Eixo do planejamento até 2035, a agricultura sustentável articula inovação, renda rural e adaptação climática no Estado
Por Flávia Fernandes
O Plano ES 500 Anos, estratégia de desenvolvimento de longo prazo do Espírito Santo até 2035, incorpora a agricultura sustentável como um dos eixos centrais da política ambiental e produtiva do estado. Construído pelo Governo do Estado em parceria com o ES em Ação, com apoio da Petrobras, o plano orienta ações voltadas à inovação no campo, à redução de impactos ambientais e ao fortalecimento da produção rural.
A agricultura sustentável é tratada como um dos pilares do plano, com ações de transição agroecológica, uso racional de insumos e ampliação da assistência técnica para pequenos produtores.
Técnicas como a agrofloresta, o plantio direto e o manejo integrado de pragas estão sendo promovidas por meio de programas como o ES Agroecológico e o apoio da rede de Instituições de Ensino e Pesquisa (IEPs), entre elas a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
O plano também prevê a criação de incentivos à economia verde, com estímulo a modelos de negócio baseados na redução de emissões, uso eficiente de recursos naturais e geração de empregos em setores sustentáveis. Startups com soluções em energia renovável, biotecnologia, gestão de resíduos e tecnologias limpas estão entre os alvos da política de atração de investimentos coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento (Sedes). A criação de distritos verdes em municípios como Serra e Linhares está em estudo para atrair empresas alinhadas à economia de baixo carbono.
Outro pilar estruturante do plano é o investimento em pesquisa e desenvolvimento voltado para soluções climáticas. A meta é consolidar o Espírito Santo como um polo de conhecimento aplicado à sustentabilidade, com ampliação das redes de pesquisa colaborativa entre universidades, centros tecnológicos, empresas e órgãos públicos. A Petrobras, parceira estratégica, anunciou aportes de R$ 35 bilhões no estado até 2029, parte deles em projetos ligados à transição energética e à descarbonização da cadeia produtiva de petróleo e gás.

“O Espírito Santo está construindo um plano de Estado, e não de governo. O Plano ES 500 Anos é resultado de um esforço coletivo e articulado, que conta com a participação decisiva do ES em Ação, atuando como elo entre o setor produtivo, a sociedade civil, a Academia e o poder público. A governança instituída por lei garante que essa agenda seja contínua, estratégica e apartada de ciclos eleitorais. Esse é um legado construído a muitas mãos, com visão de futuro e compromisso com as próximas gerações”, ressalta Álvaro Duboc, secretário de estado de Economia e Planejamento.
Lei estadual aprimora a governança
No eixo da governança, a sanção da Lei Estadual nº 12.375, de março de 2025, criou os instrumentos legais para assegurar a continuidade e a institucionalização do plano ao longo dos anos. A estrutura inclui uma Assembleia Geral do Plano ES 500 Anos, um Conselho de Liderança com representantes dos setores público e privado, uma Secretaria Executiva e grupos de coordenação de cada missão, além de núcleos de apoio técnicos e temáticos.
A participação social é considerada elemento central na implementação das metas. O plano prevê um ciclo contínuo de escuta pública, revisão de metas e divulgação de resultados. As instituições que aderirem ao plano por meio de um Termo de Compromisso passam a integrar a rede ES 500 Anos e poderão receber o Selo ES500, que reconhece práticas alinhadas aos objetivos estratégicos e à produção de impacto positivo no território capixaba.
Resultados
Entre os resultados já alcançados desde o início do processo de construção do plano, estão a realização de 14 oficinas regionais em 2024 com a participação de mais de 400 lideranças, a definição de cinco grandes missões estratégicas, a institucionalização da governança do plano por meio da nova legislação e a articulação com empresas, universidades e movimentos sociais em torno das metas propostas.
A estratégia prevê entregas anuais organizadas por ciclos de implementação, com revisão programada a cada dois anos. As metas intermediárias devem nortear a elaboração dos Planos Plurianuais (PPAs) e dos orçamentos públicos estaduais e municipais, além de orientar investimentos privados e decisões estratégicas de longo prazo.
“Quem planeja, tem futuro. Quem não planeja, tem destino. O Espírito Santo tem avançado muito nos últimos anos, com vitórias importantíssimas para toda a sociedade capixaba. Sabemos que as mudanças são muito rápidas e a cada dia surgem temas novos como, por exemplo, a inteligência artificial, que não constava na primeira edição do planejamento estratégico que fizemos. Também não tínhamos tão forte o debate sobre as mudanças climáticas. São temas muito presentes no nosso dia a dia agora e já fazem parte do nosso planejamento”, finalizou o governador capixaba, Renato Casagrande.


