Com investimentos e ganhos de eficiência, os portos do Espírito Santo passam a receber supernavios e operam em nova escala no comércio exterior
Maxieni Muniz
Para viabilizar a operação de navios de maior porte nos principais terminais do Espírito Santo, Carla Rios do Amaral, gerente comercial e de novos negócios da Vports, afirma que, desde o início da concessão, a estratégia da companhia tem sido priorizar eficiência, produtividade e segurança
Segundo ela, a ampliação da capacidade operacional representa um divisor de águas para a logística estadual, ao colocar os portos capixabas em condições de competir por cargas antes concentradas em outros estados. Esse movimento marca uma inflexão estratégica na infraestrutura logística do Espírito Santo.
Em um cenário global de concentração de rotas marítimas e busca por eficiência, a possibilidade de receber supernavios amplia o alcance comercial do Estado, reduz custos operacionais e aumenta a atratividade para armadores e operadores logísticos. O reposicionamento não é apenas técnico, mas econômico, com impacto direto sobre exportações, importações e cadeias produtivas locais.
Ganhos de escala e eficiência operacional
Estudos técnicos recentes permitiram ampliar os parâmetros de atracação nos portos de Vitória e Vila Velha. O comprimento máximo das embarcações passou de 228 para 245 metros, enquanto a largura chegou a 32,5 metros. Com isso, o número de navios aptos a operar saltou de pouco mais de 500 para mais de mil embarcações do tipo Panamax, ampliando significativamente o leque de rotas possíveis.
“Quando conseguimos operar navios maiores com guindastes de terra, reduzimos tempo de operação, aumentamos produtividade e entregamos um porto mais competitivo para o mercado”, explica Carla.
A dragagem de manutenção realizada em 2025 também elevou o porte bruto máximo das embarcações, permitindo cargas de até 83 mil toneladas, um avanço relevante para a atração de novas linhas marítimas. O avanço físico é acompanhado por investimentos em tecnologia. A implantação de um sistema integrado de controle do tráfego aquaviário, com monitoramento 24 horas, eleva o nível de segurança e previsibilidade das operações.
A automação de gates, balanças rodoviárias e a instalação de balança ferroviária reforçam a fluidez logística e reduzem gargalos operacionais. A integração ferroviária aparece como o próximo passo estratégico.
A expectativa é iniciar operações ferroviárias a partir de 2026, ampliando o hinterland dos portos e reduzindo custos logísticos para empresas do interior e de estados vizinhos. “Quanto mais modais integrados, maior a competitividade do porto e do Espírito Santo como plataforma logística”, avalia Carla.
Expansão territorial e novos terminais
Além da modernização dos terminais existentes, áreas estratégicas estão sendo incorporadas à operação portuária. Em Vila Velha, novas áreas ampliam a capacidade para contêineres, granéis e cargas gerais. Já em Aracruz, um projeto de terminal multipropósito em área greenfield avança em licenciamento, com foco em granéis, cargas offshore e conexão ferroviária.
O conjunto de investimentos, que já ultrapassa a casa do bilhão de reais, consolida os portos como ativos centrais da economia capixaba. Ao ampliar escala, eficiência e integração logística, o Espírito Santo fortalece sua posição no comércio exterior e se projeta como alternativa competitiva em um ambiente cada vez mais disputado.

