Luciano Hang: O polêmico “veio da Havan” conta um pouco de sua história

"Percebemos que as pessoas gostam de encontrar tudo em um só lugar e querem estar perto de suas casas"

“Com certeza um dos motivos para a Havan ser o sucesso que é hoje é o trabalho comprometido e sério dos nossos 16 mil colaboradores. A Havan não seria a Havan, com todo esse tamanho e 126 lojas, em 17 estados brasileiros, se não fossem os colaboradores.”

O empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamento Havan, acaba de entrar para a lista de magnatas feita pela Forbes. Segundo a revista, o brasileiro está na colocação 1.057, com uma fortuna estimada em US$ 2,2 bilhões (R$ 8,4 bilhões), e integra o seleto grupo de 18 novos bilionários do país. Ao todo, o “ranking da riqueza” da publicação norte-americana tem 58 brasileiros com impérios maiores que US$ 1 bilhão.

Com todo esse patrimônio, Hang se intitula um homem do povo. Não gosta de andar com roupas elegantes ou caras, participa de festas na casa dos amigos de infância, leva seus convidados – famosos ou não – para tomar um café na casa de sua mãe e nunca deixou sua terra natal, Brusque, em Santa Catarina.

O empreendedor também é um fenômeno de audiência. Desde que começou a se expor mais em seus canais de mídias sociais, mostrou ao público o grande comunicador que é, além de exibir sua vida de ativista político de competência, ajudando decisivamente na campanha de quem, na sua avaliação, fará um bom trabalho para o Brasil, o atual presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Ele próprio se chama de o “véio [sic] da Havan” e parece gostar de entrar em polêmicas. Uma das mais recentes envolve a âncora de telejornal do SBT, Rachel Sheherazade. No seu perfil no Twitter, em resposta à notícia de que a emissora havia reduzido o quadro de funcionários da área jornalística, ele parabeniza o dono, Silvio Santos, e sugere que ainda falta mais gente, como a apresentadora. “O jornalismo da grande mídia está todo contaminado com ideologias comunistas que destroem o nosso Brasil. Parabéns, Silvio Santos. Somos fruto do que plantamos no passado. O povo quer mudanças. Ainda falta mais gente para você demitir. Raquel é uma delas”, publicou.

Sheherazade também se manifestou, via redes sociais, dizendo: “Já está registrado! Empresário chantageia a emissora onde trabalho e ainda vem a público pedir cabeça de jornalista. Já vi esse filme antes. Mas, agora, vai ter processo @luciano_hang. Espere a notificação dos meus advogados”, respondeu a jornalista. E, como não gosta de deixar por baixo, Hang retrucou: “Rachel, não pedi a sua cabeça, estou apenas sugerindo, o que é bem diferente. Cada um faz o que quiser na sua empresa, mas, caso aconteça alguma coisa, você pode trabalhar na TV estatal cubana Cubavisión, lugar ótimo para quem pensa como você. Abraço do véio da Havan”.

Conheça um pouco da história de sucesso do “véio da Havan” nesta entrevista exclusiva.

Essa veia empreendedora que o senhor exala foi incentiva de alguma forma em sua infância ou adolescência?
O tino empreendedor despertou cedo. Aos 9 anos, quando eu me dei conta de que a falta de uma cantina na escola não era um problema, mas uma oportunidade. Com autorização da diretoria, passei a comprar balas e biscoitos no comércio para revender aos alunos. Fez tanto sucesso que, em poucas semanas, o fornecedor de doces começou a entregar de Kombi as minhas encomendas na escola, devido ao volume e diversificação de produtos.

“Percebemos que as pessoas gostam de encontrar tudo em um só lugar e querem estar perto de suas casas”

A energia é um dos seus traços de personalidade mais marcantes. A que se deve essa animação? E é ela seu “motor de arranque” para os negócios?
A inquietude é uma virtude dos empreendedores, e eu estava muito à frente do meu tempo para me contentar com um emprego em uma grande indústria. No início dos anos 80, aos 21 anos, comprei uma empresa, a Tecelagem Santa Cruz, à qual passei a me dedicar e fazer crescer, paralelamente à minha carreira na Renaux, empresa pela qual a mãe e o pai construíram sua carreira durante 30 e 40 anos, respectivamente, e companhia que me eu a oportunidade do primeiro emprego.

Em um período em que a economia retroagiu, a Havan cresceu. Como conquistou esse feito?
Nós sempre tivemos como foco o cliente. Percebemos que as pessoas gostam de encontrar tudo em um só lugar e querem estar perto de suas casas. Entendemos que poderíamos atender a essa demanda, suprindo os anseios dos clientes. Além disso, percebemos que existiam muitos lugares no Brasil que careciam de uma loja de departamentos completa como a nossa, onde oferecemos qualidade com preços justos e uma forma facilitada de pagamento. Por isso, nos tornamos a maior loja de departamentos do Brasil.

Como é a sua relação com os funcionários? É possível “se fazer presente” em todas essas lojas?  E com que frequência mínima visita as filiais?
Com certeza um dos motivos para a Havan ser o sucesso que é hoje é o trabalho comprometido e sério dos nossos 16 mil colaboradores. A Havan não seria a Havan, com todo esse tamanho e 126 lojas em 17 estados brasileiros, se não fossem os colaboradores. Eles desenvolvem papel fundamental no sucesso do empreendimento. Por isso, é necessário mantê-los sempre motivados, satisfeitos com a empresa onde trabalham. A dica que posso dar é que os empresários não subestimem seus colaboradores. Trabalhem sempre em conjunto com eles. Procuro visitar as filiais mensalmente.

“Aos empresários, persistência e força de vontade com tanta burocracia e entraves que encontramos no Brasil”

Publicamente o senhor já se posicionou como “politicamente incorreto” e “maluco”. O dono da Havan virou um personagem de seu negócio? Quais as vantagens e as desvantagens em assumir essa “maluquice”?
No começo, essa estratégia deu certo e foi bem importante para tornar o nome da Havan bem conhecido. No entanto, quando começamos a crescer, começaram a circular rumores de que a Havan era de um ou de outro. Disseram que era do filho do Lula, de que não era uma empresa brasileira. Por isso, fizemos a campanha para mostrar quem era o dono da Havan. A estratégia se mostrou acertada e, por isso, começamos a explorar a minha imagem. Mas isso só aconteceu depois que a Havan já era bem conhecida em todo o Brasil.

Quais posturas elencaria como fundamentais para um empresário seguir no caminho do sucesso no Brasil?
Persistência e força de vontade, para lidar com tanta burocracia e entraves que encontramos no Brasil.

Enquanto empresário, quais são as aptidões que o senhor espera de um funcionário?
Ele precisa ter proatividade e educação.

O senhor faria alguma coisa diferente na sua trajetória? Pensa em aposentadoria?Não faria nada diferente em minha trajetória e não penso em me aposentar. Eu sempre digo que a Havan é meu parque de diversões. Eu adoro acordar cedo e saber que vou para a Havan.

“Qualquer brasileiro pode chegar à Forbes, basta ser perseverante e ter coragem de investir”

No Espírito Santo, a Havan chegou primeiro a Linhares. Está satisfeito com o resultado? Podemos esperar outras lojas no Estado?
Sim, a cidade nos recebeu muito bem. Estamos viajando o Brasil inteiro em busca de novos terrenos para a instalação de mais lojas, e o Estado de Espírito Santo está em nosso radar para futuras instalações.

O senhor tem interesse em ter lojas fora do Brasil?
Não. O Brasil é enorme e aqui cabem muitas lojas da Havan ainda!

Recentemente o senhor entrou para a lista da Forbes com uma das maiores fortunas do Brasil, o que o pôs nos holofotes de uma maneira diferente, inclusive com projeção internacional. Como está lidando com esse novo lugar que o colocaram?
Recebi a notícia com muita alegria e humildade. A colocação é consequência de anos de trabalho árduo. De muita persistência, disciplina e resiliência. Qualquer brasileiro pode chegar à Forbes, basta ser perseverante e ter coragem de investir. Vou continuar investindo cada centavo em abertura de mais e mais lojas, pois eu não trabalho por dinheiro, trabalho pelo meu objetivo de vida, que é distribuir minha fortuna por meio de empregos e salários.

“A dica que posso dar é de que os empresários não subestimem seus colaboradores”

O senhor ganhou bastante visibilidade no período das eleições presidenciais e mantém hoje forte ativismo político em seus canais sociais. O que despertou esse lado militante? Pretende concorrer a algum cargo político?
Queremos um Brasil melhor, mais desenvolvido, com melhores oportunidades para todos. Eu me posicionei para mostrar a nossa responsabilidade em saber acompanhar, fiscalizar e cobrar os eleitos, durante os próximos quatro anos, para que trabalhem pelo povo brasileiro, com respeito, dignidade e competência. Não pretendo concorrer a nenhum cargo político.

Uma curiosidade: por que a estátua da liberdade foi escolhida como marca registrada da Havan?
A estátua representa a liberdade que os clientes têm em optar por comprar na Havan.

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