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sábado, 18 maio, 2024

ES reduz a pobreza mas região Sul começa a preocupar

Estado retirou mais de 139 mil pessoas da pobreza e 58 mil saíram da extrema pobreza

Por Kebim Tamanini

Em março, a revista ES BRASIL abordou o estado da pobreza e da extrema pobreza no Espírito Santo, com dados positivos na época. Na tarde desta terça-feira (23), o governo do Estado, em coletiva de imprensa, apresentou confirmando este avanços com os resultados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), onde ficou claro que a pobreza reduziu em 3,6 pontos percentuais, enquanto a extrema pobreza diminuiu em 1,4 pontos percentuais em 2023 em comparação com o ano anterior. A dúvida agora é: onde estão essas pessoas e o que vem sendo feito para colher esses resultados positivos?

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Inicialmente, é importante esclarecer onde se inicia a linha de pobreza e extrema pobreza. Segundo valores classificados pelo Banco Mundial em 2023, a linha de pobreza se inicia quando a pessoa ganha menos que R$ 664,02 por mês, enquanto a linha de extrema pobreza inclui aqueles que ganham abaixo de R$ 208,42 mensais.

Enquanto o Brasil registrou, segundo o PNAD, taxas de 27,5% e 4,4% para pobreza e extrema pobreza, respectivamente, o Espírito Santo apresentou índices de 22,8% e 2,7%. Ao analisar os números absolutos, entre os anos de 2022 e 2023, o Brasil conseguiu retirar cerca de 8,5 milhões de pessoas da condição de pobreza, enquanto no Espírito Santo foram mais de 139 mil indivíduos beneficiados por essa melhoria nas condições socioeconômicas.

Além disso, em relação à extrema pobreza, o Brasil registrou uma redução de 3,1 milhões de pessoas nessa situação, enquanto no Espírito Santo quase 58 mil indivíduos deixaram de viver em extrema pobreza.

“Esses números refletem não apenas o impacto das políticas sociais implementadas, mas também a importância de um esforço contínuo e coordenado entre os diferentes níveis de governo, instituições e a sociedade civil para enfrentar o desafio da pobreza e da desigualdade”, relatou o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, durante a coletiva de imprensa realizada nesta terça (23).

Estado retirou mais de 139 mil pessoas da pobreza e 58 mil saíram da extrema pobreza
Diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira. Foto: Divulgação

“Os dados históricos revelam que tanto o Brasil quanto o Espírito Santo atingiram as menores taxas de pobreza e extrema pobreza dos últimos 11 anos em 2023. Esses resultados indicam que ambos seguem na tendência de redução da pobreza, representando um avanço significativo”, explica o diretor-presidente do IJSN.

Comparando a renda média do Brasil e do Espírito Santo, observa-se que a média capixaba, de R$ 2.907,00, está acima da média nacional, que ficou em R$ 2.846,00.

Onde estão essas pessoas

Quanto à distribuição geográfica das pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza no Espírito Santo, observou-se uma mudança ao longo dos anos. Enquanto anteriormente havia uma maior concentração no Norte e Noroeste do Estado, atualmente essa concentração se evidencia mais ao Sul do ES. Os números aprofundados da pesquisa por município serão divulgados em breve.

“Essa análise regional é importante para compreendermos as dinâmicas da pobreza em nosso Estado. A tendência de deslocamento da pobreza para o Sul já é observada há alguns anos e é acompanhada por meio de relatórios como o caderno da pobreza”, pontua Lira.

O diretor-presidente do Instituto Capixaba esclareceu que é nas áreas urbanas, principalmente na região metropolitana, onde a desigualdade é mais evidente, com áreas muito privilegiadas próximas de áreas com déficits históricos em políticas urbanas e crescimento desordenado que o Estado enfrentou.

Estado retirou mais de 139 mil pessoas da pobreza e 58 mil saíram da extrema pobreza
A disparidade geográfica também é refletida na distribuição de renda e na segregação socioespacial. Foto; Agencia Brasil

Meta Estratégica do Espírito Santo

Os órgãos estaduais possuem desde 2023 uma meta estratégica para reduzir ainda mais os índices de pessoas na pobreza e extrema pobreza no Espírito Santo. “Essa meta ambiciosa foi estabelecida durante o último mandato, em 2023, como parte de uma estratégia abrangente para os próximos anos. Implementamos diversas estratégias para alcançar resultados sólidos, não apenas em momentos de dificuldade”, esclarece a Secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), Cyntia Grillo que participou da coletiva de imprensa.

Motivos para os resultados positivos

Diversas estratégias foram implementadas para alcançar esses resultados, incluindo investimentos em programas de qualificação profissional e iniciativas de transferência de renda. No ano de 2023, mais de 37 milhões de reais foram investidos em transferências diretas de renda para famílias em situação de extrema pobreza, enquanto o “Cartão Reconstrução” ajudou aqueles afetados por desastres naturais, como as chuvas de final de 2022, com um investimento adicional de aproximadamente 42 milhões de reais.

Além disso, o Estado tem implementado o programa Compra Direta de Alimentos (CDA), que consiste na compra direta de alimentos e tem sido fundamental não apenas para apoiar os agricultores familiares e os municípios, mas também para reduzir a pobreza e a extrema pobreza, especialmente entre aqueles em situação de insegurança alimentar e nutricional.

“Esses investimentos têm proporcionado resultados significativos, como evidenciado pela redução da taxa de extrema pobreza em 1,4 pontos percentuais no Espírito Santo. O Estado também se destaca por apresentar o quinto maior declínio absoluto da extrema pobreza no país, com uma redução de 34,2% em números absolutos”, enfatiza Grillo.

Estado retirou mais de 139 mil pessoas da pobreza e 58 mil saíram da extrema pobreza
Secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), Cyntia Grillo. Foto: Secom ES

Perspectivas para o futuro

Especialistas afirmam que, se seguir essa tendência dos últimos anos e não houver nenhum fator disruptivo, como a crise entre os anos de 2014 e 2015, ou mesmo a pandemia que elevou os índices da pobreza e extrema pobreza, o Espírito Santo poderá alcançar a taxa de extrema pobreza, com o indicador próximo de 1%.

“Seguindo essa tendência, nos próximos anos é possível que o Espírito Santo, que já está abaixo da média nacional, se aproxime de uma taxa de extrema pobreza de 1%, o que seria um grande avanço se considerarmos o aumento dessas taxas nos últimos anos. No entanto, é importante dar continuidade e intensificar as políticas públicas de assistência social e transferência de renda, combinadas com um cenário econômico que favoreça a geração de emprego e renda”, reflete Pablo Lira.

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