Após megaoperação no Rio, a pauta da segurança se tornou um terreno fértil para o crescimento eleitoral da direita ao pleito em 2026
Por Denise Miranda
Uma pesquisa recente da Quaest revelou que a pauta da segurança pública se tornou um terreno fértil para o crescimento eleitoral da direita. Segundo o levantamento, o governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta 60% de avaliação negativa nesse tema, contra apenas 18% de positiva — o pior desempenho entre todas as áreas avaliadas. O dado evidencia uma vulnerabilidade significativa do campo governista, justamente em um eixo que tende a dominar o debate político até 2026.
Mesmo com variações positivas em outros indicadores, o cenário geral segue indefinido. Em setembro, a Quaest registrou 46% de aprovação e 51% de desaprovação do governo federal. Já o PoderData, em outubro, mostrou 44% de aprovação e 51% de desaprovação — uma leve melhora em relação aos 42% e 53% do levantamento anterior. Os números sugerem mais estabilidade do que virada consolidada.
Analistas avaliam que há sinais de recuperação moderada, mas ainda insuficientes para sustentar um ciclo de crescimento político. Uma nova pesquisa de popularidade do governo está prevista para o dia 12 deste mês e deve ajudar a medir se essa tendência se mantém.
Para o analista político Darlan Campos, o movimento recente é resultado direto de um conjunto de fatores pontuais. “A pesquisa eleitoral é sempre um retrato do momento. E, claramente, há dois cenários: antes e depois do chamado ‘tarifaço’. O governo vinha em queda, mas medidas econômicas positivas e ações na área de segurança deram um impulso na percepção pública. Esse conjunto ajudou a estabilizar o desempenho governista no fim do ano, tornando o governo mais competitivo para 2026”, afirma.
Ainda assim, Campos considera que a reação é frágil e sujeita a reveses. “O cenário é momentaneamente favorável, mas imprevistos podem alterar tudo. O governo melhorou suas chances, mas continua diante de uma eleição competitiva e de vitória apertada para qualquer lado.”
Na avaliação do especialista em marketing político Rafael Leão, a leve recuperação de Lula é real, porém instável. “Ela reflete um período de menor turbulência: inflação controlada, ruído político reduzido e sequência de anúncios positivos, especialmente em programas sociais. É uma melhora sensível, mas não estrutural — sustentada mais pela ausência de crises do que por entusiasmo popular”, analisa.
Leão destaca que Lula segue competitivo nas simulações por causa do recall eleitoral e da força nas regiões Norte e Nordeste, mas ainda sem uma base de aprovação sólida. “Há uma dissociação entre gestão e confiança política. Muitos desaprovam o governo, mas não enxergam uma alternativa viável. Esse é o principal ativo de Lula neste momento”, acrescenta.
Mesmo com o avanço, a avaliação do governo segue próxima do limite de risco político. Interlocutores do Planalto consideram a faixa de 40% o ponto mínimo de sustentação para uma tentativa de reeleição. Abaixo disso, cresce a pressão por ajustes de rumo e pela reconfiguração da narrativa pública do governo.

