18.9 C
Vitória
quinta-feira, 9 julho, 2020

Na cor da pele

Leia Também

ES registra mais de 58 mil pessoas confirmadas com o novo coronavírus

Destes, 39.609 já estão curados. O número de mortes também subiu nas últimas 24 horas. São 1.911 óbitos, ante os 1.879 de ontem (07). O índice de letalidade está em 3,26%.

Provas do Enem serão realizadas em janeiro de 2021

O anúncio foi realizado por meio de coletiva de imprensa, que contou com a presença do secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Paulo Vogel, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes.

Vendas de veículos novos apresentam retração em maio

Já no acumulado dos cinco meses de 2020, os 21.187 veículos emplacados registraram 25,98% abaixo do resultado verificado no mesmo período do ano passado, quando foram  vendidas 28.624 unidades.

Mais recursos para atendimento a pessoas em situação de rua

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), a verba será doada pelo governo estadual, que repassará R$ 376,2 mil para a realização de ações em três meses.

Precisamos entender a realidade da nossa sociedade. Quem não conhece o seu passado, não conhece o seu presente

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão. Esse fato histórico, aparentemente longínquo, deixou, na verdade, profundas marcas na sociedade brasileira. Para entendê-las, é preciso não esquecer os navios negreiros e os objetos de tortura. É preciso lembrar que a abolição foi lenta. Mas é preciso também pensar o lugar que a ciência ocupou na consolidação do preconceito contra o nosso provo preto. Para que se lute contra o racismo é preciso primeiramente reconhecer que ele existe. Sem essa “confissão” tira-se do foco o alvo que se quer atingir.

A esperada cidadania após a abolição não aconteceu e, até hoje, é uma luta constante em uma sociedade em que a desigualdade racial é arraigada e as tentativas de apagar a memória da barbárie contra um povo escravizado são permanentes, quer pela eliminação de documentos, quer pela disseminação do mito da democracia racial. A pele preta ainda separa.

Ao redor do mundo, os movimentos negros sempre buscaram uma coisa em comum: o respeito aos direitos civis da população negra e o combate ao racismo, enraizado até hoje na sociedade.

Com diferentes abordagens, cada Movimento Negro busca particularidades que fazem parte da realidade de cada país. No Brasil, por exemplo, a luta da nossa população preta gira em torno do reconhecimento do racismo como crime, da dívida histórica dos mais de 300 anos de escravidão e da igualdade de oportunidades e inclusão social.

A última semana de maio, e os primeiros dias de junho deste ano, estão sendo marcados por protestos nas principais ruas dos Estados Unidos, França e Holanda. Na imprensa e nas redes sociais, as imagens de lugares vazios, uma constante em período de distanciamento social, deram lugar a imagens de aglomerações. Manifestantes americanos estão indo às ruas pedir justiça pela morte de George Floyd, um segurança de 46 anos, preto, morto no dia 25 de maio, por um policial na cidade de Minneapolis, no estado do Minnesota. De forma cruel, não atendendo ao seu pedido de que não conseguia respirar. Morreu assassinado brutalmente, por um policial claramente racista, haja vista a sua ficha funcional repleta de irregularidades. Toda essa barbárie registrada em som e imagem, vista em todo o mundo.

O racismo piorou? Não. Ele só passou a ser mais divulgado, como todo o mundo assistiu a “execução” do George Floyd. Imagens vistas por um público negro muito maior, do que aqueles que moram nas comunidades onde os casos acontecem. Isso vira a chave. O que nós estamos vendo na escalada desses últimos anos é que a violência nunca parou, ela sempre esteve presente como forma de controle e de manutenção da violência racista que o Estado põe sobre a população preta.

Enquanto isso, no Brasil: Na mesma semana da morte de Floyd, o menino João Pedro Mattos Pinto, 14, foi morto dentro de casa por policiais, durante uma operação em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Aqui, nunca houve uma política explícita de segregação racial, mas a desigualdade é bem demarcada etnicamente quando se olham os números. Negros compõem a maioria da população brasileira (56%) — para o IBGE, a categoria abarca pretos e pardos. Entretanto, homens negros têm expectativa de vida até 4,6 anos menor que a de homens brancos. No mercado de trabalho, uma pessoa negra e uma pessoa branca com a mesma formação têm diferença salarial de 31%. Na violência cotidiana, os dados passam batidos.

Temos evidencias claras de como a população preta é invisível aos olhos das políticas públicas, onde nesta terrível pandemia de Covid-19, são os negros que compõe em grande parte, as estatísticas de maior letalidade, devido a suas comorbidades genéticas, associadas às condições socioeconômicas de abandono sanitário, vivendo nas favelas, no subemprego, formando uma grande massa de desempregados.

O movimento negro surgiu quando o primeiro preto fugiu da senzala. Não tem nada a ver com esquerda ou direita, tem a ver com uma questão social, uma questão do povo. Precisamos entender a realidade da nossa sociedade. Quem não conhece o seu passado, não conhece o seu presente. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, deveria conhecer o seu passado, creio que até conheça, mas surpreendentemente insiste em negar, quando declarou e classificou o movimento negro como “escória maldita”, que abriga “vagabundos” e chamou Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra no Brasil escravocrata, de “um filho de prostituta, que escravizava pretos”. Os objetivos da fundação é promover e apoiar a integração cultural, social, econômica e política dos afrodescendentes, e implementar políticas públicas para dinamizar a participação dos afrodescendentes no processo de desenvolvimento sociocultural brasileiro.

Sérgio Camargo também manifestou desprezo à agenda da “Consciência Negra”. Chamou uma mãe de santo de “macumbeira” e prometeu botar na rua diretores da autarquia que não tiverem como “meta” a “demissão dos esquerdistas”. As afirmações foram feitas durante reunião com dois servidores, no dia 30 de abril último.

A indicação desse presidente para a Fundação Cultural Palmares é uma grande contradição em seus termos. A Fundação foi criada no bojo das conquistas da Constituição de 1988, que foi uma constituição muito generosa no que se refere aos direitos civis, neste caso, aos direitos das população de raiz afro-brasileira; é uma contradição imensa o órgão ter na presidência um jornalista que diz que “a escravidão foi benéfica para os escravos”. O que, historicamente está comprovado que não foi.
E não nos esqueçamos de que a vida do nosso povo preto importa. E muito!

Manoel Goes Neto presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV e diretor no IHGES.

Continua após a publicidade

ES Brasil Digital

Continua após publicidade

Fique por dentro

Vendas do varejo sobem 13,9% em maio ante abril, revela IBGE

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam queda de 8,6% no ano e redução de 1% em 12 meses. Confira! Por Daniela Amorim (AE) As vendas...

Sicoob ES vai liberar R$ 200 milhões para produtores de café

O volume será disponibilizado mais cedo este ano, neste mês, como uma medida do Ministério da Agricultura para apoiar o setor neste momento de pandemia.

Dia Mundial do Chocolate: destaque na produção da matéria-prima no ES

O Espírito Santo produz cerca de oito mil toneladas de cacau por ano. Isso porque o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apoia os agricultores, fomentando a produção de cacau no território capixaba.

Ministérios defendem venda de refinarias após Congresso pedir bloqueio

Pastas da Economia e de Minas e Energia emitiram nota. Saiba mais!  A privatização de refinarias da Petrobras encontra aval em decisões recentes do Supremo...

Vida Capixaba

Shopping Vitória realiza liquidação virtual nesta semana

A RED TAG (etiqueta vermelha), uma liquidação virtual dentro da Vitrine SV, entre os dias 8 e 10 de julho.

Webinar aborda a construção em aço na era da Indústria 4.0

A webinar “Construção em aço na era da Indústria 4.0”, que será realizada nesta quinta-feira (09), a partir das 17 horas.

Como fica o tempo nesta semana no Espírito Santo? Veja!

De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a previsão é de poucas nuvens e sem chuvas nas regiões capixabas.

Centro de Quarentena começa a funcionar em Vitória

A previsão é acolher cerca de 800 pessoas até o fim do ano. E para atender os pacientes, foi montada uma equipe com 44 profissionais, entre assistentes sociais, técnicos de enfermagem, entre outros.
Continua após publicidade