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quarta-feira, 27 outubro, 2021

O papel do dentista na detecção precoce do câncer

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Isso também se aplica à nossa saúde bucal. Desde a infância, recebemos orientações de como cuidar da higiene oral como forma de manter uma boca saudável

Por Beatriz Coutens

Na vida, sabemos que é sempre melhor prevenir do que ter problemas no futuro. Isso também se aplica à nossa saúde bucal. Desde a infância, recebemos orientações de como cuidar da higiene oral como forma de manter uma boca saudável. Esses cuidados, contudo, vão além da saúde dos dentes e são importantes também para o bom funcionamento do corpo em geral, ajudando o paciente a ter mais qualidade de vida e a diagnosticar até mesmo alguns tipos de cânceres precocemente.

No último ano, devido à pandemia, calcula-se crescimento de 20% na mortalidade nos tumores de cabeça e pescoço, uma vez que houve aumento do consumo de álcool e fumo, além do sedentarismo e aumento de peso, provocado pelo isolamento social. Além disso, tivemos diminuição da percepção das pessoas quanto aos sintomas de algumas doenças e queda na procura de auxílio médico.

A detecção desse tipo de doença não deveria oferecer dificuldades, devido ao fácil acesso que o cirurgião-dentista tem à cavidade oral do paciente. Entretanto, o diagnóstico é realizado em estágios mais avançados de evolução do câncer.

E essa realidade pode estar associada à ausência de sintomas dolorosos, ou ainda, à não realização do exame clínico detalhado da cavidade bucal pelos profissionais nas consultas de rotina.

O de boca, por exemplo, tem chance de cura de 80% se diagnosticado precocemente. O profissional da odontologia tem papel fundamental, já que o paciente pode ir com mais frequência a uma consulta ao dentista, do que a uma consulta médica. Contudo, vale ressaltar que o câncer bucal é tratado pelo cirurgião de cabeça e pescoço. Nesse caso, se o dentista perceber algum sinal suspeito, é necessário encaminhar o paciente para o cirurgião responsável.

No Brasil, o câncer bucal é o quinto tipo de câncer mais incidente entre os homens e ocupa a 13º posição entre as mulheres. A estimativa é de que mais de 15 mil novas pessoas tenham a doença até 2022. Além disso, cada pessoa enfrentou dificuldades específicas neste período de pandemia, mais ou menos complexas. As diferentes condições socioeconômicas e culturais em nosso país também dificultam o trabalho de prevenção do câncer bucal.

Por isso, é importante estar alerta a aftas que não cicatrizam e não doem, manchas brancas ou vermelhas, nódulos ou caroços na boca, lábios, bochechas, língua e gengivas. Bem como dor e dificuldade para mastigar ou engolir, sangramentos na cavidade oral sem causa aparente, dentes moles sem doença periodontal associada, principalmente em pacientes que são fumantes e etilistas. Além disso, manter uma boa higiene bucal, com escovação e fio dental, e boa alimentação ajudam a manter a saúde em dia.

A prevenção odontológica é fundamental para o bem-estar e a saúde do paciente e deve ser incentivada em pessoas de todas as idades. E o dentista, enquanto profissional primordial na detecção precoce de neoplasias na região da boca, deve observar com atenção e rigor os seus pacientes.

Beatriz Coutens é cirurgiã-dentista oncológica e estomatologista

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