A longevidade dos negócios de família

Segundo dados do IBGE, negócios de família representam 90% dos empreendimentos brasileiros e geram 65% do PIB

No entanto, o índice de mortalidade dessas empresas com o passar das gerações é bastante alto. Apenas 30% sobrevivem à transição para a segunda geração e não mais do que 4% passam da terceira geração.

Toda empresa familiar é um sistema complexo formado pela co-existência de três dimensões: família, propriedade e gestão, cada uma com interesses próprios. Quando perguntamos às famílias o que mede o seu sucesso, as respostas mais frequentes são a união, o amor e o bem-estar dos seus membros. No aspecto da propriedade, as métricas mais lembradas são a distribuição de dividendos e o retorno sobre o investimento. Já a gestão busca a melhoria contínua de performance da empresa. Quando esses interesses colidem, gera-se tensão na empresa que, se não for tratada corretamente e a tempo, acabará comprometendo a sua sobrevivência no longo prazo.

É preciso harmonizar esses interesses tão conflitantes e fazer desse alinhamento um motor de crescimento do negócio ao longo das gerações da família.

A tarefa não é simples e passa pelo êxito com que a família empresária abordará cinco pilares essenciais: a coesão familiar, a governança familiar, o desenvolvimento de familiares preparados e contributivos, a governança corporativa e a gestão eficaz.

A coesão familiar trata da união da família em torno dos valores e objetivos da organização familiar. O diálogo é o instrumento para alinhar expectativas e trabalhar os pontos de desconforto, visando o fortalecimento dos laços afetivos e a aposta efetiva no negócio.

O segundo pilar – a governança familiar – destina-se a manter saudáveis os vínculos entre os membros da família e entre esta e o negócio. É recomendável a implementação de um protocolo familiar, que permite a antecipação e planejamento de diversas situações que certamente surgirão em algum momento dessa relação. Pode-se também estruturar um Conselho de Família, destinado a promover o diálogo e decisões sobre as expectativas e condutas dos familiares, zelar pelas histórias e valores familiares, incentivar a integração e a união familiar, definir os limites entre os interesses da família e da empresa, apoiar o desenvolvimento e educação dos membros da família e estabelecer as diretrizes para a proteção patrimonial.

O desenvolvimento de familiares preparados e contributivos forma o terceiro pilar. Os familiares precisam desenvolver a identificação com o negócio e as competências técnicas e comportamentais necessárias para se responsabilizarem pelo futuro da empresa, na gestão ou como acionistas.

O quarto pilar é o da governança corporativa, que tem como propósito estabelecer limites formais entre a gestão dos negócios e a família. Uma boa prática é a instituição de um conselho consultivo, que auxiliará na formulação de diretrizes estratégicas, assistirá a diretoria na sua execução e poderá, ainda, apoiar o processo de sucessão, que é um tema altamente sensível em famílias empresárias e que precisa ser abordado com planejamento e profissionalismo..

O quinto pilar – a gestão eficaz – trata da adoção das melhores práticas de gestão que levem à geração de resultados positivos continuamente e no longo prazo. Também é fundamental ter um time altamente competente, que atenda as demandas do negócio e que seja alinhado com os propósitos, valores e objetivos da família empresária.

O sucesso e a longevidade da empresa familiar não vêm com manual de instruções. Dar conta de todos esses desafios só é possível quando a família se profissionaliza e se transforma em verdadeira família empresária.

Para falar sobre o assunto, nesta quinta-feira (09), Adriano Salvi e Danielle Quintanilha ministrarão a palestra “A longevidade nas empresas familiares e sucessão familiar”, no auditório da Rede Gazeta, em Bento Ferreira. Inscrições aqui


Adriano Salvi é conselheiro de administração certificado pelo IBGC, professor convidado da Fundação Dom Cabral e sócio da Vix Partners Consultoria e Participações

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