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sexta-feira, 28 fevereiro, 2020

Pet – Um mercado sem crise

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Segmento cresce na mesma proporção que o amor dos tutores por seus “filhos”

A gente ama, cuida e não vive sem. Sendo eles pequenos, peludinhos e fofinhos, fica ainda mais difícil se separar. E se dão aquele sorriso para uma foto ou completam mais um ano de vida, aí é impossível não comemorar. É claro que estamos falando dos pets. E se você conta com o privilégio de ter um deles por perto, pode ter certeza de que é uma amizade muito sincera!

A DogHero, empresa responsável por uma plataforma on-line que conecta donos de cachorros a gente que oferece serviço de hospedagem ou passeios, realizou uma pesquisa com 700 pessoas. Desse total, 66% consideram seus animais como filhos.

Pet, negócios, economia.
“O pet shop está em constante ascensão. Oferecemos diversos serviços em um único espaço” – Amanda Bolsoi, médica veterinária

“Sempre amei animais. Na infância e na adolescência tive gatos e cachorros. Hoje sou mãe da Amora (sim, mãe de bicho também é mãe). Foi amor à primeira vista. Tive um pouco de receio no início, pois moro em apartamento e trabalho fora o dia todo e, quando a adotei, viajava muito a trabalho. Hoje é um grude!”, diz a jornalista Márcia Almeida.

População animal

Em 2018, a estimativa da população pet brasileira era de 139,3 milhões de animais, de acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB). Foram contabilizados no país 54,2 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos. Mundialmente, as estatísticas apontam que o contingente chega a 1,6 bilhão.

“Sempre amei animais. Na infância e na adolescência, tive gatos e cachorros. Hoje sou mãe da Amora (sim, mãe de bicho também é mãe). Foi amor à primeira vista!” – Márcia Almeida, jornalista

O destaque vai para o crescimento de casas que escolhem o gato. No acumulado, o grupo desses felinos foi o que mais cresceu, com alta de 8,1% desde 2013. A estilista Danieli Coser Zanom, por exemplo, é tão apegada a eles que adotou sete gatinhos. E a vontade de cuidar é sempre maior, acrescenta: “O desejo de sair adotando os que ficam na rua é grande. Por mim teria vários. Simplesmente adoro”.

Pet, negócios, economia.
“No espaço, os animais são acompanhados por mim e por uma equipe capacitada a cuidar deles. É como se estivessem realmente em casa” – Melissa Ferreira, proprietária do DogHotel Dra. Melissa

Mercado

O mercado pet vem apresentando um aumento considerável ao longo dos anos. A expectativa é fechar este ano com um faturamento de R$ 36,2 bilhões, segundo o IPB. A projeção representa elevação de 5,4% sobre o valor consolidado de 2018, de R$ 34,4 milhões. Caso se confirme, estará configurada uma expansão de 49% em sete anos.

Companhias brasileiras de diversos segmentos buscam atrativos a fim de oferecer o que há de melhor nos cuidados com os animais, expondo suas linhas de produtos em feiras dentro e fora do país, como a Global Pet Expo, que acontece anualmente nos Estados Unidos. A iniciativa da participação na exposição é do IPB em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“O amplo interesse de compradores internacionais mostra que os empresários e a indústria pet brasileira podem ganhar cada vez mais espaço mundo afora”, comenta o conselheiro de Comércio e Serviços do Instituto Pet Brasil, Nelo Marraccini.

Destaques

Segundo ele, o segmento de pet food deverá se manter como o grande destaque neste ano. A expectativa é fechar 2019 com faturamento de R$ 16,14 bilhões (ou 44,6% sobre o valor total). Vendas totais de animais ficam em segundo lugar, com projeção de R$ 4,41 bilhões (12,2%).

Já os serviços veterinários representam 11,7%; serviços gerais, 11,3%; e produtos veterinários, 11,1%. Fechando a conta vêm o pet care (higiene, beleza, equipamentos e utilidades), com 5,1%, e o comércio eletrônico, com 4%.

Pet, negócios, economia.
“O amplo interesse de compradores internacionais mostra que os empresários e a indústria pet brasileira podem ganhar cada vez mais espaço mundo afora” Nelo Marraccini, conselheiro de Comércio e Serviços do Instituto Pet Brasil – Foto: Divulgacao

A Pet Society possui a linha Soft Care, cujo conceito de prevenção de doenças já está sendo sucesso nos mercados europeu e norte-americano. A empresa exporta seus produtos para 15 países. “O pavilhão brasileiro e a iniciativa do Instituto Pet Brasil são importantíssimos para o desenvolvimento do setor e ajuda a indústria brasileira a alcançar um patamar global de qualidade e compromisso com os tutores e seus animais”, opina a vice-presidente da empresa, Marly Fagliari.

Pet shops

Atualmente existem 100 mil pontos de venda de produtos direcionados aos bichinhos no país, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação no Brasil (Anfalpet). E, aproximadamente, 40 mil são pet shops.

A médica veterinária Amanda Bolsoi aproveitou essa oportunidade e abriu há um ano e dois meses o My Pet, localizado em Itapuã, Vila Velha. Ela pontua que é uma excelente oportunidade para crescimento profissional e pessoal, além de agregar valor aos
serviços prestados.

Pet, negócios, economia.
“O desejo de adotar os gatinhos que vejo na rua é grande. Simplesmente adoro” – Danieli Coser Zanom, estilista

“O pet shop está em constante ascensão. Hoje se tornou uma tríade, pois oferecemos rações, brinquedos e acessórios, alinhados a banho e tosa, além do consultório veterinário”, afirma Amanda. Ela explica ainda que a presença do médico veterinário é importante para avaliar a saúde e bem-estar dos pets, além de auxiliar a equipe do banho e tosa para alguns cuidados e prevenção de possíveis anormalidades, como otite causada pela umidade na hora do banho.

Novas tecnologias

Quem acha que a tecnologia é algo apenas para humanos está muito enganado. Visando a alcançar cada vez mais esse setor, empresas oferecem produtos que garantem melhor qualidade de vida aos pets. E os produtos vão desde alimentação a cuidados com a higiene.

A médica veterinária Manoela Pimentel orienta que é necessário seguir a recomendação de quantidade diária de alimento a ser oferecida. “A ração grain free (livres de grãos) respeita a natureza carnívora dos cães e gatos, com formulações que não apresentam cereais, ou trazem uma quantidade reduzida”.

Ela acrescenta que esses animais não possuem a enzima amilase na saliva. “Isso faz com que demorem mais tempo para digerir o amido. Por isso, ela se acumula no organismo em forma de triglicérides”.

Chipados

Outra tecnologia que tem chamado muito a atenção dos profissionais é o microchip para identificação. A PetSalut, empresa que atua com planos de saúde animal, adotou esse recurso. Nele, há um conjunto de códigos numéricos único com as informações sobre o bicho, como meio de contato com o dono, raça, porte e idade, entre outros
dados relevantes.

Segundo o gerente de expansão da empresa, Thiago Bassetti, esse recurso surgiu para auxiliar nos atendimentos aos pacientes do plano. “Como os pets não têm digitais cadastradas para identificação, utilizamos microchips. A cápsula é introduzida no corpo do animal, à altura do pescoço, e é empurrada na pele com a ajuda de um injetor”, conta.

“Como os pets não têm digitais cadastradas para identificação, utilizamos microchips” – Thiago Bassetti, gerente de expansão da Pet Salut

Xixi fora do lugar? Esse foi o gatilho que levou a Dog’s Care a produzir fraldas para cães. Com a tecnologia cotton like, a mesma usada em produtos para bebês, os produtos são revestidos por uma camada absorvente na parte interna, que impede que o xixi entre em contato com o pelo e a pele do cão, deixando-o mais seco, além de evitar possíveis assaduras.

“Foram mais de 18 meses de intensas conversas com veterinários e com um terapeuta comportamental especialista em pets para entender qual seria o melhor formato anatômico, e encontramos”, salienta a cofundadora e CMO da startup, Ana Carolina Vaz.

Pet friendly

Muitos estabelecimentos têm adotado a cultura pet friendly, que se refere à otimização dos ambientes, capacitando-os a receber animais de estimação sem causar problemas ao dono ou ao proprietário do local.

Inaugurado em 2017, o Pet Park Shopping Vila Velha recebeu uma grande reforma e ganhou mais espaço. Agora são 800 metros quadrados de muito entretenimento em um playground construído e adaptado pensando exclusivamente na diversão e no conforto dos animais e seus donos.

“O parque foi inspirado em um playground infantil, com todos os brinquedos ricos em detalhes e bem coloridos, mas com formatos de patinhas e ossinhos para se adequar ao público”, afirma a gerente de Marketing do Shopping Vila Velha, Manuela Dias.

Já o Pracão é um espaço administrado pela Prefeitura de Vitória e exclusivo para convivência canina. Ao todo, são sete locais espalhados pelo município, em que os cães contam com brinquedos específicos como manilhas, labirintos com estacas de madeira, pneus e obstáculos. E os donos podem fazer alguma atividade ou se divertir com seu pet.

Pet, negócios, economia
A bio urna é um recipiente 100% biodegradável em que se colocam as cinzas do cão ou do gato. Pode ser cultivada em vasos ou jardins, com a semente de sua preferência

Serviços

O amor aos bichinhos é tão grande que, às vezes, muitos donos querem eternizar esse sentimento. Um fotolivro, um relicário ou uma urna para colocar as cinzas do pet são algumas opções. O Crematório Céu de Patas, localizado no Alphaville Jacuhy, na Serra, adotou o conceito da biourna, uma espécie de recipiente 100% biodegradável em que se colocam as cinzas do cão ou do gato.

“Uma das premissas é proporcionar a continuidade da vida. A outra é o valor sentimental e espiritual. A urna pode ser fabricada com material orgânico, vem com sementes de mirabilis e pode ser cultivada em vasos ou jardins. Assim, nascerá outra vida naquele lugar”, comentou a administradora do crematório pet, Bárbara Checon.

Atuando há 15 anos como fotógrafo, Everton Nunes foi um dos primeiros a se especializar no segmento pet. Além das fotografias tradicionais, ele oferece produtos como o “pet book”, uma espécie de fotolivro no qual conta a relação de amizade entre o dono e o animalzinho com frases, fotos e histórias curiosas, entre outras coisas.

“Não tenho nem palavras para expressar como é importante esse trabalho. A cada book entregue eu vejo nos olhos dos donos o amor que eles têm por seus ‘filhos’. São momentos que ficam eternizados”, descreve.

Agora, se vai viajar e não sabe onde deixar o seu “melhor amigo”, uma opção é o DogHotel Dra. Melissa, localizado em Jardim Camburi, Vitória, que foi planejado para garantir o conforto, a higiene e a segurança do seu animalzinho.

“A estrutura do nosso hotel é uma área fechada em que eles podem brincar à vontade. Eles são acompanhados por mim e por uma equipe técnica e são muito bem cuidados. É como se estivessem realmente em casa”, observa a médica veterinária e proprietária do espaço, Melissa Ferreira. O espaço oferece o serviço de day care, que funciona como creche, facilitando a vida do tutor.

Pet, negócios, economia
“Um medicamento manipulado sai quase 30% mais barato do que os que são vendidos nos pet shops ou casas especializadas. Além disso, a embalagem é personalizada com o nome do animal, pois ele é o nosso cliente” – Josiany Chiabai Bassini, farmacêutica da Vida Animal

Pet dodói

O setor farmacêutico também vem seguindo a tendência. Há sete anos atuando no segmento, a farmácia de manipulação Vida Animal se destaca ao oferecer medicamentos para cães e gatos, apesar da crise econômica pela qual passa o país. A farmacêutica responsável pelo local, Josiany Chiabai Bassini, destaca a vantagem na manipulação dos medicamentos.

“Um medicamento manipulado sai quase 30% mais barato do que os que são vendidos nos pet shops ou casas especializadas. Além disso, a embalagem é personalizada com o nome do animal, pois ele é o nosso cliente. E a dosagem vai de acordo com o peso do bichinho justamente para não sobrar ou até mesmo ser mais fácil administrá-la”, explica Josiany.

A Vet Vix é outro bom exemplo dessa pujança do setor. É uma farmácia de manipulação também com sete anos de mercado. “Trabalhamos com remédios prescritos via oral e homeopáticos (florais). Também trabalhamos com ativos e fórmulas de uso transdérmico”, elenca a farmacêutica e proprietária, Danielly Menegheli Cardoso.

Ela confirma o crescimento do mercado de farmácias para animais ao longo dos anos. “Tem muito ainda o que crescer, mas há espaço para que isso aconteça. Para isso, é importante que haja especialização, que se entenda do mercado e das necessidades dos animais”, destaca ela.

Pet, negócios, economia
“São considerados exóticos os animais que mesmo que se reproduzindo no Brasil são originários de outro país” – Eduardo Lázaro, médico veterinário

Exóticos

Apesar de a maioria dos pets serem cachorros ou gatos, 2,21 milhões de répteis e pequenos mamíferos são tratados como animais de estimação no Brasil. E a cada dia cresce o número de pessoas que buscam pelos animais silvestres, que podem ser classificados como exóticos e selvagens.

O médico veterinário Eduardo Lázaro, que atua exclusivamente com animais exóticos, explica a diferença. “São considerados exóticos aqueles que mesmo que se reproduzam no Brasil são originários de outro país, como as calopsitas, que são naturais da Austrália”, diz.

Amiga cobra

E há aqueles que apreciem um réptil e paguem para tê-lo com a licença adequada, fornecida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos renováveis (Ibama). É o caso do analista de sistemas Gabriel Mafioletti, que possui uma jiboia arco-íris da Caatinga legalizada.

“Sempre gostei de bichos diferentes, por isso busquei informações sobre como adquiri-la. Entrei em contato com um grupo especializado em Minas Gerais para isso. Fiz o registro, paguei todas as taxas e o frete, e ela foi entregue em minha residência. Ela possui um microchip de identificação, um documento com a foto e todas as descrições desde quando a comprei”, conta.

Eduardo Lázaro reforça que esta é a melhor opção de animal de estimação para quem não tem disponibilidade de tempo. “Para quem viaja bastante ou não fica muito em casa, criar uma serpente é o ideal. Ela se alimenta uma vez por mês e pode ficar até dois sem alimento, além de não sofrer por falta de companhia”, acrescenta.

A tecnóloga em Logística Lorena Fraga também é apaixonada por animais, mas sempre teve fascínio pelos exóticos. “Atualmente tenho cinco calopsitas e um jabuti-piranga. Antes deles eu também tive coelhos, codornas e um galo pequeno. Sempre gostei dos bichos diferentes”, finaliza.

Na edição digital de ES Brasil, você confere informações do Ibama do que é necessário para ter um animal silvestre. Vai conhecer ainda os pets famosinhos da internet, além de vídeos e uma galeria de fotos especial.

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