Tecnologia e educação de mãos dadas

Em 2020, a expectativa é que 64 unidades de ensino em todo o Estado ofertem o modelo de escola de tempo integral

Faculdades capixabas se destacaram entre as melhores do país

Nos últimos anos, o Espírito Santo tem mostrado, por meio dos números, que é possível fazer a diferença com o investimento no estudo. A rede estadual de educação teve orçamento de R$ 2 bilhões, em 2019. Os investimentos garantiram o funcionamento de 500 escolas a mais de 260 mil alunos.

Um dos maiores destaques é a consolidação do programa de Escola de Tempo Integral, que virou referência no país. Atualmente, são 11.450 alunos, em 36 escolas de 34 municípios. A expectativa é que, até 2020, 64 unidades de ensino atendam estudantes do ensino médio.

E que até o final dessa gestão mais de 110 unidades abriguem o projeto.
O programa Jovem do Futuro, em parceria com o Instituto Unibanco, também foi fundamental para um dado importante em 2019: a redução em 80% na evasão nas 238 escolas de ensino médio que participam da ferramenta no Estado.

Inovação

Investir no digital foi uma das metas alcançadas em 2019. Dentro e fora da sala de aula, colégios da rede pública estão explorando o poder da tecnologia para inovar no ensino. Entre as ações estão os Chromebooks, computadores móveis com acesso à internet.

Ao todo, 9.500 professores e 140 mil alunos das 194 escolas participantes se envolveram no projeto. Outra novidade foi a Blogteca, que possibilita ao aluno ter acesso à literatura digital. Seis mil títulos e 31 mil exemplares de bibliotecas de 32 escolas do Estado foram catalogados.

De olho na tecnologia, um dos grandes avanços na educação pública do ES em 2019 foi o investimento no Chromebooks, computadores que trouxeram inovação no ensino

“Conectar as nossas escolas à educação 4.0 é uma tendência desafiadora. O mundo está mudando rápido, e a educação nos impõe o desafio de acompanhar esta mudança, que é exponencial, tanto para o público quanto para o privado”, afirmou o secretário estadual da Educação, Vitor de Angelo.

Ensino técnico

Com a mudança do mercado de trabalho por mão de obra especializada, o Espírito Santo também saiu na frente quanto à oferta de vagas para cursos técnicos, que por sua vez têm atraído cada vez mais jovens em busca de formação.

Nas 10 unidades de ensino do Senai, foram contabilizados 24.596 alunos, nas modalidades presencial e a distância. E para o próximo ano, a expectativa é receber 25.465 alunos. Enquanto isso, a Sedu ofereceu mais de 12 mil vagas em cursos de educação profissional técnica.

Para 2020, uma das metas é ofertar cursos técnicos integrados ao ensino médio em tempo integral, inclusive a modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Serão 5.694 vagas disponíveis já no primeiro semestre do ano que vem em vários municípios.

Educação privada

Os efeitos da crise econômica nos últimos anos continua abalando a educação privada no Estado. Dados do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES) apresentaram queda no número de alunos matriculados nas instituições de ensino em 2019 no comparativo com os anos anteriores.

Este ano havia 206 mil, contra 234 mil estudantes em 2017. Porém, a projeção para 2020 é boa. Espera-se um acréscimo em até 10% no número de matrículas nas escolas privadas do Estado, que conta com 497 unidades de ensino particulares.

Nos últimos anos, a rede também apresentou crescimento nas unidades que oferecem ensino técnico, até na modalidade a distância do ensino superior. Mas o superintendente do Sinepe, Geraldo Diório, admite que, em 2019, a crise continuou impactando.

“Infelizmente mantivemos o decréscimo que vínhamos tendo nos últimos três anos em decorrência do desemprego e da redução da renda familiar. A perda de matrículas chegou a cerca de 20%, e muitos alunos foram transferidos para a rede pública”, informou.

Mesmo com os resultados não tão favoráveis, o setor vê otimismo para 2020. “A expectativa é que haja um crescimento do ensino básico em torno de 10%. Espera-se que no próximo ano não haja mais perda de alunos”, afirmou.

Já o Sesi, maior rede privada de ensino do Estado, ligada à Federação das Indústrias, continua em expansão. A instituição não revelou o montante investido, mas disse que nos últimos três anos houve um salto considerável de alunos na educação básica e continuada.
De 10.188, em 2017, a rede registrou expansão para 19.906 matriculados, em 2019. Sem contar as aulas a distância, que contou com 28.590. A previsão para 2020 é que o número chegue a cerca de 36 mil.

Ensino superior

O Espírito Santo brilhou no ensino superior, em 2019. Nas notas de avaliação no ranking das instituições de ensino superior do país, divulgado pelo Ministério da Educação, em dezembro, as universidades capixabas se destacaram. Apenas 2% delas têm nota máxima no Índice Geral de Cursos (IGC), que avalia a qualidade do ensino delas no país.

Pela décima vez consecutiva em uma década de fundação, a Fucape ficou em primeiro lugar entre as 2.071 instituições avaliadas no Estado e em segundo como melhor curso de Economia do país.

“Prezamos pela busca contínua em fomentar e multiplicar conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento humano e a transformação social e ética. Os resultados alcançados refletem o desempenho do corpo docente, administrativo e de alunos”, afirmou a diretoria da faculdade por nota.

No país, das mais de 2 mil faculdades avaliadas, a de Cachoeiro de Itapemirim, do grupo Multivix, alcançou a 19ª melhor colocação. Já a Universidade Vila Velha ficou em primeiro lugar na categoria “Universidades Particulares do Brasil”.
“A classificação é um marco para o Estado”, afirmou o reitor da UVV, Heráclito Pereira Junior.

Porém, 2019 não foi um ano muito bom para a educação superior federal, que vem sofrendo restrições e cortes orçamentários. Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a redução foi de R$ 20 milhões, ou seja, 30%. Como consequência, foi preciso cortar 1.100 bolsas de estudantes. Este ano, a instituição completou 65 anos e, mesmo diante dessa situação, a universidade continua sendo responsável por 90% da oferta das vagas capixabas. Atualmente, são disponibilizadas 1.200 vagas de pós-graduação, 2.895 para mestrado e 30 para doutorado.

Ifes faz história

Mesmo com a crise que se abateu sobre o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em 2019, nos seus 11 anos de existência, a instituição alcançou um marco histórico, ao atingir a verticalização completa da educação, do ensino básico até todos os níveis de pós-graduação. Em 2020, será iniciado o primeiro curso de doutorado no Ifes.

Em 2019, o Ifes ofertou mais de 250 cursos, desde os técnicos integrados a mestrados profissionais, com mais de 35 mil vagas ativas em todos os níveis de formação.

No Polo de Inovação, foram firmados três convênios com empresas do setor metalmecânico do Espírito Santo para o desenvolvimento de pesquisas e 1.400 projetos de extensão. E a instituição conseguiu angariar R$ 28 milhões com a bancada federal capixaba para investimentos internos.

“A instabilidade quanto às questões orçamentárias trouxe prejuízos. Mas conseguimos fazer ajustes no custeio e investimentos em áreas prioritárias”, garantiu o reitor.

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