Parlamentares e figuras públicas expressam opiniões divergentes sobre a medida judicial contra o ex-presidente
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu logo cedo no mundo político. O líder da oposição na Câmara, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) afirmou ao Estadão/Broadcast que prender Bolsonaro “é um ataque direto à democracia” e que o grupo resistirá. “Colocar Bolsonaro em regime fechado é desumano e injustos e se algo acontecer a Bolsonaro sob custódia, a responsabilidade será direta”, disse.
Nas redes sociais, os posts também começaram a pipocar logo cedo. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro postou, pouco depois das 6h30, os versículos 1 a 8 do salmo 121, conhecidos como “Canto da Peregrinação”, no Instagram, onde tem 7,7 milhões de seguidores. Ela tem liderado a preferência de bolsonaristas como candidata nas próximas eleições, com a prisão de Bolsonaro.
Fabio Wajngarten, que foi secretário-executivo do Ministério das Comunicações e chefe da Secretaria de Comunicação Social durante o governo Bolsonaro, afirmou que a prisão terá efeitos na próxima eleição. “É INACREDITÁVEL. Num sábado. Com estado de saúde totalmente comprometido. VERGONHOSO. 26 é logo ali”, escreveu Wajngarten no X.
O senador Magno Malta (PL-ES) chamou a prisão de um capítulo de novela de abuso e arbitrariedade. “Inacreditável! Prender quem já estava preso? A espetacularização de Alexandre de Moraes chega ao absurdo. O Brasil assiste mais um capítulo dessa novela de abuso e arbitrariedade”, publicou no Instagram.
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O pastor Silas Malafaia chamou a prisão preventiva de covardia: “A covardia do ditador da toga Alexandre Moraes é consumada, Bolsonaro preso, mas vocês tem que entender uma coisa, esse cara é mais maquiafélico do que vocês pensam. Quer dizer que o Flávio Bolsonaro convoca uma vigília de oração e Jair Bolsonaro é preso? Quer dizer que você convocar uma manifestação pacífica é motivo de prender o outro, que não tem nada com isso? Bolsonaro é vigiado pela Polícia Federal, isso é uma vergonha”, publicou.
A deputada federal Carol de Toni (PL-SC), conhecida pelas posições conservadoras e por ter levado o filho recém-nascido à Câmara como protesto, também criticou a prisão. “A prisão do Presidente Bolsonaro é um dos maiores absurdos já cometidos pela ‘justiça brasileira’. O maior líder que a direita já teve, homem que não cometeu crime algum, foi submetido a um processo absolutamente nulo, agora é levado a prisão! Lutaremos até o fim contra essa injustiça.”
Seu colega de partido e líder do PL na Câmara dos Deputados, o deputado federal e pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) foi na mesma toada e tuitou que “Bolsonaro não roubou ninguém”. “Não acharam um real que o presidente Bolsonaro tenha roubado. Perseguem ele de todas as formas. Hoje, no dia 22, número do nosso partido, Alexandre de Moraes, no seu mais alto grau de psicopatia, manda prendê-lo preventivamente porque seu filho Flávio Bolsonaro convocou uma vigília de oração para hoje à noite. Nós estamos vivendo o maior capítulo de perseguição política da história do país. Força Bolsonaro, estamos juntos”
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) foi na mesma linha. “Toda solidariedade a ele e à família. Passou da hora de uma reação contundente do Congresso para frear os abusos e ilegalidades feitos contra a oposição a Lula e ao PT!”, escreveu no X.
O deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos-ES) disse num post que “prenderam a democracia”, questionando a escalada de poder do Judiciário. “A prisão preventiva foi decretada sob o argumento de “risco institucional”. Mas o que realmente está em risco hoje não é a ordem, mas a democracia…. Enquanto o país assiste à maior escalada de poder de um Judiciário sem freios, um homem é levado como se fosse a ameaça que precisa ser contida… Hoje não estamos diante de um ato jurídico. Estamos diante de um aviso.
Um recado claro: quem desafiar o sistema será punido exemplarmente”, diz trecho do que foi publicado pelo deputado.
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Esquerda na direção oposta
Políticos à esquerda, evidentemente, foram na direção oposta. A ex-deputada federal Manuela D’Ávila, que foi filiada ao PC do B, comemorou a prisão. “Obrigada ao meu relógio biológico que me permitiu assistir ao vivo a prisão (ainda preventiva) de Bolsonaro. Espero estar acordada quando a prisão pela tentativa de golpe acontecer. Quem viveu o Brasil sob seu comando, Quem temeu viver no Brasil sob seu comando, Quem perdeu alguém no Brasil sob seu comando, Sabe o que celebramos. Eu celebro estar viva, com minha família, feliz e na luta.”, escreveu ela no Instagram, com uma foto da transmissão pela TV.
A ex-ministra dos Direitos Humanos e deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) fez um post no qual diz que “a lei é para todos”.
A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, hoje vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, também comemorou. “Hoje um novo capítulo da história da democracia brasileira foi construído. O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi preso preventivamente via medida cautelar. O golpe, que sempre livrou a cara das elites brasileiras, é punido pela primeira vez exemplarmente.”
Sua colega de partido, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) foi na mesma linha: “Jair Bolsonaro acaba de ser preso preventivamente e levado para a superintendência da Polícia Federal. Um bom dia desses hein?!”, escreveu, seguindo com as hashtags #semanistia e #bolsonaronacadeia.
Imprensa internacional
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também ganhou repercussão em alguns dos principais veículos de imprensa internacionais, como The Guardian, Bloomberg e as agências AP e Reuters. As publicações destacaram as suspeitas de plano de fuga, assim como os meses de prisão domiciliar.
O britânico The Guardian destacou a prisão do Bolsonaro em sua homepage, com o título “Ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro é preso no Brasil”. No texto, apontou que o motivo da prisão não estava claro inicialmente e contextualizou a convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A agência The Associated Press (AP) publicou a matéria “Juiz brasileiro ordena prisão de Bolsonaro por suposto plano de fuga antes de cumprir pena na prisão”. A notícia também foi destacada em sua página, além de ter sido distribuída e republicada para outros veículos internacionais, como o jornal norte-americano The Washington Post.
Outra das maiores agências de notícias do mundo, a Reuters publicou a notícia “Ex-presidente do Brasil Bolsonaro é detido preventivamente pela polícia”. A publicação chegou a falar com a defesa do ex-mandatário, assim como ressalta que ele estava em prisão domiciliar.
A Bloomberg também noticiou a prisão, com destaque na sua página direcionada para países da América Latina: “Bolsonaro preso por suspeita de plano de fuga do Brasil”. No texto, reitera a condenação do ex-presidente e o período em prisão domiciliar.
(Com informações da Agência Estadão).

