
O amor jamais acabará. A vida não é tirada, mas transformada e a pessoa coroada e entronizada no fim que não terá fim, no dia sem ocaso
Por Robson Melo
“Dignidade não tem Idade” é o nome do livro produzido para celebrar os 83 anos do Asilo do Idosos de Vitória. Hoje já são 86 anos. No livro está “Levar aos que sofrem no ocaso da vida, sem consolo de um lar e sem esperança que anima, o pão, o agasalho e o conforto moral de um carinho” (Ata de Fundação do Asilo, 3 de junho de 1940) o fundamento, a pedra de alicerce desta ILPI – Instituição de Longa Permanência para Idosos.
Uma palavra que muito se destaca nesse fundamento é ocaso. Pouco usada hoje em dia e, por isso, aqui saliento o seu significado.
Ocaso (sm) – Momento em que um astro desaparece do lado oeste do horizonte; lado onde o sol se põe; ocidente; poente. “Tinha de seu uma alcova e um pequeno gabinete de trabalho; janelas para o nascente e para o ocaso, despejando sobre o jardim”, do romance “Casa de Pensão” escrito por Aluísio Azevedo em 1884.
O amor jamais acabará. A vida não é tirada, mas transformada e a pessoa coroada e entronizada no fim que não terá fim, no dia sem ocaso. “Vem e toma posse do reino”. (Mt 25,34), manifestação da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos em 10/12/2009.
Dentre tantas bem aventuranças, em seu Sermão da Montanha, Jesus nos exorta que “…prudente (o homem) que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha”. Assim está e vai seguir o Asilo dos Idosos de Vitória.
E dignidade é a palavra da convergência de todos os valores – cuidado, acolhimento, segurança, inclusão social e credibilidade – que norteiam a estratégia da instituição. Nesse sentido, é bom lembrar que a dignidade humana, segundo o Papa Francisco em sua Declaração Dignitas Infinita, “é dignidade infinita, inalienavelmente fundada no seu próprio ser, é inerente a cada pessoa humana, para além de toda circunstância e em qualquer estado ou situação se encontre.
Antes mesmo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948 ), declaração urgente e necessária em resposta aos horrores e atrocidades durante a I Guerra Mundial e o Holocausto, em 1940, foram mulheres lideradas pela Sra. Alzira Bley que fundaram a Sociedade de Assistência à Velhice Desamparada, carinhosamente chamada de Asilo dos Idosos de Vitória. Na sua primeira Diretoria, além de Alzira Bley, Alda Santos Neves, Maria Ignês Bonfim Velloso, Juracy Mattos de Araújo, Maria Picossi, Lélia Saleto Guimarães e Firmiana Loureiro Santos Neves.
Daí ser necessário reverenciar essas mulheres que se mobilizaram e fundaram o Asilo dos Idosos de Vitória com firmeza de propósito, amor ao próximo, articulação politico-institucional e coerência mais que contemporânea pois que se projeta ir ao longo dos anos vindouros.
Também por causa das circunstâncias daqueles anos de 1940 que persistem na sociedade, lamentavelmente. “Algumas das pessoas idosas ainda são resgatadas em circunstâncias de desnutrição extrema, com ferimentos abertos, marcas pelo corpo que não são do tempo, e sim da violência física sofrida, dentre outras de todos os tipos” – lembra-nos Nirelza, Assistente Social do Asilo dos Idosos de Vitória, em vista do Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa.
Assim, portanto, permanece que a dignidade, no ocaso e além dele, é obra missionária do Asilo dos Idosos de Vitória, um marco da filantropia e assistência social no Espírito Santo, para impedir que a chama da dignidade humana se apague no fluxo da História ainda por ser registrada.
Robson Melo é Diretor Presidente do Asilo dos Idosos de Vitória e Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba

