No Espírito Santo, as 23 cooperativas agropecuárias movimentam R$ 5,8 bilhões por ano, representando cerca de 40% do cooperativismo no estado

Por Pedro Scarpi Melhorim
“A união faz a força”. Essa é uma expressão bastante conhecida que traduz em palavras algo que é possível comprovar na prática: que quando nos unimos em torno de um mesmo propósito, é possível obter conquistas grandiosas que, sozinhos, dificilmente alcançaríamos.
Esse grande ensinamento foi construído ao longo da história humana, que viu na coletividade e na comunidade uma forma de sobreviver, avançar e superar crises. E ele não ficou restrito ao relacionamento pessoal, mas foi transportado para as mais diferentes áreas da vida, inclusive para o mundo dos negócios.
Há quase duas décadas, a soma da colaboração e do empreendedorismo deu origem a um modelo de negócio que vem transformando a economia e a vida de milhares de pessoas: o cooperativismo. Essa forma de organização readequa a lógica do mercado, trocando a competição entre indivíduos pela cooperação.
Um dos grandes exemplos de como isso tem funcionado está no campo. Atualmente, as cooperativas têm uma grande força no ramo agropecuário, produzindo os alimentos que chegam às nossas mesas (e às mesas de pessoas em todo o mundo) e movimentando a economia do Espírito Santo.
Dados do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2024, elaborado pelo Sistema OCB/ES, apontam que as 23 cooperativas agro do Espírito Santo são responsáveis por movimentar R$ 5,8 bilhões anuais, número que representa cerca de 40% de toda a movimentação econômica do cooperativismo no estado.
Um resultado como esse, que ultrapassa os 10 dígitos, é fruto de uma soma de unidades: os produtores cooperados. Atualmente, boa parte dos membros dessas cooperativas é formada por pequenos agricultores que, ao somarem a sua produção à de outros, ganham em escala e conseguem alcançar números imponentes.
Mas essa não é a única vantagem que eles têm ao escolherem o cooperativismo. Se de forma isolada haveria dificuldade em entrar e se manter em um mercado cada vez mais competitivo, por meio de uma cooperativa eles se organizam em torno de um CNPJ.
Com isso, passam a ter mais força e a ocupar mais espaço no mercado. Além disso, as cooperativas dão suporte aos produtores, muitas vezes recebendo, industrializando e revendendo os produtos e seus derivados. Ganha-se, ainda, em capacidade de negociação, com os cooperados tendo ao seu lado um forte parceiro.
E como forma de manter e ampliar os retornos aos seus membros, as cooperativas possibilitam a aquisição de estruturas e maquinários que melhoram os processos internos e oferecem assistência técnica para que os cooperados possam seguir ampliando a sua produção e obtendo cada vez mais retornos financeiros rovenientes do seu trabalho nas propriedades rurais.
Somente pelo que foi explicado até aqui, já dá para entender como a união dos homens e mulheres do campo faz a diferença. Mas esse impacto não fica limitado às paredes das cooperativas. Pelo contrário, transborda para as comunidades onde elas estão instaladas.
Estudos comprovam que onde o cooperativismo está presente há maior desenvolvimento local. Afinal, esse modelo de negócio gera emprego e renda, cria oportunidades e estimula que a riqueza produzida em uma localidade permaneça nela. Ou seja, o cooperativismo é bom para todo mundo.
É por esse motivo que as cooperativas vêm ganhando cada vez mais destaque: porque elas mostram que, juntos, seja na cidade ou no campo, a gente vai mais longe!
Pedro Scarpi Melhorim é presidente do Sistema OCB/ES.
*Artigo publicado originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

