Além da tecnologia, as cooperativas agropecuárias contribuem com a propagação de práticas sustentáveis na agropecuária do estado
Por Pedro Scarpi Melhorim
O cooperativismo é uma potência no Espírito Santo, e as cooperativas agropecuárias se destacam pela diversidade de negócios, competitividade e inovação. Em 2022, elas faturaram R$ 4,3 bilhões, a maior cifra registrada no estado entre os sete ramos econômicos do modelo de negócio.
Além da robusta movimentação financeira, as coops agropecuárias capixabas contribuem com a geração de empregos e o desenvolvimento das comunidades agrícolas. Elas reúnem 38,3 mil cooperados, incluindo cafeicultores, pecuaristas e agricultores familiares. Também são responsáveis por manter 2,4 mil postos de trabalho, por meio de vínculos empregatícios diretos.
Graças às cooperativas, muitos produtores rurais conseguem escoar a sua produção com maior segurança, comercializar seus produtos a preços justos, acessar mercados que não conseguiriam se atuassem sozinhos, adquirir insumos a custos reduzidos e receber orientações técnicas para melhorar o seu negócio. Só em 2022, as coops agropecuárias do estado investiram cerca de R$ 1,8 milhão em capacitações e treinamentos para seus
cooperados e colaboradores.
Esses indicadores sólidos permitem que elas galguem novos patamares de sucesso em áreas como a tecnologia e a sustentabilidade. Entre as práticas adotadas estão a mecanização de operações nas indústrias, a digitalização de processos, o e-commerce, o lançamento de novos produtos, a criação de aplicativos e serviços inovadores para cooperados e as parcerias com startups e empresas de tecnologia.
No campo, estão ficando cada vez mais populares e acessíveis os drones, utilizados na pulverização e monitoramento das lavouras; as colheitadeiras, extremamente eficazes nas lavouras de café; e a irrigação por gotejamento que, além de reduzir custos, diminui o desperdício de água.
Já na produção de leite temos como referência um programa de melhoramento genético por Fertilização In Vitro (FIV), que tem otimizado a produtividade dos rebanhos; e os condomínios leiteiros, que possuem pastos irrigados por pivô central, ordenha mecanizada e um modelo inovador de investimento, o sistema de cotas.
Além da tecnologia, as cooperativas agropecuárias contribuem com a propagação de práticas sustentáveis na agropecuária do estado. Temos o caso das certificações de origem e ambientais, que atestam a confiabilidade do produto; as premiações e benefícios para cooperados que trabalham com manejos orgânicos ou de menor impacto para o meio ambiente; o reaproveitamento de resíduos nas lavouras; e a adubação com bioinsumos, com destaque para o biochar (calvão natural).
Outra inovação sustentável que está sendo difundida pelas cooperativas agropecuárias é a energia limpa e renovável. Elas estão apostando nos painéis solares para reduzir seus gastos com energia e, consequentemente, diminuir sua pegada ambiental. Há, inclusive, casos de intercooperação nessa frente, ou seja, quando cooperativas se unem para alcançar objetivos em comum – nesse caso, a produção e o consumo de energia solar.
Ao analisar esse conjunto de boas práticas, percebemos o quanto o cooperativismo capixaba está na vanguarda da agropecuária tecnológica e sustentável no Espírito Santo. A boa notícia é que, com investimentos em pesquisa, parcerias e educação, poderemos alavancar ainda mais os resultados que a economia e a população capixaba já estão colhendo.
Pedro Scarpi Melhorim é presidente do Sistema OCB/ES.
*Artigo publicado originalmente na revista ES Brasil 223, de setembro de 2024. Leia a edição completa sobre Agronegócio Capixaba aqui.

