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Entidades pedem mudança da bitola dos trilhos no projeto da EF-118

Durante audiência pública sobre a implantação e concessão da ferrovia EF-118, que ligará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, entidades pediram que ferrovia seja construída em bitola mista

Por Kikina Sessa

O estudo técnico de engenharia apresentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a implantação e concessão da ferrovia EF-118 usa a bitola métrica (1m) como opção para os trilhos a serem construídos, propondo uma instalação que comporte o aumento para a bitola mista (1,60m) no futuro.

Entidades pedem mudança da bitola dos trilhos no projeto da EF-118
Audiência pública foi realizada pela ANTT, nesta quarta-feira (29), na Findes – Foto: Kikina Sessa

Lideranças presentes na audiência pública realizada pela ANTT nesta quarta-feira (29), em Vitória, alertaram para a necessidade de substituir a bitola métrica pela bitola mista para que a ferrovia tenha conectividade com o restante da linha, já que parte dos trechos que vão ligar o modal utilizam a bitola mista, mais moderna e eficiente. Principalmente o trecho de 80 km entre o município de Anchieta e Santa Leopoldina.

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“A malha ferroviária do Rio e de São Paulo é constituída de trilhos em bitola larga de 1,60m e a malha que chega ao Espírito Santo é em bitola métrica. Entendemos que essa ferrovia precisa ser o elo de ligação entre aquelas malhas em operação respectivamente pela MRS e pela Vale. E, para isso, entende-se a necessidade de que a construção se dê em bitola mista, proporcionando flexibilidade para acesso aos mercados interno e externo”, disse a superintendente da Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), Simone Garcia.

“Gostaríamos de ter da ANTT a confirmação de que a ferrovia EF-118 será implantada, toda ela, em bitola mista, inclusive o trecho que conecta Santa Leopoldina a Anchieta, cuja implantação estará a cargo da Vale, já dentro de suas obrigações na renegociação da concessão das ferrovias Vitória-Minas e Carajás”, frisou Garcia.

A proposta apresentada pela Fetransportes foi endossada pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). Romeu Rodrigues Santos, especialista do Comissão de Infraestrutura da Findes, disse que a ferrovia EF-118 é fundamental para o atendimento à carga industrial entre Vitória e São Paulo. “Daí a necessidade de que ela seja construída em bitola mista. E com definição clara do gatilho para execução do trecho Sul, com parâmetros previamente definidos”.

Apesar de ser um pleito antigo dos governos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, o especialista em ferrovias Marcos Kleber Félix comenta que muitas questões ainda precisam ser definidas antes da publicação do edital, como o uso da bitola métrica, que restringe o potencial da linha e quais cargas serão transportadas. A mudança de bitola impacta na geometria da linha, disse o especialista.

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Concessão e cronograma

A concessão da EF-118 inova ao contar com participação do governo federal no financiamento. Segundo Leonardo Ribeiro, Secretário Nacional de Transporte Ferroviário, esse modelo inédito garante transparência e segurança para investidores, permitindo uma execução mais ágil. O governo investirá R$ 3,28 bilhões, e a concessão será de 50 anos, garantindo estabilidade financeira.

A ANTT analisará as contribuições propostas nas audiências, com previsão de publicar o edital no quarto trimestre de 2025. O leilão deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026 e a assinatura do contrato no terceiro trimestre do mesmo ano. A ferrovia deve entrar em operação em 2033.

Entidades pedem mudança da bitola dos trilhos no projeto da EF-118

A ferrovia EF-118, com 575 km, atravessará 23 municípios, conectando portos como Vitória e Açu e integrando polos industriais e agrícolas. A expansão beneficiará o agronegócio do Centro-Oeste e a mineração em Minas Gerais, otimizando o transporte de minério, carvão e outros insumos.

Marcelo Fonseca, superintendente de Concessão de Infraestrutura da ANTT, destacou que o projeto vai alavancar a competitividade do Brasil, reduzindo custos e melhorando a segurança ao diminuir o tráfego de caminhões. O diretor da ANTT, Felipe Queiroz, reforçou que a ferrovia mitigará gargalos logísticos e movimentará cerca de 40 milhões de toneladas de carga por ano.

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“A ferrovia é uma ferramenta para tornar os portos mais competitivos, ampliar mercados e fortalecer a infraestrutura. Criamos uma rede multimodal, integrando ferrovias a outros modais”, afirmou Queiroz.

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