O Carlos Gomes ficou fechado por oito anos e passou por obras de revitalização e climatização, além do restauro do lustre principal e da pintura do teto

Por Manoel Goes Neto
Fechado desde fevereiro de 2017, o Theatro Carlos Gomes, tem previsão de reabertura, totalmente restaurado e requalificado, em novembro deste ano. É um teatro localizado na Praça Costa Pereira, no centro da nossa capital Vitória. Foi projetado pelo arquiteto italiano André Carloni, em estilo arquitetônico eclético, e inaugurado em 5 de janeiro de 1927 inspirado no Teatro Scala de Milão. Apresenta uma mistura de estilos arquitetônicos em que predomina o neoclássico. A belíssima pintura do teto é de autoria do artista mineiro Homero Massena.
Inaugurado a mais de 98 anos, é o teatro mais antigo do Espírito Santo, e sua inauguração preencheu a lacuna deixada pelo Teatro Melpômene demolido após um incêndio. “Verde e Amarelo” foi a primeira peça encenada, de autoria de José do Patrocinio e Ruy Pavão, com a Companhia de Revista Tam-Tam. O Theatro Carlos Gomes é tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. O fechamento do teatro por tantos anos não teve consequências só para o meio artístico, cada espaço cultural fechado é uma dificuldade a mais para o artista e para a sociedade ter acesso à cultura. A expectativa, com a reabertura do Carlos Gomes, é de que os artistas locais voltem a se apresentar com mais frequência.
O Carlos Gomes ficou fechado por oito anos e passou por obras de revitalização no telhado, climatização e parte cênica, além do restauro do lustre principal e da pintura do teto. Agora comportará 450 pessoas e conta com sonorização e climatização modernas, acessibilidade plena e equipamentos de segurança para prevenção e combate a incêndios. A cor original do teatro também foi recuperada. O amarelo que antes marcava o prédio deu lugar ao tom camurça, uma tonalidade que fica entre o cinza e o bege.
A escadaria de acesso aos camarotes está totalmente revitalizada e a bilheteria reposicionada no lado direito da edificação. A presidente do Instituto Modus Vivendi, responsável pela restauração do teatro, Erika Kunkel, destacou que o maior desafio da obra foi manter a originalidade da arquitetura do teatro; e complementa: “Preservar o lustre, dentro das pesquisas, as pinturas que nós descobrimos, os doramentos, os adornos em gesso, colocando as novas tecnologias, nova sonorização, uma climatização moderna, a parte cênica toda modernizada, desafios que conseguimos vencer”.
Agora, com as frentes finalizadas, o equipamento voltará a integrar o circuito cultural do Centro. O projeto, intitulado “Resgatando a História” foi viabilizado por acordo de cooperação entre o Governo do Estado (Secult) e o Instituto Modus Vivendi, com recursos do BNDES e da EDP via Lei Federal de Incentivo à Cultura. O investimento total é cerca de R$ 20 milhões – metade do BNDES e metade da EDP, concessionária de energia na maior parte dos municípios capixabas. A reativação do Carlos Gomes vai fortalecer o calendário de espetáculos, concertos e mostras no Centro de Vitória, agora preparado para receber produções de médio porte com conforto, segurança e tecnologia.
O secretário de Estado da Cultura, Fabricio Noronha, afirma que o teatro é um dos principais patrimônios históricos culturais do Estado e entregá-lo totalmente restaurado trará de volta o principal palco para a classe artística: “É um trabalho primoroso de recuperação do valor histórico do teatro. A pintura, a iluminação e os detalhes arquitetônicos revelam uma nova energia para o espaço. Agora temos acessibilidade plena em todos os andares e até o palco conta com uma nova tecnologia que permite o uso de fosso para apresentações com orquestra, algo que não era possível antes”, explica Noronha.
Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

