Durante o ESTour, o presidente da Embratur, Bruno Reis, afirmou que o ES já integra estratégia para viabilizar voo direto internacional, com foco no mercado argentino
Por Thamiris Guidoni
O Espírito Santo entrou no radar da estratégia nacional de internacionalização do turismo e já trabalha para viabilizar seu primeiro voo direto internacional. O tema foi destaque durante o ESTour – Salão Capixaba do Turismo, realizado em Vitória, e integra a articulação entre o governo do estado e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, afirmou que o estado reúne condições estruturais para avançar na pauta. “Nós temos aqui no Espírito Santo um dos três melhores aeroportos do Brasil. Temos infraestrutura e estamos trabalhando com a Embratur para que possamos ter voo internacional aqui. Tenho muita confiança e convicção de que isso vai acontecer”, disse.
Estratégia nacional inclui o Espírito Santo
A construção desse cenário passa pelo Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI), apresentado pelo presidente da Embratur, Bruno Reis. Segundo ele, o programa já resultou na abertura de novas rotas internacionais no país e agora inclui o Espírito Santo na estratégia.
“A gente desenhou, em 2024, o PATI. Com isso, uma série de voos foram, de fato, inaugurados em linha direta. Eu cito, por exemplo, Paris-Salvador com a Air France, Madri-Fortaleza e Madri-Recife com a Iberia. Isso é fruto de um trabalho de articulação com os governos estaduais, e o Espírito Santo agora passa a fazer parte dessa estratégia em conjunto”, afirmou.
De acordo com Reis, o foco inicial está no mercado sul-americano, especialmente na Argentina, com possibilidade concreta de avanço no curto e médio prazo.
“A gente consegue desenhar, principalmente para o mercado argentino, a possibilidade de um voo direto. A Zurich, que é a operadora, também está muito imbuída com o trade capixaba, então estamos com uma expectativa muito boa de poder fazer algum anúncio na FIT Argentina, que acontece no segundo semestre”, disse.
O plano também considera a atuação de companhias de baixo custo e a diversificação de mercados emissores. “A gente está entendendo que as low cost na América do Sul, incluindo o mercado chileno, também podem ser uma possibilidade. Mas veja: Uruguai e Paraguai também são mercados que têm interesse em estimular produtos novos”, explicou.
Nesse contexto, o Espírito Santo passa a ser tratado como um novo produto no portfólio internacional. “O mais importante é que o Espírito Santo se torna um produto novo na prateleira. A possibilidade de operadores internacionais explorarem esse destino é muito grande, porque o custo-benefício fica muito positivo”, destacou.
A estratégia envolve não apenas a atração de voos, mas a construção de uma base comercial e promocional consistente. “É o trabalho que a gente quer fazer em conjunto com o governo do estado, com o Sebrae e com o trade, para que a gente tenha, de fato, a primeira aeronave chegando aqui no aeroporto de Vitória”, afirmou.
Além da articulação aérea, o plano apresentado pela Embratur prevê ações práticas de promoção internacional. Segundo Reis, o próximo passo será a execução de estratégias operacionais voltadas à conversão de mercado.
“O compromisso agora é sair do plano estratégico e avançar para o tático e operacional. Para o mercado argentino, já alinhamos com o governo do estado, com o Sebrae e com o trade uma série de ativações, como workshops, roadshows e uma grande ação de promoção”, disse.
O lançamento oficial do Espírito Santo no mercado internacional deve ocorrer ainda este ano, durante a FIT Argentina. “A gente vai promover os produtos, principalmente experiências como o turismo do café, e esse lançamento acontece de maneira oficial na FIT Argentina, onde também poderemos anunciar novidades em breve”, concluiu.
Feira deve ganhar novas edições e até formato itinerante
O sucesso da primeira edição do ESTour já projeta desdobramentos para os próximos anos. Segundo o presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures), Valdeir Nunes, a expectativa é de continuidade do evento, com possibilidade de expansão. “A feira surpreendeu a todos nós. Desde o início sabíamos que teríamos sucesso, porque foi muito bem planejada”, afirmou.
De acordo com ele, a programação foi estruturada em etapas, priorizando inicialmente o trade local e, na sequência, operadoras e agentes de viagem, o que ampliou a movimentação e o alcance do evento. “Hoje a movimentação é outra. É um negócio extraordinário. As pessoas chegam e ficam surpresas com o que encontram aqui”, disse.
O bom desempenho também motivou a decisão de ampliar a programação e abrir o evento ao público. “Prorrogamos a feira até quarta-feira, quando estará aberta à população capixaba. Isso porque gerou curiosidade, o público quer conhecer”, explicou.
Para as próximas edições, o formato ainda está em avaliação, mas já há discussões sobre periodicidade e até itinerância. “Já se projeta outra feira, mas ainda estamos estudando. Pode ser anual, pode ser a cada dois anos, ou até acontecer em outros lugares. Tudo isso ainda está sendo analisado”, completou.
Negócios e conexões marcam primeiros dias do evento
A movimentação entre operadoras e agentes de viagem já mostra o impacto do ESTour no setor. Para o superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo, o evento cumpre seu principal objetivo ao aproximar o mercado nacional dos atrativos capixabas. “O primeiro dia com operadoras nacionais e agentes de viagem tem sido encantador, porque o Brasil está fazendo negócio com o Espírito Santo”, afirmou.
Segundo ele, o ambiente criado pelo salão favorece o contato direto entre quem vende e quem estrutura o destino. “São os nossos atrativos, os nossos empreendedores, os receptivos e o setor hoteleiro conversando com o Brasil, fazendo negócio com o Brasil”, destacou.
Para Rigo, esse movimento é estratégico para consolidar o estado no cenário nacional. “Esse é o objetivo do ESTour: colocar o Espírito Santo no radar do turismo nacional”, completou.

