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quinta-feira, 18 abril, 2024

Dia Mundial da Epilepsia: juntos conseguimos vencer preconceitos

Embora inspire cuidados, a epilepsia não é uma sentença de solidão e sofrimento

Por Dr. Guilherme Coutinho

Imagine o que é conviver com o receio de que a qualquer momento você possa perder o controle do seu próprio corpo. Essa é a sensação das pessoas diagnosticadas com epilepsia e que, muitas vezes, as leva ao completo isolamento social. O Dia Mundial da Epilepsia, celebrado nesta terça-feira (26), e a campanha Março Roxo convidam todos nós a refletir sobre a importância de nos unirmos e de buscarmos mais informações para desmistificar essa condição. Embora inspire cuidados, a epilepsia não é uma sentença de solidão e sofrimento.

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Em todo o mundo, estima-se que 5 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com epilepsia a cada ano. No Brasil, cerca de 2% da população é afetada por essa doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Trata-se de uma condição que faz com que as pessoas tenham convulsões repetidas. Elas são causadas por descarga ou atividade elétrica anormal no cérebro, que podem provocar abalos pelo corpo, desmaios ou a movimentos irregulares que, aos olhos de pessoas sem conhecimento, podem parecer estranhos. A epilepsia pode decorrer de fatores como predisposição genética, traumas durante ou após o parto, malformações e até sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de infecções, como a meningite.

Em função dos avanços científicos e tecnológicos, os neurologistas já são capazes de identificar quais medicamentos são mais eficazes para cada tipo de epilepsia. Desta forma, quando mais individualizado for o tratamento, maiores as chances de sucesso. As convulsões podem ser controladas e até 70% das pessoas que vivem com epilepsia podem ficar livres de convulsões com o uso de fármacos, segundo a Liga Brasileira de Epilepsia. Portanto, na maioria dos casos, os pacientes ficam livres da doença com a medicação e podem viver normalmente, já que a condição não leva ao declínio cognitivo ou a outros sintomas neurológicos.

Sempre existe um caminho a ser tentado quando se busca ajuda médica especializada. Mas, para que cheguemos ao tratamento é preciso, primeiro o diagnóstico. E é aí que, mais uma vez, o medo do preconceito e do julgamento alheio atrapalha, pois impede que os pacientes iniciem o processo de investigação rapidamente.

Mas as crises podem ocorrer e, nestes casos, todos devemos estar preparados para saber como agir. A atitude de quem está por perto é fundamental para evitar acidentes como quedas e traumatismo craniano. Caso você presencie um episódio destes, mantenha a calma e procure tranquilizar as pessoas ao redor.

Se possível, evite que a pessoa caia bruscamente no chão e coloque-a em um local onde ela não possa se machucar, mas não tente impedir os movimentos involuntários. Ao invés disso, coloque alguma peça macia sob a cabeça da pessoa em crise e procure acomodá-la de lado, de forma que não haja risco de aspiração de excesso de saliva ou vômito.

Não coloque a mão na boca da pessoa para desenrolar a língua, este é apenas um mito. Quando o episódio cessar, conte o que ocorreu e se ofereça para chamar um familiar.

Conscientização, tratamento e acompanhamento são palavras-chave quando falamos sobre epilepsia. Quando adicionamos empatia a esta soma, somos capazes de promover mais qualidade de vida para todos.

Dr. Guilherme Coutinho é neurologista e coordenador da Unidade de AVC do Hospital Unimed.

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