Pesquisas do Incaper mostram produtividade até 85% superior à média histórica da cafeicultura arábica capixaba
Por Letícia Arcanjo
A adoção de cultivares de café arábica recomendadas para o Espírito Santo pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) tem apresentado resultados promissores para a cafeicultura orgânica capixaba. Estudos conduzidos nas Montanhas Capixabas indicam que esses materiais podem alcançar produtividade semelhante à de lavouras convencionais, mesmo sem o uso de produtos químicos.
Os experimentos são realizados em propriedades de Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins. Ao longo de cinco safras, as áreas cultivadas em sistema de sequeiro registraram produtividades médias entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare, resultado até 85% superior à média histórica da cafeicultura arábica capixaba.
Entre as variedades avaliadas, a IPR 103 tem se destacado pelos resultados obtidos em campo. A estimativa, segundo o Incaper, é que a cultivar alcance até 86 sacas por hectare na safra deste ano, reforçando o potencial de materiais genéticos mais adaptados para elevar a competitividade da produção orgânica.
Outro diferencial das cultivares está na resistência genética à ferrugem do cafeeiro, uma das principais doenças que afetam a cultura. A característica reduz a necessidade de tratamentos fitossanitários e contribui para a viabilidade econômica dos sistemas de produção orgânica.
Além dos ganhos produtivos, os pesquisadores observam um cenário favorável para a comercialização dos cafés orgânicos. Segundo o engenheiro-agrônomo do Incaper, Cesar Abel Krohling, a procura por alimentos produzidos com menor impacto ambiental cresce de forma consistente nos mercados nacional e internacional.“A tendência é que esse cenário se fortaleça ainda mais com o aumento das exigências relacionadas à sustentabilidade nas cadeias globais de abastecimento”, afirma.
A próxima etapa dos será aprofundar as análises sobre a qualidade da bebida e identificar os materiais genéticos mais promissores para recomendação aos produtores. A expectativa do Incaper é que, ainda em 2026, seja lançada uma cartilha técnica voltada à expansão da cafeicultura orgânica no Estado, com orientações para aumentar o valor agregado da produção e fortalecer a sustentabilidade da atividade.

