Construído com governo, empresas e sociedade, o Plano de desenvolvimento define metas até 2035 para clima, economia e inclusão social
Por Flávia Fernandes
O Espírito Santo quer chegar ao marco de 500 anos da colonização do solo capixaba com um plano estratégico de desenvolvimento desenhado de forma colaborativa, integrando metas sociais, econômicas e ambientais.
O Plano ES 500 Anos, lançado oficialmente em 2024, tem como horizonte o ano de 2035 e estabelece diretrizes de longo prazo para transformar o estado em uma referência nacional de resiliência climática, inovação sustentável e desenvolvimento com justiça social.
Construído pelo Governo do Estado em parceria com o movimento empresarial Espírito Santo em Ação e apoio da Petrobras, o plano envolve também a consultoria Symnetics, responsável pela metodologia, desenvolvida a partir de cinco missões estratégicas que foram formuladas após um processo de escuta pública em todas as microrregiões do Espírito Santo.
A proposta do modelo é promover soluções sistêmicas e intersetoriais para os principais desafios da sociedade capixaba, com metas claras, indicadores de impacto e prazos definidos.
As missões são: Economia Diversificada e Inclusiva; Espírito Santo como Polo de Competências; Cuidado Integral com as Pessoas; Sustentabilidade e Resiliência Climática; e Espírito Santo Ágil e Inteligente.
A missão que trata da sustentabilidade ambiental e da resposta às mudanças climáticas ocupa papel de destaque dentro da arquitetura do plano, integrando uma série de ações transversais nos setores público, privado e da sociedade civil.
Planejamento
As ações voltadas à infraestrutura resiliente priorizam intervenções capazes de mitigar riscos associados a eventos extremos, como inundações e deslizamentos, que têm se tornado mais frequentes no estado.
O planejamento inclui obras de drenagem urbana sustentável, contenção de encostas e projetos de reurbanização de áreas vulneráveis, em consonância com os dados do Plano Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).
No campo da gestão dos recursos hídricos, o plano prevê o fortalecimento dos comitês de bacia hidrográfica, ampliação do monitoramento da qualidade da água e programas de pagamento por serviços ambientais (PSA) para conservação de nascentes e matas ciliares.
A escassez hídrica registrada nos últimos anos no norte do estado e a poluição de importantes rios, como o Santa Maria da Vitória, motivaram a adoção de medidas mais robustas nessa área, com investimento previsto de R$ 420 milhões em projetos de recuperação e saneamento básico até 2026.
As metas de conservação e recuperação ambiental envolvem a expansão da cobertura vegetal nativa, com prioridade para áreas de recarga hídrica e zonas de risco de erosão.
Está prevista a restauração de pelo menos 100 mil hectares de florestas até 2035, por meio de parcerias com produtores rurais, associações comunitárias e órgãos ambientais.
Parte dessas iniciativas será financiada com recursos do Fundo Estadual de Recuperação de Áreas Degradadas (FRAD) e do Programa Reflorestar, já em operação no estado com foco na restauração florestal produtiva.
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.


