Entre as empreendedoras capixabas, 39% têm negócios formalizados, 50% atuam na informalidade e 10% são produtoras rurais
Por Letícia Arcanjo
Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) mostram que as mulheres representam cerca de um terço dos empreendedores no Estado. Esses números fazem parte do levantamento, divulgado pela entidade na última semana, que analisa o retrato do empreendedorismo feminino capixaba.
Segundo informações da Receita Federal, 40,5% das empresas ativas no Estado têm mulheres à frente. Desse total, 94,5% são pequenos negócios, que contribuem para movimentar a economia local.
A empreendedora Ana Cláudia Prates, fundadora da consultoria empresarial Crescere, começou a empreender após uma experiência anterior com uma floricultura, que funcionava inicialmente com vendas online e entregas. Após enfrentar dificuldades na gestão do negócio, decidiu estudar gestão empresarial e, a partir dessa experiência, criou uma consultoria voltada para microempreendedores, com foco em mulheres. Hoje, a empresa já atendeu mais de 45 negócios em diferentes regiões do Brasil.
Ana Cláudia destaca que entre os motivos que fizeram ela começar a empreender está a busca por autonomia. “O motivo principal que me levou a empreender foi ter a liberdade de escolher meus horários e meus clientes. Também quis ajudar outros empreendedores a não cometerem os mesmos erros que eu cometi”, afirma.
De acordo com a gestora do Sebrae Delas, Suzana Fernandes, as mulheres já representam uma parcela significativa dos pequenos negócios no Espírito Santo. No Estado, 51% da população é feminina, desse total, 1,7 milhão está em idade de trabalhar e 195 mil já empreendem. Ela destaca que, quando têm acesso a conhecimento, crédito e oportunidades, as mulheres conseguem fortalecer seus negócios, gerar renda e impactar positivamente suas famílias e comunidades.
“A inclusão das mulheres no empreendedorismo vai além da contribuição para desenvolvimento econômico e social. É também uma questão de fortalecimento da diversidade, redução das desigualdades e uma saída para mulheres que buscam autonomia financeira”, aponta.
Entre as mulheres empreendedoras, há diferentes perfis: 39,3% já formalizaram o próprio negócio, 50,5% ainda atuam na informalidade e 10,2% são produtoras rurais.
O perfil predominante é formado por mulheres entre 30 e 49 anos, muitas delas chefes de domicílio, em sua maioria mulheres negras, com renda de até dois salários mínimos e escolaridade até o ensino médio. Em geral, não possuem sócios e trabalham por conta própria, com atuação concentrada nos setores de comércio, serviços e alimentação.
Diante desse cenário, Suzana orienta que um dos principais passos para quem empreende é a organização da gestão do negócio, especialmente em relação ao controle financeiro.
“Separar as finanças pessoais das finanças da empresa, acompanhar custos e receitas e planejar as atividades são passos essenciais. Também é importante investir em capacitação, buscar orientação técnica e construir redes de apoio e conexão com outras empreendedoras, pois isso amplia oportunidades e fortalece a tomada de decisão”, afirma.
A gestora explica ainda que o Sebrae/ES realiza ações para apoiar esse público, com orientações sobre os caminhos para a formalização e os benefícios desse processo, como acesso a crédito, emissão de nota fiscal e participação em mercados mais estruturados. Além disso, a instituição oferece capacitações, mentorias e iniciativas de conexão, que ajudam as mulheres a organizar e profissionalizar seus negócios, criando condições para que avancem com mais segurança no mercado.

