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Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

Com base sólida e transformação gradual, a indústria do Espírito Santo segue como eixo do desenvolvimento

Por Geilson Ferreira

A indústria do Espírito Santo mantém papel central na estrutura econômica do estado, tanto pela geração de riqueza quanto pelo impacto no mercado de trabalho e na inserção internacional. A análise integrada dos indicadores mais recentes mostra, porém, que esse protagonismo convive com um traço marcante:a alta volatilidade.

Nas últimas duas décadas, a ES Brasil acompanhou de perto essa trajetória da indústria capixaba, consolidando-se como uma das principais plataformas de análise, interpretação e difusão de dados econômicos do estado. Em diálogo permanente com instituições como a Federação das Indústrias do Espírito Santo, além de órgãos como o Instituto Jones dos Santos Neves, buscamos sempre qualificar o debate sobre desenvolvimento industrial, competitividade e inovação capixabas.

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Ao traduzir dados complexos em informação estruturada, direta e estratégica, a ES Brasil fortaleceu a conexão entre setor produtivo, poder público e sociedade, acompanhando e ajudando a interpretar as transformações estruturais da economia do Espírito Santo.

O nível de atividade industrial, medido pela Produção Industrial (PIM-PF) do IBGE e pelo PIB da indústria de transformação (Contas Regionais do IBGE, com detalhamentos do IJSN), evidencia um comportamento cíclico ao longo do período 2020–2025.

Após a forte retração de 2020 (-6,4%), reflexo direto da pandemia da COVID 19, a indústria capixaba apresentou recuperação intensa em 2021 (+9,6%), impulsionada pelo efeito rebote e pelo boom das commodities. Nos anos seguintes, o padrão se repete: queda em 2022 (-4,3%), retomada em 2023 (+6,1%), nova contração em 2024 (-6,2%) e crescimento expressivo estimado para 2025 (+11,6%).

Nos últimos cinco anos, a indústria capixaba apresentou uma série que alterna 3 anos de queda (2020, 2022, 2024) e 3 anos de crescimento (2021, 2023, 2025). Isso revela uma das indústrias mais voláteis do Brasil (Gráfico 1).Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

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Esse movimento confirma uma característica estrutural: não há trajetória linear de crescimento. A indústria capixaba alterna ciclos de expansão e retração, com variações mais intensas do que a média nacional. Parte relevante dessa volatilidade está associada ao peso da indústria extrativa, especialmente petróleo, gás natural e pelotização de minério de ferro, setores altamente sensíveis ao mercado internacional. Pequenas oscilações de preço ou demanda global geram impactos significativos no resultado agregado.

Peso da indústria na economia

O Espírito Santo continua sendo um dos estados mais industrializados do Brasil, mesmo com a perda recente de participação (Gráfico 2).

O PIB da indústria de transformação reforça essa leitura. Após o salto expressivo de 2021, quando o valor gerado atingiu cerca de R$ 18,4 bilhões, observa-se um processo de acomodação entre 2022 e 2023, com queda para R$ 16,3 bilhões.

Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

Para 2024 e 2025, as estimativas técnicas — baseadas na PIM-PF, nos preços de commodities e na estrutura produtiva estadual — indicam estabilidade seguida de recuperação moderada, sem sinais de um novo ciclo de crescimento acelerado como o observado no pós-pandemia.

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A indústria de transformação, embora relevante, não tem sido suficiente para compensar integralmente as oscilações da indústria extrativa, o que reforça a instabilidade do setor como um todo.

Mesmo com essa dinâmica, a indústria segue como um dos pilares da economia capixaba. Dados das Contas Regionais do IBGE, consolidados pelo IJSN e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a participação do setor no PIB estadual atingiu cerca de 38% em 2021, um patamar elevado, influenciado pelo contexto internacional favorável às commodities.

A partir de 2022, há uma redução dessa participação, chegando a 28,5% em 2023, com tendência de estabilização próxima de 29% nos anos seguintes. Esse movimento reflete, principalmente, o crescimento mais acelerado do setor de serviços no período recente. Ainda assim, o Espírito Santo permanece entre os estados mais industrializados do país em termos relativos.

Empregos Formais na Indústria

No mercado de trabalho, a indústria também demonstra relevância, embora com sinais recentes de desaceleração. Com base em dados da RAIS (estoque) e do Novo CAGED (fluxo), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego, observa-se que o número de empregos formais na indústria passou de aproximadamente 158 mil, em 2020, para cerca de 186 mil em 2025 — um crescimento de cerca de 17% no período.

O estoque de empregos industriais no ES está em trajetória de crescimento, porém com desaceleração recente, indicando maturidade e menor expansão do
setor (Gráfico 3).

Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

Após a forte perda de postos em 2020 (-3,5 mil vagas), houve recuperação consistente entre 2021 e 2024, com destaque para a geração de empregos na indústria de transformação. Em 2025, entretanto, o saldo positivo se reduz significativamente (cerca de 959 vagas), indicando perda de fôlego e menor dinamismo frente a outros setores, especialmente serviços.

A estrutura industrial do estado ajuda a explicar tanto sua força quanto sua volatilidade. Dados do IBGE (PIA e PIM-PF), do IJSN e do sistema ComexStat/MDIC mostram que a indústria capixaba é fortemente concentrada em cinco segmentos principais: mineração, siderurgia, celulose, rochas ornamentais e alimentos e bebidas.

Historicamente, mineração e siderurgia concentraram mais da metade do valor industrial, com destaque para a pelotização de minério e a produção de aço semiacabado (Gráfico 4).

Em 2021, esse padrão atingiu seu ápice, impulsionado pelos preços internacionais. A partir de 2022, observa-se uma mudança gradual na composição: a mineração perde participação relativa, enquanto a siderurgia ganha protagonismo e setores mais ligados à demanda interna, como alimentos e bebidas, passam a crescer de forma consistente. A celulose mantém trajetória estável, com baixa volatilidade e forte inserção externa.

Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

Esse movimento aponta para uma leve desconcentração da estrutura industrial. Em termos de valor, a siderurgia assume a liderança do PIB industrial ao longo do período, enquanto alimentos e bebidas se destacam como principal vetor de diversificação. Ainda assim, a dependência de commodities permanece elevada, mantendo a indústria capixaba sensível ao cenário internacional.

Dentro dessa estrutura, o setor de rochas ornamentais merece destaque especial por sua relevância estratégica. Com base em dados da ABIROCHAS, do ComexStat/MDIC e do IJSN, o Espírito Santo responde por cerca de 80% a 85% das exportações brasileiras do setor, consolidando-se como líder absoluto no país.

O Espírito Santo lidera amplamente o setor, entre 78% e 90% das exportações brasileiras de rochas ornamentais. O setor é um dos mais relevantes da pauta exportadora do ES (Tabela e Gráfico 5).

Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

A evolução recente evidencia a importância desse segmento: as exportações saltaram de US$ 750 milhões em 2020 para um recorde estimado de aproximadamente US$ 1,16 bilhão em 2025. Após forte crescimento entre 2020 e 2022, impulsionado pela demanda internacional, especialmente dos Estados Unidos, o setor enfrentou retração, em 2023, e estabilidade, em 2024, refletindo a desaceleração global. Em 2025, a retomada das exportações indica recuperação do mercado externo.

Um dos principais diferenciais competitivos do estado está no alto nível de industrialização: cerca de 80% do valor exportado corresponde a chapas beneficiadas, que possuem maior valor agregado e preço médio significativamente superior ao dos blocos brutos. Essa característica evidencia um caminho relevante para o aumento da competitividade: investir em processamento e agregação de valor.

Indústria cresce e segue como pilar da economia capixaba

De forma geral, a indústria capixaba apresenta avanços importantes em diversificação e geração de valor, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Entre eles, a elevada dependência de commodities, a volatilidade da produção, a dificuldade de sustentação do crescimento na indústria de transformação e a necessidade de ampliar a inovação e a complexidade produtiva.

Essa matéria é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Leia a edição digital completa aqui.

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