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terça-feira, 9 agosto, 2022

Especialista avalia cenário econômico mundial

Lira Mota apresentou a palestra "The Cross-section of Risk and Returns", durante o Encontro Brasileiro de Finanças na Fucape. Foto: Divulgação/Fucape

Pós-doutora pela Universidade de Princeston, a especialista em finanças, Lira Mota, concede entrevista exclusiva para o portal ES Brasil

Por Amanda Amral

Uma das maiores especialistas em mercado financeiro do mundo participou, na tarde desta quinta-feira (28), do maior evento de finanças do Brasil, ao lado de outros nomes de renome internacional na área.

O Encontro Brasileiro de Finanças acontece na Fucape Business School até sábado (30). A brasileira Lira Mota é pós-doutora em Finanças pela Universidade Princeton e professora assistente de Finanças na MIT Sloan School of Management.

Atualmente, Lira Mota pesquisa sobre precificação de ativos, mercado de crédito e política monetária. No evento, a especialista apresentou a palestra “The Cross-section of Risk and Returns”. Após, conversou com exclusividade com o portal ES Brasil sobre o cenário econômico mundial e possibilidades de investimentos no momento.

Comente um pouco sobre a sua palestra, que aborda a questão do cross-section de risco e retorno.

Existe muito a ideia de fazer investimentos quantitativos, usando informações disponíveis ao investidor e portfólios com grande quantidade de informações, mas que pode ser facilmente implementado. A minha palestra é sobre como fazer isso de uma ótima forma, no sentido de maximizar o seu retorno, minimizando os riscos. Contudo, calcular o risco é muito difícil. Então, proponho usar características que preveem retorno e criam portfólios que tenham exposição à estas características, mas também podendo utilizar a informação sobre uma matriz de covariância para minimizar os riscos.

Nestes seis meses de 2022, ainda sobre os impactos da pandemia da Covid-19, o mundo assistiu ao início de um conflito entre Ucrânia e Rússia, o que abalou a avaliação de risco em vários países, acirrando uma pressão inflacionária. Como fica a precificação de ativos neste cenário?

Este é um momento de turbulência, de maior volatilidade no mercado de ações. Como investidor é muito difícil prever como será esse impacto no portfólio. A minha pesquisa é justamente sobre isso. Qualquer método de diversificação hoje é interessante justamente por causa desse período.

Alguns países, entre eles os EUA e o Brasil, tem subido as taxas básicas de juros como medida para conter esse período inflacionário. Essa tendência deve continuar ao longo de 2022?

Hoje em dia a principal tarefa do Banco Central é controlar a inflação. Acredito que o banco central americano vai fazer o possível para isso, se a solução é o aumento da taxa, ele continuará aumentando. Com certeza, há o risco da inflação, como vários ativos estão expostos a este risco, isso está na mente do investidor. Inflação nos EUA é algo que não se via há 20 anos, então muda o foco de quem está investindo. Existem vários trabalhos recentes de como o investidor pode mediar tais riscos.

Além dos “green bonds”, chamados de títulos verdes, quais são as outras tendências desse mercado?

Claro, existe a questão dos investimentos sustentáveis, os títulos ESG – Environmental, social and Governance, mas nos EUA, há os ativos remediados da inflação, porque diferente do que ocorre no Brasil, os TIPS – Tresury Inflation-Protected Securities, não eram tão movimentados nos EUA, mas devido a inflação começaram a ganhar destaque.

 

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