- Continua após a publicidade -

Lei que restringe atividades sobre gêneros em escolas gera polèmica no ES

Proposição sancionada pela Ales nesta semana gerou repercussão negativa entre docentes e parlamentares; Sedu afirmou que é contrária a Lei, mas vai cumprir medida 

Por Robson Maia

A Lei recém sancionada pela Assembleia Legislativa (Ales), que garante o direito a pais e responsáveis de decidir sobre a participação de seus filhos em atividades escolares que abordam temas relacionados à identidade de gênero, segue gerando polêmicas. Por meio de nota, a Secretaria de Educação (Sedu) afirmou que cumprirá a determinação, apesar de ser desfavorável.

A legislação determina que quando houver atividade pedagógica nesse sentido, as escolas públicas e privadas deverão informar aos pais ou responsáveis. A concordância ou a discordância quanto à participação do aluno deverá ser feita por escrito e assinada.

- Continua após a publicidade -

Em nota, a Sedu afirmou que discorda da proposta que foi sancionada pelo presidente da Ales, deputado Marcelo Santos, do União, após a não manifestação do governador Renato Casagrande, do PSB, no prazo previsto na Lei. Contudo, a pasta informou que cumprirá a determinação.

“Mesmo não tendo concordado com a proposição legislativa, conforme manifestação oficial enviada pela Sedu durante a tramitação do projeto, a secretaria reitera seu compromisso institucional com o cumprimento das normas legais vigentes”, diz trecho da nota da Sedu.

Com mudança, órgão passa a ter 1250 cargos de Agente de Suporte Educacional
Sedu afirmou que é contrária à medida –
– Foto: Reprodução / Sedu

Na Ales, a deputada estadual Camila Valadão, do Psol, criticou a medida, acusando a nova legislação de gerar censura.

“Um absurdo. A Lei de Censura nas Escolas foi sancionada no ES! Um projeto que proíbe o debate sobre igualdade de gênero e diversidade nas escolas virou lei. É um ataque direto à liberdade de ensinar e aprender!”, disse a deputada nas redes.

- Continua após a publicidade -

A parlamentar, que votou contra a proposta, afirmou que estuda ações para invalidar a medida.

“Votei contra essa proposta e me posicionei com firmeza em plenário. Mas o governador lavou as mãos e deixou que o presidente da Assembleia sancionasse a lei, proposta por um deputado conservador. Esse tipo de projeto tenta calar professoras e professores, criminalizar o debate e apagar o direito a uma educação crítica, plural e cidadã. Por isso, estamos tomando todas as medidas cabíveis para barrar esse retrocesso, inclusive uma AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE! Não vamos permitir essa ameaça à liberdade de cátedra nas escolas do Espírito Santo!”, disse Valadão.

Conteúdo em Alta

Vitória anuncia novos gestores municipais
Projeto de Lei quer Dia das Mães e...
Projeto de Lei prevê abatedouro para descarte de...
Capacitação de servidores contra violência à mulher
Mulheres têm menos filhos e adiam maternidade no...
Violência contra a mulher também é papo de...
Nova lei define quantidade mínima de cacau nos...
Nossa Bolsa 2026 oferece 1.000 vagas e mais...
Marcha dos Municípios mobiliza mais de 10 mil...
Ales celebra o Dia da Proclamação do Evangelho

Proposta foi apresentada por deputado da extrema-direita

A nova lei origina-se do Projeto de Lei (PL) 482/2023, do deputado Alcântaro Filho, do Republicanos, e foi publicada no Diário do Poder Legislativo (DPL) de segunda-feira (21). A norma considera os seguintes temas relacionados à identidade de gênero: orientação sexual, diversidade sexual, igualdade de gênero, entre outros. 

A escola que não cumprir a norma poderá ser responsabilizada civil e penalmente. A lei estabelece que as sanções serão regulamentadas pelo Executivo em até 90 dias após a publicação. Na justificativa da matéria, o parlamentar argumentou que, em muitos casos, essas atividades “possuem caráter doutrinário, já que a exposição a esse tipo de conteúdo pode em muito moldar o caráter, valores e outras visões de mundo das crianças e adolescentes”.

- Continua após a publicidade -

Na Ales, a proposta foi analisada pelas comissões de Justiça, Direitos Humanos, Educação, Proteção à Criança e ao Adolescente e Finanças. Durante a sua tramitação, recebeu emenda do próprio autor. 

A redação final foi aprovada em 24 de junho e encaminhada ao governador Renato Casagrande (PSB) para análise. Como não houve manifestação do Executivo no prazo de 15 dias, a lei foi promulgada pelo presidente da Ales, Marcelo Santos (União), seguindo o que estabelece o artigo 66 da Constituição Estadual.

Confira a nota completa da Sedu

“Mesmo não tendo concordado com a proposição legislativa, conforme manifestação oficial enviada pela Sedu durante a tramitação do projeto, a secretaria reitera seu compromisso institucional com o cumprimento das normas legais vigentes. A manifestação contrária da Sedu, à época, destacou a importância do respeito às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do currículo do Espírito Santo, que orientam uma formação integral e cidada, e reforçou a defesa da autonomia pedagógica das escolas e profissionais da educação”, diz a Sedu.

Leia Mais

Sommerfest ganha reconhecimento cultural no ES
Governo recebe aval da Ales para empréstimo de...
Ales cria frente para esporte amador
Projeto de Lei quer rede de apoio a...
TRE-ES inaugura exposição sobre Guerra do Contestado
Quando o termostato revela desigualdades cognitivas de gênero
Empresas devem informar direito a exames na CLT;...
Fapes detalha edital de Letramento Científico. Confira os...
Vila Velha investe R$ 9,4 mi em proteção...
Assembleia repercute parecer favorável à lei estadual questionada...

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Política e ECONOMIA

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -