40%. Impossibilitados de absorver novos reajustes, com o estoque de capacidade reduzida, o empreendedor capixaba ficou ainda mais vulnerável as grandes oscilações do mercado, o que levou a um aumento entre 5 a 10% em todos os produtos panificados desde o início da guerra. Número ainda bem abaixo do esperado, em comparação as altas nos preços do trigo, óleo, energia, combustíveis e demais insumos essenciais na produção diária.

Isso porque o Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Espírito Santo (Sindipães) e todos seus associados têm buscado somar forças com parceiros e fornecedores para minimizar os impactos da guerra e da inflação nos produtos essenciais para a população. Por isso, as perspectivas do Sindipães são positivas para os próximos meses.

Há esperança que a guerra se finde em breve e, com isso, o mercado tem começado a estabilizar. Com isso, trabalhamos e torcemos, junto com a população brasileira, para que o mercado interrompa as grandes oscilações, a inflação seja controlada no país e as mesas de todas as famílias continuem sendo recheadas com muitos pães, bolos e todos os demais produtos cheios de qualidade e sabor que a padaria oferece.

Ricardo Augusto Pinto é presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Espírito Santo (Sindipães).

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